“Scream to Nowhere”

“Scream To Nowhere”, Rui Campos – 
24 de Julho de 2014.

Num tempo em que todos anseiam um lugar ao Sol, visibilidade, atenção e diferenciação… ainda que sem identidade própria. 

Rui Campos

A Modos Que… Estou a Ficar Farto.

É verdade. Estou a começar a ficar farto da fotografia quadrada, da nitidez absoluta, dos detalhes, do foco preciso e dessas coisas todas. Quero mais da minha fotografia, desejo que ela vá além dos discursos redondos e dos lugares-comuns.

Hoje deito tudo fora e começo um caderno novo. 

Rui Campos

Outono… Finalmente

Não sou, nem de longe, nem de perto aquilo que se pode considerar um fotógrafo de natureza. Sou fotógrafo, fotógrafo tudo aquilo que julgo merecer ser alvo da minha atenção.

Não conheci até hoje nenhum fotógrafo que fosse insensível às magias e ao encanto do Outono. Este ano decidi ser criterioso e preparar-me para esta Estação. Visitando lugares, pesquisando espaços, procurando antever como vai evoluir a Natureza ao longo da estação. Ontem fui visitar alguns pontos-chave, na Serra. Espero poder fazer umas imagens que me satisfaçam a sede de nesta estação ser Outono. 🙂

Rui Campos

Fazer Arte ou Ser Artista?

Para mim, isso de ser artista é uma questão complexa. Eu digo sempre que não sou artista e que aquilo que produzo também não me importa que não seja considerado Arte (eu ainda escrevo Arte com maiúscula, porque de facto aquilo que ela representa merece que seja escrita desta forma).

Mas para conseguir justificar esta questão à luz daquilo que considero ser o meu entendimento, preciso de além da Arte, reflectir acerca de outras duas características da Humanidade que para mim cumprem o mesmo propósito, e que são a Religião e a Filosofia. Todas elas são no meu entender, formas de justificar o Ser Humano como ser superior.

Alfred Stieglitz (1864-1946) The Terminal

No caso da Religião, eu separo-a em Crença e a Doutrina. A parte que concerne à Doutrina está para mim no âmbito da Filosofia, e mais tarde, quando me referir a ela, explico porquê.

A religião, mais particularmente a Crença, tem para mim dois objectivos: o primeiro prende-se com a forma como nos justificamos a nós mesmos como seres imperfeitos, ainda que superiores, ou seja, se nos classificamos a nós mesmos como seres superiores, precisamos de justificar as nossas imperfeições. Esta justificação acontece de duas formas: a primeira porque colocando algo no campo extra-terreno nos coloca a nós na Terra, ainda que sendo superiores. Como tal, essa “maldição” de se ser perfeito é relegada, justificada e corporizada na religião, no extra terreno, obvia e “convenientemente” inalcansável para os humanos. Pelo menos para alguns, e os que há com essa graciosidades desceram à Terra, não ascenderam. O único caminho conhecido para ascender ao extra-terreno é também “convenientemente” explicado por um mistério sem solução. A Morte. O Ser Humano tem portanto justificada a questão da sua imperfeição, pese embora sendo um Ser Superior. É a Religião, mais propriamente a Crença que desempenha esse papel.

Clarence Hudson White (1871-1925) Morning

Já a Filosofia justifica a humanidade como superior pela produção de conceitos. Porque esta, a produção de conceitos, é também uma característica que nos separa dos restantes seres vivos. Um conceito é uma ideia, algo que não exista no plano material mas que muitas vezes serve para que as sociedades se organizem e expliquem. O conceito de Democracia, por exemplo, o de Comunismo ou Socialismo. Tudo isto são conceitos que versam acerca da melhor forma de se organizar a sociedade que é cada vez mais complexa e precisa de ser eficaz na sua organização. Outro conceito pode ser a Lei. Prova-se que existem inúmeros aspectos das sociedades que eram condenados pela Lei, mas que o Tempo demonstrou que esta precisava ser ajustada. Outros conceitos há ainda que versam acerca de sentimentos. O sentimento é também um conceito. O amor, a saudade, a Cultura (eu ainda sou dos que gostam de escrever também Cultura com maiúsculas), ou a Arte. Portanto, a Filosofia justifica-nos enquanto Seres Superiores pela produção de conceitos. Regressando à Doutrina, na religião, esta para mim é uma forma de filosofia, na medida em que esta é também um conceito que visa ensinar uma forma de estar, organizativa, se quisermos.

E chegamos assim à Arte e à forma como esta, no meu entendimento nos justifica como seres superiores. Pela reinvenção, reanálise, recapitulação, recurso e recriação de paradigmas. A Arte é a meu ver, aquilo que nos justifica um conceito tão importante como o Futuro. A Arte é a única forma que permite ao Ser Humano olhar para ele próprio de forma crítica e em liberdade. A arte reanalisa a nossa existência constantemente; recapitula os nossos objectivos, porque nos vai dizendo a todo o instante quais são os valores vigentes, recapitulando com isso as nossas necessidades; recorre a novas abordagens, quer seja com novos materiais ou novas formulações filosóficas ou até religiosas. E, com tudo isto, a Arte é que nos guia uma e outra vez para novos paradigmas, colocando constantemente em causa a nossa legitimidade existencial e procurando dar resposta a todos os problemas do Ser Humano. A Arte foi também em tempos o único aspecto verdadeiramente democrático da condição humana. Entenda-se que por via dela o Ser Humano pode ser continuamente crítico dele próprio e ainda assim a Arte, digo, quem a “tem nas mãos” serem verdadeiros Tiranos.

Edward  Weston (1886-1958) Pepper nº30

Porém a Arte, para ser considerada Arte precisa tem de ter algumas características, cumprir alguns propósitos. A mais importante tem que ver com o tal Futuro. A Arte precisa da consagração, a consagração acontece quando as gerações vindouras conferem igual legitimidade à produção Artística que herdaram. Picasso é quem é porque a sua obra perdurou além da sua vida e continua e (esperemos) continuará a fazer sentido no Futuro.

São muito poucos os Artistas que são consagrados em vida, a esmagadora vezes que um artista é consagrado, é-o depois da sua morte. E isto faz sentido, porque a forma como a sociedade e o pensar dela evolui não está exclusivamente nas mãos de quem habita o presente, não depende directamente da vontade dos que vivem uma determinada conjuntura. O Ser Humano é limitado no tempo precisamente para poder continuar.

Paul Strand (1890-1976) Abstraction, Twin lakes, Connecticut

Enquanto escrevia este artigo, perguntei ao Dr. Google, quantas pessoas há no Mundo. Ele respondeu-me que em 2016 havia 7 442 000 000 de pessoas no mundo, quase sete mil e quinhentos milhões de pessoas. David Barret, professor de “Missiometria” da Universidade Regent estima que haja dez mil religiões no Mundo. Quem quiser faça as contas, eu apenas pretendo estabelever que o rácio de religiões para os habitantes da Terra é minúsculo, pese embora haja duas religiões que são maioritarias em termos de seguidores. 

Não consigo estimar quantos grandes filósofos existem nem quantos serão os grandes artistas que o Mundo conhece e já conheceu. Sei que para cumprir estas funções, a Filosofia e a Arte precisam de ser também inacessíveis ao comum dos mortais, exclusivas apenas a alguns sob pena de se perderem as suas funções pela vulgarização.

E agora, para concluir, tenho a certeza de que eu eu não serei com toda a certeza um dos fadados para ser um grande artista, nem sequer estou interessado nisso. Se tal acontecer, e se a Lei da Vida e das Artes se cumprir, eu já estarei morto, isso é certo!

E é por isto que eu, ao contrário daquilo que alguns me acusam, não me considero artista, estou-me completamente nas tintas para isso. Da mesma forma que não me importa para nada se aquilo que eu produzo é ou não considerado Arte.

Eu vejo uma imensidão de pessoas a querer ser artistas, não que isso seja ilegítimo, antes pelo contrário, incentivo toda a gente a procurar a Arte como forma de vida, e precisamente pelas razões que já enumerei. A questão é que essa coexistência entre o individuo e o artista muitas vezes é problemática e causa imensos amargos de boca aos artistas e aos indivíduos que os corporizam, é uma mixórdia muito complexa.

Cecil Bostock (1834-1939) Day breaks cold shrieking bloody
 

Eu só quero ser feliz, e aquilo que eu faço faz de mim uma pessoa extremamente feliz.

Acontece que aparece sempre alguém a querer meter a minha felicidade dentro da Arte. Uns por inveja, outros porque lhe dão de facto valor e outros porque de facto é isso mesmo que consideram as coisas que eu faço.

Portanto, entre Fazer Arte ou Ser Artista, permitam-me ser Feliz. Respeitarei sempre aquilo que uns e outros pensam do meu trabalho, mas a verdade é que isso para mim é completamente irrelevante, e é por isso que me divertem deveras aquelas piadas que alguns me endereçam a dizer “tens a mania que és artista”.

Não tenho não, tenho é a mania que sou Feliz!

Rui Campos

 

Pastorícia

Ontem postei uma imagem no Instagram que hoje de manhã decidi reeditar por um motivo muito simples. Por alguma ração, na altura (em Outubro de 2017) pareceu-me que aquela imagem ficava favorecida de editada com a proporção 16×9. Acontece que em alguns aspectos da fotografia sou uma pessoa ortodoxa e não vejo razões para que uma imagem que fiz a 3×2 seja depois apresentada noutro formato. É uma questão que para mim apenas tem relevância num aspecto e, em relação a este aspecto faz todo o sentido, a meu ver. 

Eu exponho bastante, e quando edito imagens, procuro ter o cuidado de dar uma coerência às fotografias que apresento, como tal, desejo que todas elas tenham a mesma proporção. 

Esta imagem é pouco conhecida, é uma cena de quotidiano, felizmente ainda relativamente comum na Serra da Estrela. Fiz esta fotografia dentro da vila de Manteigas, de pois de abordar este simpático casal a fim de saber onde poderia encontrar uma outra senhora que tinha fotografado uns meses antes, a fim de lhe oferecer uma fotografia sua. Hoje reeditei-a para vocês. Porque acho que é uma cena quase romântica, a forma harmónica como um casal de pastores estão ali, a gozar do calor de um dia quente de outono, enquanto o rebanho se dispersa sossegadamente pelo espaço. Umas ovelhas comem, outras dormitam… É de facto uma belíssima cena de quotidiano na Serra da Estrela, esta que desejo partilhar com vocês. 

Rui Campos

Ontem fui Fotografar…E custou.

Publiquei esta nota em 23 de Junho de 2018. Nessa altura referia a minha necessidade de parar, de suspender toda a produção fotográfica e regressar aos meus projectos que entretanto tinham ficado em suspenso. Hoje, 2 de Outubro, parei efectivamente, recuperei o fôlego e regressei à fotografia consciente e crente na acção mental. 

Só não regressei aos projectos em suspenso, porque entretanto outros ocuparam o meu tempo. É sempre assim, uma dificuldade extrema para acompanhar os projectos que vou desenvolvendo. Pelo menos tenho projectos que me obrigam a sentar e a dedicar-lhes tempo porque acredito neles. E isso, para alguém que trabalha nesta área só pode ser motivo de felicidade. 🙂

“Henri Cartier-Bresson disse numa entrevista que “às vezes precisamos de arrumar as câmaras, sempre à vista, e esperar que elas nos chamem. “

O processo fotográfico, se o desejarmos levar com seriedade e que este se destaque, é sempre um processo consciente e criativo. Mas por vezes a intensidade de trabalho é tal que tudo se torna automatizado.

Pela parte que a mim toca, eu preciso destes distanciamentos de forma regular e mais ou menos constante. É uma espécie de catarse, de me libertar de um compromisso no qual pensei e em relação ao qual investiguei e de poder abraçar outros desafios. Neste caso preciso mesmo de uma paragem não apenas para me reciclar para depois abraçar outros desafios, mas também para regressar e reinterpretar os desafios que estão agora em suspenso.

Ontem, com um amigo fui passear e fotografar despudorada e descomprometidamente.

Gostei, principalmente da companhia de um amigo que está longe e que tem sentido estético e crítico. Algo cada vez mais raro nos dias que correm. Anseio mesmo por me desligar do Photoshop e das câmaras. Retornar aos projectos que ficaram em suspenso e aguardar serenamente que as minhas câmaras me chamem. Só não sei é quando isso (parar) vai poder acontecer.”

Rui Campos

“Polvorosa”

Hoje andei perigosamente perto de… Pólvora. Imensa!
Foi duro porque tive de lutar contra a minha imaginação (só via coisas a fazer “pum” e a subir em direcção ao vazio); contra a minha tentação (de fazer coisas fazer “pum” e vê-las subir em direcção ao vazio); E dar voz à necessidade de fazer um trabalho sério e capaz de surpreender pela positiva.
Fazer fotografia com seriedade às vezes custa tanto!
Foi um dia extremamente emotivo. 
Mais em breve. 😉

Cavalos em Parada Militar

Rui Campos

Fotografia de Casamento

“Convide-me para o Seu Casamento e Veja o que Posso Fazer por Si” 

O meu novo site de fotografia de casamento também já está quase pronto
Em breve irá ser revelada uma nova e inovadora forma de trabalhar a fotografia de casamento em Portugal

Os noivos estejam atentos, porque temos alguns vouchers de desconto para oferecer no dia de relançamento do Site.

Invite-me to your wedding and learn what I can do for you
Convide-me para o seu casamento e veja o que posso fazer por si

Ode ao Vinho:

Em 05 de Abril de 2014, depois de uma tarde que mexeu com todas as minhas crenças e preconceitos em relação à sociedade em que vivemos encontrei, numa aldeia do Concelho de Foz Côa um trio que estava capaz de dar início à reconquista cristã. Mas essa História por ora vai ficar no segredo dos Deuses. 

Trata-se de uma das fotografias mais bem dispostas que já fiz. É a imagem que tenho no fundo de ambiente de trabalho dos meus monitores e, de facto, quando ligo o computador pela manhã, esta imagem surte efeito.

“Ode ao Vinho”
Rui Campos

Sim, em fotografia também se reeditam obras. E todas elas têm correcções. Na edição da imagem também amadurecemos com o tempo. Tornamos as nossas edições mais subtis, de forma a que elas se tornem o mais imperceptíveis possível, sob pena de a edição ser preponderante na leitura da imagem. De resto é isso que tende a acontecer, cada vez mais confundimos fotografia com arte digital. As fronteiras, no campo da percepção, estão cada vez mais esbatidas. Mas acreditem, não é desejável. E nenhum fotógrafo sério a deseja.

Ainda assim o processo fotográfico exige trabalho de pós-produção, e é por isso mesmo que os fabricantes de equipamentos fotográficos, ao invés de apostarem em algoritmos nos processadores das câmaras, apostam na expansão de possibilidades nos ficheiros-nativos e permitindo assim ao fotógrafo editar como deseja. E acreditem, qualquer fotógrafo com alguns anos de experiência sabe o que vai depois fazer com o ficheiro que está a criar.

Porém, como referi anteriormente, amadurecemos, aprendemos novas técnicas de edição, formas porventura mais simples (ou não) de chegar a resultados. Já repararam que aqueles que de se assumem como fotógrafos muito raramente falam de edição, ou da forma como dominam ou não os softwares de edição? É porque este capítulo é importante, mas em termos de aperfeiçoamento da imagem, mas não em termos de conteúdo. Nada daquilo que o fotógrafo fizer nas suas imagens irá alterar o sentido, a mensagem ou o propósito da imagem. 

No meu caso reedito por várias razões: porque regressar ao passado traz boas sensações (eu guardo lembrança de todas as imagens que fiz, porque estas passaram pelo processo de edição e isso ajuda-me a preservar memória desses acontecimentos). Mas também porque, como ja referi, se aprendem novas técnicas, novas abordagens, novos processos.

Neste caso específico estou a reeditar os meus “Clássicos” porque me importa retirar das minhas imagens todos os metadados (dados Exif) à excepção dos direitos de propriedade intelectual.

Porquê? 
Simples: porque não quero que as pessoas que acompanham o meu trabalho pensem que a qualidade deste está dependente da qualidade do equipamento que uso, o qual é manifestamente abaixo da média daquilo que a esmagadora maioria de pessoas usam para fotografar. Não acreditam? Então vejamos, a minha lista de equipamentos é a seguinte:Nikon D7100, Nikon D5500, Canon G1x Mk1. E um conjunto de lentes que estão longe de ser prime ou topos de gama.

Se acham que a qualidade das vossas imagens não é boa por culpa do equipamento que usam, investiguem o equipamento que usaram os grandes fotógrafos do século XX e comparem com os vossos. Talvez tenham uma surpresa 

Designei esta série de “Ode ao Vinho” e espero reeditá-la por completo em breve para vo-la apresentar. Partilho-a com vocês na esperança de que vos proporcione boas energias para este dia. 

Tenham um bom dia. 

Rui Campos

Reeditando Clássicos

Sim, em fotografia também se reeditam obras. E todas elas tem correcções. Na edição da imagem também amadurecemos com o tempo. Tornamos as nossas edições mais subtis, de forma a que elas se tornem o mais imperceptíveis possível, sob pena de a edição ser preponderante na leitura da imagem. De resto é isso que tende a acontecer, cada vez mais confundimos fotografia com arte digital. As fronteiras, no campo da percepção, estão cada vez mais esbatidas. Mas acreditem, não é desejável. E nenhum fotógrafo sério a deseja. 

“Happiness from a Balcony” (2014) – Reeditada em 2018

Ainda assim o processo fotográfico exige trabalho de pós-produção, e é por isso mesmo que os fabricantes de equipamentos fotográficos, ao invés de apostarem em algoritmos nos processadores das câmaras, apostam na expansão de possibilidades nos ficheiros-nativos e permitindo assim ao fotógrafo editar como deseja. E acreditem, qualquer fotógrafo com alguns anos de experiencia sabe o que vai depois fazer com o ficheiro que está a criar. 

Porém, como referi anteriormente, amadurecemos, aprendemos novas técnicas de edição, formas porventura mais simples (ou não) de chegar a resultados. Já repararam que aqueles que de se assumem como fotógrafos muito raramente falam de edição, ou da forma como dominam ou não os softwares de edição? É porque este capítulo é importante, mas em termos de aperfeiçoamento da imagem, mas não em termos de conteúdo. Nada daquilo que o fotógrafo fizer nas suas imagens irá alterar o sentido, a mensagem ou o propósito da imagem. 

No meu caso reedito por várias razões: porque regressar ao passado traz boas sensações (eu guardo lembrança de todas as imagens que fiz, porque estas passaram pelo processo de edição e isso ajuda-me a preservar memória desses acontecimentos). Mas também porque, como ja referi, se aprendem novas técnicas, novas abordagens, novos processos.

Neste caso específico estou a reeditar os meus “Clássicos” porque me importa retirar das minhas imagens todos os metadados (dados Exif) à excepção dos direitos de propriedade intelectual.

Porquê?
Simples: porque não quero que as pessoas que acompanham o meu trabalho pensem que a qualidade deste está dependente da qualidade do equipamento que uso, o qual é manifestamente abaixo da média daquilo que a esmagadora maioria de pessoas usam para fotografar. Não acreditam? Então vejamos, a minha lista de equipamentos é a seguinte:Nikon D7100, Nikon D5500, Canon G1x Mk1. E um conjunto de lentes que estão longe de ser prime ou topos de gama.

Se acham que a qualidade das vossas imagens não é boa por culpa do equipamento que usam, investiguem o equipamento que usaram os grandes fotógrafos do século XX e comparem com os vossos. Talvez tenham uma surpresa 🙂

Rui Campos

Escreve uma Carta

Basicamente é isto: A Iniciativa Repositorium MMLXVIII está a desafiar-te a escreveres uma carta para ti ou para os teus filhos ou netos lerem em 2068. Podes escrever acerca do que quiseres: do Futuro, do amor, dos teus sonhos ou espetativas ou até da forma como gostarias que o Mundo fosse daqui a 50 anos.

Escreve, assina (nome completo), mete num envelope e entrega na Sala de exposições do Centro cultural de Foz Côa, a uma das senhoras que lá estão. Nós depois vamos depositá-la no Repositórium para que esta seja lida por ti ou por algum filho ou neto em 2068.

O prazo de entrega das cartas é 30 de Setembro:

Poio Quarries

Poio shale is extracted in Vila Nova de Foz Côa. The extraction of this stone is closely linked to the advent of vineyard culture in the Alto Douro Vinhateiro, a heritage classified by UNESCO.

This stone is now, fruit of the technological evolution, trending and very apreciated world around, given the new forms of abrasion of the same. It is now, although the economic paradigm has changed, established as one of the basis of the economy of the county of Foz Côa.

For years I have been collecting images at these quarries, collections that have produced a video used in an exhibition of the Municipality of Foz Côa and in a Project, “Histories of Men and Stones“.

This is the exhibition that the Municipality of Foz Côa held in 2016. The collection of video that I realized and that was part of this exhibition is here.

Rui Campos

Seleção de Imagens

Hoje seleccionam-se imagens e planifica-se trabalho para dois dias a cumprir na próxima semana. Procurar encontrar os lugares exactos onde o meu avô esteve décadas antes de mim, e fazer os mesmos registos com a finalidade de nos podermos consciencializar do quão mudou o espaço.

A ideia é depositar depois estes registos no #RepositóriumMMLXVIII para memória futura. Este é, como já expliquei em ocasiões diversas, mais uma derivação, um aproveitamento e uma forma de valorizar o espólio fotográfico de Amândio Felizes Tetino. É mais um dos inúmeros sub-projectos do #ProjectoReferentes. É absolutamente entusiasmante a multiplicidade de intervenções que se podem fazer com base num espólio desta natureza.

A zona do Pocinho, por alturas da construção da barragem e agora.

À medida que nos vão chegando as confirmações (todas eles entusiasmadas) de pessoas das mais diversas àreas, que irão contribuir para o #repositorium2068, este projecto torna-se mais e mais apaixonante Um verdadeiro tesouro a ser encerrado para memória futura, em foz Côa.Quero antes de tudo agradecer aos meus amigos e companheiros destas aventuras, sem os quais nada disto seria possível: Ao Pedro Daniel, ao Lopo Lansm Ctl, à Susana Pires, ao Dinis Ângelo, à Pinto Lurdes Ao João Calhau, ao Paulo Pinto e ao Paulo Delgado. Sem vocês nenhuma destas aventuras acontecia. Cabe a esta equipa a inventariação, a catalogação, o condicionamento e toda a gestão do projecto. Difícil encontrar melhor equipa. Grato que vos estou.

Quero agradecer também ao Dr. José Ribeiro pelo entusiasmo com que acolheu esta iniciativa e porque aceitou o convite de endereçar os convites e dinamizar os trabalhos naquilo que concerne à participação de pessoas e instituições fozcoenses. Quero agradecer aos amigos e artistas que aceitaram o desafio de redigir reflexões acerca das “Vanguardas da Memória”, em primeiríssimo lugar ao Dr. João Mendes Rosa pela coragem, e seguidamente ao Pedro Figueiredo, à Rosa Branca Figueiredo, ao António Prata, ao Jorge Manuel Mendes, ao Victor Afonso, à BJ Boulter, à Brigitte von Humboldt, à Vera Christians, à Rosa Pereira, à Esther Muntañola, ao Odysseas Tosounidis, à, Montserrat Villar González, Ao Jorge Velhote, à Maria Afonso, ao João Rasteiro, ao Antonio Navarro e à Sónia Cabello, á Ana Correia. Estes foram artistas e escritores que já aceitaram o desafio. Desejo também agradecer de antemão a todos os outros que foram convidados e que ainda não responderam ao desafio.

Muito Obrigado a todos.

Rui Campos.

Isto é Só Ruído.

“Quem é que vos disse que os fabricantes de equipamentos são bons fotógrafos e constroem o mais adequado para a fotografia e não para ganhar dinheiro?”

Num qualquer lugar alguém escreveu o seguinte numa resposta:

The best lens I have for portraits are the ones in my eyeballs. Also, depending on how much room I have to take portraits, I will use either a 50mm or a 105mm. “

Ao que eu respondi:

“I use a 12-24mm

Ao que essa pessoa respondeu:

“Do you get any distortion?”

Eu respondi (agora traduzo para português e convido-vos a reflectir sobre isto):

“E isso é importante? A distorção faz parte das consequências físicas das escolhas que se fazem. E a fotografia é isso mesmo, perdas e ganhos. Sempre que se pretende ganhar algo, perde-se noutra parte. São estes limites, estas despesas que se têm de pagar na fotografia que são importantes.

Mais importante, a fotografia não é uma técnica, não é sobre as lentes, e as layers, e os bokeh… A fotografia é uma forma de comunicação. Quando estes senhores escrevem milhares de artigos a versar sobre apenas o material, nunca terminam um artigo a dizer que “O melhor e o mais adequado é sempre bom senso“. Assisto todos os dias a alunos a perguntar-me sobre equipamento sem sequer querer saber o que quer que seja acerca de reciprocidade. Isto é errado.

Ninguém, em parte alguma faz uma boa imagem apenas porque tem uma boa lente. As boas imagens são livros, formas de interpretação, de comunicação e exigem por isso conhecimento noutras áreas.

Conheço pessoas que se dizem fotógrafos porque estão atentos a todo o equipamento que sai para o mercado, mas quando são inquiridas acerca de Ezra Pound, julgam que é um planeta, quando a seguir se fala de Paul Strand pensam que é algum estilista. Eu dedico-me a ler sobre equipamento quando preciso de adquirir alguma coisa, e leio especificamente acerca disso.

A produção de artigos que existem sobre fotografia versa quase exclusivamente sobre equipamentos. Quem é que vos disse que os fabricantes de equipamentos são bons fotógrafos e constroem o mais adequado para a fotografia e não para ganhar dinheiro?

Claro que é mais fácil ensinar fotografia por via do equipamento. Mas… pensem bem… que vantagens isso traz para quem quer aprender?

Qual é a relevância da informação acerca das diferenças entre uma 50mm e uma 85mm? Se se ensinasse quais são as especificidades de uma e da outra não seria necessário andar depois a fazer estes comparativos.

Tudo aquilo que os senhores conseguem é que mais pessoas vão correr a adquirir mais equipamento de que não precisam para fazer mais imagem sem valor. Dêem-lhes as voltas que quiserem, a realidade é esta.

E se ensinassem um pouco de teoria da imagem, um pouco de Alfred Stieglitz e dos movimentos artísticos que atravessaram a história da fotografia, como neste caso o Pictoralismo e o Formalismo, ou os grupos de fotografia e as suas abordagens, como no caso o Photo Secession? E se transcrevessem algumas entrevistas dos Mestres?E se reflectissem acerca das reflexões dos Mestres? Se calhar dá mais trabalho, é preciso estudar para isso.

Pois, deixávamos de ter negócio!

Para falar de lentes não. Basta ir a um ou dois sites buscar a informação e depois escrever um texto. Às vezes é só mesmo copy/paste.

Estes artigos não fazem boa fotografia. Só atiram mais ruído.”

Deixo-vos também alguns retratos que fiz com uma objectiva 12-24mm. Imagens sem valor porque esta lente, segundo estes senhores, não é boa para retrato. 

Rui Campos

A Imagem Exprime Ideias

No que concerne à forma como eu utilizo a imagem fotográfica, procuro usá-la como uma forma de comunicação e uma forma se ser crítico para com a sociedade, sobretudo na disciplina da fotografia que mais me seduz, a fotografia de rua e quotidiano. De resto não concebo uma postura na fotografia que se caracterize pela aprendizagem de técnicas que depois se aplicam e replicam em situações-tipo criteriosamente procuradas unicamente com o objectivo de aplicar e replicar essas mesmas técnicas. Recorrendo a uma expressão popular, essa forma de estar na fotografia é para mim uma “Pescadinha de rabo na boca”, porque é redutora. Eu entendo a fotografia como uma forma viva de se estar, porque nos permite espelhar a sociedade nela própria em termos imediatos e oportunos. E quando quando se dispõe de uma método que nos permite observar, assistir e em simultâneo confrontar uma sociedade com ela própria, estamos perante um quase milagre da vida. É assim que eu entendo a fotografia. Com as naturais derivações, consequência de muitas vezes desenjoos ou simples mudanças de humor. Também é legítimo, claro que sim. Mas regresso sempre aos lugares onde sou feliz. E sou de facto muito Feliz a usar a fotografia como uma forma de comunicação.

A propósito desta forma de se recorrer à fotografia, hoje deixo-vos com três imagens minhas, aconchegadas por alguns excertos de escritos de Martine Joly.

Rui Campos

Martine Joly, na introdução do seu livro “Introdução à Análise da Imagem” deixa a seguinte reflexão:

Somos consumidores de imagens; daí a necessidade de compreendermos a maneira como a imagem comunica e transmite as suas mensagens; de facto, não podemos ficar indiferentes a uma das ferramentas que mais dominam a comunicação contemporânea. 

“(…) imagem (…) é um instrumento de comunicação, signo (…) “que exprime ideias” por um processo dinâmico de indução e interpretação:

Caracteriza pelo seu mecanismo (…) mais do que pela sua materialidade, o que explica (…) a delicadeza e a justiça do emprego múltiplo do termo «imagem»;

(…) trabalhar sobre imagem visual (fixa) é uma escolha e não uma necessidade, pois poderíamos trabalhar sobre a imagem sonora, ou sobre a imagem verbal, ou ainda sobra a imagem mental;

(…) não há ícone ou imagem puros (…) por conseguinte os seus empréstimos a outros tipos de signos são de ter em conta para estudar a interpretação induzida;

(…) o simples facto de se optar por se exprimir pela linguagem visual é determinante para a interpretação, pois esta opção põe em jogo tipos de associações mentais e campos associativos bem específicos, tais como o analógico, o qualitativo, o racional ou o comparativo.”

Martine Joly

Paul Strand 128 Anos

Faz hoje 128 anos que nasceu Paul Strand, um dos incontornáveis da História da Fotografia e das Artes.

A Revista La Fundación, escreveu aquela que considero a sua biografia mais completa, a qual transcrevo aqui, No final deixo um pequeno sideo de Ted Forbes, também acerca deste fotógrafo. 

Nascido em Nova Iorque, Strand começou estudar com o fotógrafo social Lewis Hine na Ethical Culture School de Nova Iorque, entre 1907 e 1909, e posteriormente começou uma estreita amizade com Alfred Stieglitz, também fotógrafo e pioneiro na introdução da arte moderna nos Estados Unidos.

Strand conseguiu fundir estas duas poderosas influências, o social e a arte moderna. A partir de então, explorou o potencial da fotografia como instrumento de superação da visão humana através de retratos íntimos e detalhados, e da captação de matizes em formas mecânicas e naturais. Desde a década de 1930, nas suas diversas viagens ao sudoeste dos Estados Unidos, Canadá e México, desenvolveu projectos centrados em comunidades específicas, estudos de povos através de suas pessoas e dos elementos culturais que os identificam. Strand continuou a desenvolver este tipo de trabalhos baseados na viagem e no conhecimento que dela derivava durante o resto da sua carreira. O fotógrafo examinou as possibilidades da câmara mais a fundo do que qualquer outro artista antes de 1920.

Do pictorialismo à modernidade

(…) as primeiras obras de Strand, realizadas na década de 1910, e nas quais se aprecia o seu rápido domínio do estilo pictorialista predominante. (…)  a sua evolução em direcção às inovadoras fotografias de 1915-17, obras que exploram novas temáticas da paisagem urbana de Nova Iorque e ideias estéticas inovadoras que o aproximam da abstração. Estas novas orientações na fotografia de Strand evidenciam o seu crescente interesse tanto pela pintura contemporânea – especialmente pelo cubismo e pela obra dos artistas e fotógrafos americanos encabeçados por Alfred Stieglitz – como pelo descobrimento da fotografia como um meio essencial para dar expressão à modernidade.

A obra de Strand deste período também inclui cândidos e avassaladores retratos em primeiro plano de pessoas que observava na rua – os primeiros deste tipo -, bem como outras imagens que refletem o seu fascínio pelo ritmo de vida e pela mudança de escala na grande cidade moderna. Os retratos realizados nas ruas por Strand em 1916 são possivelmente tão inovadores como as suas experiências com a abstração. Nenhum fotógrafo antes de Strand havia tratado de transformar as pessoas comuns num tema tão monumental.

Do círculo de Stieglitz ao retrato da comunidade:

Durante os anos vinte – um período frequentemente denominado “a era das máquinas” -, Strand deixou-se cativar pela capacidade da fotografia de captar os fascinantes detalhes de peças mecânicas, ao mesmo tempo em que as suas ideias sobre a natureza do retrato começaram a se ampliar de um modo considerável. Estas novas e variadas inquietudes podem ser apreciadas na beleza sensual dos primeiros planos da sua esposa, e em inovadores e profundos estudos sobre a sua nova câmara cinematográfica. Strand estendeu estas ideias a uma série de fotografias realizadas em lugares fora de Nova Iorque, tais como o Maine, onde temas aparentemente comuns, como um tronco, uma pedra ou a simples vegetação, deram como resultado imagens surpreendentemente inovadoras.

Durante as décadas seguintes, Strand viajou incessantemente, motivado pelo seu interesse em ampliar o papel da fotografia. (…) a sua pesquisa sobre a capacidade da câmara de ilustrar a passagem do tempo e capturar as qualidades específicas de um lugar, como o Novo México, através dos seus edifícios abandonados. Além disso, contém a etapa na qual Strand viveu no México (1932-1934) e mostra a sua volta em direcção a um tema central: o retrato de indivíduos anónimos. Este período no exterior influenciou-o profundamente, intensificando o seu compromisso com a política de esquerda. Muitas das obras do momento mostram uma profunda empatia com o lugar e suas pessoas.

Além disso, nesta seção é apresentado um dos filmes mais significativos de Strand: Manhatta (1921), o primeiro que realiza, e uma importante colaboração com o pintor e fotógrafo Charles Sheeler. Considera-se este breve “documentário cénico” a primeira fita vanguardista norte-americana. Retrata a vibrante energia da cidade de Nova Iorque, onde ocorre a justaposição do drama humano das ruas com perspectivas tomadas a partir de altos edifícios que se tornam abstractas em vista de pássaro, e cenas do ferry e do porto, tudo isso acompanhado pela poesia de Walt Whitman.Nesta colaboração, a intenção dos fotógrafos foi aplicar os seus singulares conhecimentos, adquiridos graças às suas experiências com a imagem fixa, à imagem em movimento -com a finalidade de registar, através de uma selecção consciente e de preenchimento dos espaços, esses elementos que expressam o espírito de Nova Iorque, o seu poder, a sua beleza e o seu movimento.

Esboços da história e da modernidade

Na década de 1940, os livros seriam transformados na forma preferida de Strand para apresentar a sua obra, porque lhe permitiam combinar a capacidade expressiva da fotografia e a narrativa do cinema. O livro foi para Strand uma etapa que oferecia uma colaboração artística a escala muito menor que o cinema, mas que poderia chegar a um público igualmente amplo. Em cada um de seus foto-livros colaborava com um escritor que redigia ou editava os textos combinados com suas fotografias. Strand tinha expectativas muito altas com relação à reprodução das suas fotografias, e os livros eram publicados em pequenas edições a um custo muito alto.

(…)

Nas suas fotografias de Nova Inglaterra, Strand utiliza a história cultural do lugar para transmitir uma ideia do passado e do presente que sugerisse uma luta incessante em prol da democracia e da liberdade individual. Este trabalho, materializado na publicação de Time in New England [Tempo na Nova Inglaterra] reflecte o seu compromisso político e foi publicado em 1950, ano no qual Strand se muda para a França motivado pelo crescente sentimento anticomunista nos EUA Encontramos inquietudes similares em seu projeto realizado na França e publicado em
1952 em La France de profil [O perfil da França].

Em Luzzara (Itália) dirigiu a sua atenção às realidades quotidianas de um povo do norte que se recuperava das misérias da guerra e do fascismo. Este trabalho se concentra em imagens dos moradores locais e satisfaz a sua velha aspiração de criar uma importante obra de arte em torno a uma única comunidade. As fotografias deram lugar ao livro Un Paese: Portrait of an Italian Village [Um povoado: Retrato de um povoado italiano] (1955), acompanhado de um texto de Cesare Zavatini. Un Paese é, de um modo simples mas profundo, um livro sobre a vida quotidiana.

Em 1963, Strand viajou para Gana a convite de Kwame Nkrumah, primeiro presidente após o final do domínio britânico. Fascinado pela incipiente democracia do país, Strand estava entusiasmado com a oportunidade de fotografar um lugar que experimentava, a alta velocidade, uma relevante mudança política e grande modernização. Apreciava os esforços de uma nação de recente independência por traçar um futuro que convivia lado a lado com os aspectos tradicionais da cultura própria. Neste projeto, o retrato teve uma presença essencial. A suas fotografias do país foram publicadas em 1976 em Gana: An African Portrait [Gana: Um retrato africano].

Nos seus últimos anos, Strand passa cada vez mais tempo na sua casa de Orgeval, nos arredores de Paris, focando frequentemente a sua atenção nos inumeráveis descobrimentos que fazia dentro do seu próprio jardim e que, em muitas ocasiões, são um reflexo de sua obra anterior.

Tal e com referi no início deste artigo, deico a seguir um video de Ted Forbes sobre Paul Strand:

Rui Campos

Margareth Bourke-White:


1904 Bronx, Nova Iorque
1971 Stanford, Conneticut

A obra de Margareth Bourke-White tornou-se simbólica no fotojornalismo americano de tendência politica e social.

Interessada, sobretudo na fotografia Industrial desde 1928, recebeu o seu primeiro grande trabalho da revista Fortune, em 1930. Viajou até à União Soviética onde se tornou a primeira repórter estrangeira a ter autorização para fotografar as instalações Industriais Soviéticas.

Retrato de Margareth Bourke-White, por 
Thomas J. Abercrombie, em 1952


Margareth Bourke-White foi um dos membros fundadores da revista Life em 1936. Tornou-se assim na primeira fotojornalista feminina da História. A sua fotografia da barragem de Fort Peck foi usada como capa. Esta mesma capa tornou-se um ícone do industrialismo dos anos 30 do século passado.


Durante a Segunda Guerra Mundial, Margareth Bourke-White trabalhou como correspondente fotográfica de guerra, tornando-se assim também na primeira mulher de sempre a trabalhar como correspondente em zonas de combate. Foi diversas vezes apanhada debaixo de fogo em combates extremamente violentos. Após a capitulação da Alemanha, as suas fotografias chocantes da libertação de campos de concentração atraíram a atenção de todo o Mundo.


Capa da Life Magazine, em Novembro de 1933.

Em 1946 viajou até à Índia incumbida pela Life de documentar a luta desse país pela liberdade. Na fotografia de Gandhi realçou a Roça, o símbolo da independência daquele país, colocando a de forma dominante no primeiro plano.

Ghandi, três horas antes de ser assassinado, por Margareth-Bourke-White. 1946

No final de 1949, a revista Life enviou Margareth Bourke-White em trabalho para a África do Sul durante alguns meses. Aí, numa mina de Ouro perto de Joanesburgo, a uma profundidade de quase 1500 metros e sob calor intenso, fez uma fotografia a dois mineiros negros encharcados em suor. Ela própria declarou que esta fotografia era uma das suas preferidas.

Mineiros, África do Sul. Por Margareth Bourke-White, 1946

O seu pai Joseph White, era Engenheiro e inventor, e foi uma influência importante para o trabalho fotográfico de Margareth. Era fotógrafo amador e por isso a casa de Margareth estava cheia de fotografias. A fotógrafa usava uma caixa de charutos para fazer de conta que era uma câmara e andava pela casa a fazer de conta que fotografava. Também ajudava o seu pai no laboratório, com as revelações e ampliações que faziam no quarto de banho da sua casa.

Entrou para a Universidade de Michigan em 1921. Enquanto caloira começou a fazer fotografias para o livro do ano. Mais tarde foi-lhe oferecido o lugar de editora de fotografia no Jornal da Universidade. Bourke-White frequentou durante a sua vida académica 7 universidades. Em Columbia frequentou um curso de fotografia de uma semana com uma câmara de $20 que tinha a lente partida. Terminou os seus estudos em 1927 na Universidade de Cornell.

Mudou-se para Cleveland. Vivia num T0 onde tinha um estúdio. Também tinha consigo um portefólio carregado de fotografias de arquitectura que construiu durante a sua estadia na universidade de Cornell. O seu primeiro trabalho foi como fotógrafa Industrial na Siderurgia Otis. O seu trabalho teve sucesso e por isso Henry Luce ofereceu-lhe o primeiro trabalho numa revista, na primavera de 1929. Tornou-se assim membro da equipa da revista Fortune, que lhe tinha prometido usar o seu trabalho acerca da siderurgia Otis. O seu primeiro trabalho na Fortune foi fotografar porcos numa industria transformadora chamada Swift &Co. Trabalhou lá até adoecer e entregou o seu equipamento para que fosse destruído pelo fogo. Este episódio da sua vida foi um passo em frente para o desenvolvimento dos seus foto ensaios.

Em 1931 regressou à Rússia, convidada pelo governo russo de então. Só que desta vez centrou-se nas pessoas e não na Indústria. Disse então que durante o resto da sua vida apenas iria aceitar aqueles trabalhos fotográficos que sentisse que pudessem ser levados a cabo de uma forma criativa e construtiva.

Em Meados da década de 30, Margareth trabalho lado a lado com o escritor Erskine Caldwell a fim de documentar as populações rurais pobres do Sul dos EUA. Estas fotografias foram usadas no Livro You Have Seen Their Faces. Esta obra revelou as condições de vida no Sul durante a Grande Depressão.

Em 1941 regressou pela terceira vez à Rússia, enviada pela Life para fazer a cobertura dos acontecimentos da guerra naquele país. Foi a única fotógrafa estrangeira presente quando o Exército alemão invadiu a Rússia.

Recrutamento de Mineiros em Pondo, Margareth Bourke-White, África do Sul, 1946

Em 1945 atravessou a Alemanha a fim de fotografar o rescaldo dos campos de concentração Nazis. Nesta época afirmou:

Usar a Câmara era quase um alívio. Era uma ligeira barreira entre mim e o horror que se prostrava á minha frente.

Em 1946 foi enviada para o Paquistão e para a Índia a fim de fazer a cobertura de países emergentes. Aí fez muitas fotografias a Gandhi, inclusivamente aquela em que o Lider indiano está sentado em frente à sua roca. Gandhi impunha sempre duas condições para ser fotografado: nunca falar com ele e nunca usar luz artificial. Ainda assim, Margareth Bourke-White convenceu-o a usar 3 lâmpadas porque estava muito escuro. Três horas depois desta sessão fotografica, Gandhi era assassinado por um extremista hindu. Margareth Bourke-White tornou-se assim uma das últimas pessoas a fotografar Gandhi com vida.

Depois de 1957, Margareth Bourke-White não podia continuar com o seu trabalho para a Life devido às condicionantes impostas pela Doença de Parkinson.

Faleceu em 1971.

Deixo-vos em baixo um filme da autoria de Lawrence Schiller, com Farrah Fawcett no papel da Fotógrafa e fotojornalista que versa acerca da sua história. Espero que gostem. 

Rui Campos

La Línea de La Sombra

Hoje os meus leitores têm sorte, porque publico dois artigos, em vez de um. Vou começar a apresentar mais trabalhos de fotógrafos espanhóis e portugueses por motivos que perceberão em meados do próximo ano. Este documentário que passa na TVE2 mais logo, é acerca de um fotógrafo incontornável de Espanha bem como detodos os amantes desta forma de expressão. 

O programa Imprescindibles, na TVE2, (televisão espanhola) passa esta noite às 21h30m (20h30m em Portugal) o documentário “la línea de Sombra“, sobre o trabalho do fotógrafo Alberto García-Alix. É um documentario da Morelli Producciones e um testemunho direto das luzes e sombras que o fotógrafo teve que percorrer para encontrar o seu caminho.

O diretor do documentário, Nicolás Combarro, foi o curador de García-Alix em alguns dos seus projetos durante 15 anos. teve por isso, uma proximidade privilegiada que lhe permitiu gerar um diálogo direto e sincero sobre algumas das partes mais complexas da biografia do artista.

O documentário é narrado a partir da intimidade do estúdio do fotógrafo e mostra uma jornada entre o passado e o presente da sua vida e obra. Como assinala Nicolás Combarro,

“a trajetória artística e vital de García-Alix permite-nos traçar uma parábola de um momento social e artístico em Espanha, sempre complexo de abordar. Os anos que trabalhei com ele permitiram-me olhar de maneira privilegiada e assim entender a sua arte a partir de dentro. 

García-Alix é um grande contador de histórias e, com as suas imagens e a sua biografia, mostra uma história de sobrevivência, superação e luz diante das sombras.

Neste documentário, através de imagens a preto e branco, acompanha o artista desde a intelligentsia underground dos anos 70, passando pelos anos da Movida Madrileña, até a maturidade artística e até ao reconhecimento internacional.

Transcrevi esta biografia do fotógrafo do site “España es Cultura

Nasceu em León, em 1956. 

A sua trajectória foi reconhecida com imensos galardões, designadamente o Prémio Nacional de Fotografia, em 1999. Esteve muito ligado à “Movida Madrilenã”, da qual deixou imensas imagens acerca de jovens deste movimento cultural. A sua especialidade são os retratos a monocromático. 

Começou uma carreira ligada à imagem na Faculdade de Ciências da Informação da Universidade Complutense de Madrid, mas abondonou o curso por o considerar excessivamente teórico. Foi um autodidata. trabalhou no mundo do cinema, antes de se virar para a fotografia de ter passado a colaborar com diferentes meios de comunicação, como o jornal El País. 

Realizou a sua primeira exposição individual em Madrir, na galeria Moriarty, com a qual conseguiu participar em muitas mostras. É considerado um “fotógrafo Duro”, especialista em retratos. Osecado em perseguir a realidade, a simplicidade e de recorrer a planos formais muito directos. Não lhe agrada a sofisticação nem os “truques” do pós-produção. É obsessivo com a pureza da revelação a preto e Branco.

Deixo-vos aqui uma entrevista gravada que ele deu em Janeiro deste ano. 

Rui Campos

“The World’s Most Photographed”

Este é no meu entender um dos mais relevantes trabalhos acerca de fotografia que foi feito nos últimos anos. A BBC tem-nos vindo a habituar com séries de grande qualidade e que versam acerca da fotografia. Desta vez, em associação com a National Portrait Gallery, produziu uma série de dez episódios acerca de famosos e das suas relações com a fotografia, os fotógrafos e da sua consciência de como esta disciplina pôde exercer um papel fundamental na manipulação da opinião das massas.
Deixo-vos a seguir uma pequena contextualização acerca deste documentário que extraí da página da National Portrai Gallery. Este documentário tem também uma exposição a decorrer em simultâneo com essas mesmas imagens e um catálogo. 

A exposição mais The World’s Mos Photographed acompanha uma importante série de dez episódios da BBC TWO. Teve início na quarta-feira, 6 de julho, às 19h30, e decorrerá no mesmo horário de cada quarta-feira subsequente.

Pela primeira vez, a National Portrait Gallery e a BBC apresentam uma exposição e uma série que foram desenvolvidas em conjunto pelas duas organizações. É um projeto integrado que consiste numa exposição de cerca de 100 fotografias e uma série da BBC Two que explora as vidas e lendas de dez figuras bem conhecidas da história – Muhammad Ali, James Dean, Mahatma Gandhi, Greta Garbo e Audrey Hepburn. , Adolf Hitler, John F. Kennedy, Marilyn Monroe, Elvis Presley e Rainha Victoria. Desenterrando fotografias que anteriormente foram perdidas, suprimidas e escondidas, juntamente com imagens mais familiares, a exposição e série exploram a natureza da celebridade e iconografia, indo além da imagem pública, muitas vezes cuidadosamente construída, para revelar muito mais sobre as suas personalidades e respectivas vidas.

Publicação tem o preço especial de £ 20 (o preço publicado era de £ 25) Com mais de 180 fotografias impressionantes de Elvis Presley e Greta Garbo para James Dean e Muhammad Ali – este livro fascinante é um companheiro em profundidade para a exposição popular da Galeria e a atual BBC TWO. O texto acessível de Robin Muir, explora as questões mais amplas de fama e representação, indo além da imagem pública, muitas vezes cuidadosamente construída, para revelar muito mais sobre essas personalidades de alto nível e suas vidas notáveis.

Os destaques incluem:

  • Muhammad Ali –  As fotografias notáveis ​​que ficaram escondidas numa gaveta durante 25 anos; 

Este episódio não tem sinopse disponível no site da BBC Two.

  • James Dean – Uma extraordinária série de fotografias macabras, inéditas há mais de 30 anos;

Sinopse do Eposódio:
“In just three films and a career spanning 18 short months, James Dean captured the imagination of a new generation, hungry for a different kind of Hollywood hero – sensitive, spontaneous, unconventional and sexually ambiguous. His sudden, violent death in a car crash aged just 24 guaranteed him the immortality he craved and fixed his image as the beautiful rebellious youth in the public’s mind forever.

One photoshoot, just seven months before his death, managed to capture the essence of the troubled, enigmatic Dean like no other. In February 1955, photographer Dennis Stock was given unique access to the new star, travelling with him to his home town in Indiana, then on to New York and LA. Their intimate collaboration would result in some of the most revealing, enduring and disturbing images of Dean ever taken. This film tells the story of the extraordinary shoot that would become his epitaph.”

  • Greta Garbo – Ela realmente “queria ficar sozinha”? Imagens de uma estrela que se afastou da ribalta;

Sinopse do Episódio:
Greta Garbo was one of the most mysterious and secretive film stars of the 20th century – she cast a spell over Hollywood in the 1920s and 30s with her exotic looks and hypnotic presence. She was ferociously protective of her private life and detested being photographed off the movie set.

With her last screen appearance in 1941, she spent the next 50 years playing a game of cat and mouse with photographers. But the more she tried to hide from the camera, the more aggressively she was hunted down. One photographer stalked her around New York for the last ten years of her life – many of these photographs are revealed here for the first time.

Greta Garbo’s life became a nightmare – a disturbing parable of the 20th-century obsession with celebrity.

  • Audrey Hepburn – Como as privações da sua infância devastada pela guerra moldaram sua carreira como atriz e a preparou para um papel de grande alcance na UNICEF;:

Sinopse do Episódio:
“Throughout the 1950s and 60s, images of Audrey Hepburn dazzled the world.

More than just a Hollywood movie star, she was also a new kind of fashion icon. Her waif-like figure redefined Hollywood standards of beauty. But few people knew she owed her slender physique to the long-term effects of wartime starvation. Growing up under German occupation in Holland, Hepburn had a traumatic childhood scarred by fear, malnutrition and the emotional distress of her father walking out of the family home.

Throughout her career her enigmatic smile inspired some of the most famous photographers in the world. But this film reveals that painful memories of terror and loss were never far from the surface.”

  • Marilyn Monroe –  Como a primeira deusa americana usou a fotografia para criar um fenómeno, como uma única imagem ameaçava destruí-la e como, num dia, em Nova Iorque, ela se mostrou mais feliz;

Sinopse do Episódio:
“Marilyn Monroe is known primarily as a movie star, but she always preferred being photographed. Faced with the pressure and chaos of the film set, she was often anxious and full of self-doubt. One-on-one with a photographer, she felt at ease and in control.

Whenever the pressures of Hollywood threatened to overwhelm her, she always turned to photographers for the reassurance and intimacy she craved.

This programme explores the ways in which Marilyn Monroe used photography to gain a sense of control over her life, as well as to further her career.”

Não sei durante quanto tempo, mas podem assistir ao episódio que fala de marylin Monroe aqui:

  • Elvis Presley– Como um estudante superou o gerente controlador do King, conquistou a imprensa mundial e vendeu as fotografias exclusivas de Elvis na cantina da escola;

Este episódio não tem sinopse disponível no site da BBC Two.

  • Rainha Vitória – Como a fotografia desempenhou um papel vital na definição da sua soberania e na defesa contra uma crescente onda de republicanismo; como restabeleceu a sua supremacia depois de uma década de reclusão; e como ela preservou a memória do príncipe Albert nos anos após sua morte;

Este episódio não tem sinopse disponível no site da BBC Two, mas está disponível no Youtube, não sei é durante quanto tempo. Ainda assim, deixo-vos aqui o link. 

  • Mahatma Gandhi – Como ele manipulou sua aparência para unir a sua nação, como ele usou a fotografia para desafiar e minar o Império Britânico e criar uma nova identidade para a Índia;

Sinopse do Episódio:
Mahatma Gandhi, the man who brought the British Empire to its knees, was a master of media manipulation. For a non-violent campaigner who employed protest, prayer and fasting, the photograph was one of the mightiest weapons in the fight to liberate India.


In April 1930, the world held its breath as an old man, dressed only in a loin cloth, bent down at the shore of the Arabian Sea to pick up a handful of salt, thereby breaking the law. Photographers from around the world captured this small act of protest, and it was these photographs that shook the foundations of the empire.

We trace the unknown history of Gandhi’s life in front of the camera, from an 18-year-old dandy in London and his rapport with Life magazine photographer Margaret Bourke White, to Cartier-Bresson’s haunting images of the millions that mourned at the funeral of the Father of the Nation.

  • Adolf Hitler – Como o ditador nazis inicialmente desconfiava da fotografia, mas depois a passou a entender e utilizar o seu poder para projetar a imagem de um líder poderoso e promover os seus terríveis planos para dominar o Mundo;

Sinopse do episódio:
“Adolf Hitler, the first state leader to have a totally manufactured image, used photography to hypnotise and corrupt a nation. In the 1930s, the photographer Heinrich Hoffmann transformed the young camera-shy politician into a figure of absolute power, helping to mastermind one of the most successful campaigns of mass manipulation in history.

Previously unseen private images of Hitler have been unearthed, taken by the photographers closest to him, including his mistress Eva Braun and his favourite photographer Walter Frentz – the man who had the opportunity to assassinate Hitler in 1944 but chose not to.”

  • John F Kennedy – Como, num novo amanhecer para a América, a fotografia criou e sustentou os mitos de ‘Camelot’ e ocultou as fragilidades e infidelidades do presidente;

Sinopse do Episódio:
“John F Kennedy was one of the most popular presidents of the United States of America. At the core of his appeal was his image; Kennedy was highly photogenic. He also understood the power of the photograph and exploited it more effectively than any other politician before him.

Kennedy was a totally new kind of president – glamorous and informal, a patriot with a glittering war record and a loving father and husband. But while he seemed to be exposing his whole life to the camera, he was in fact concealing two secrets – secrets so explosive they had the power to destroy his presidency. This film explores the way that Kennedy used photography to help to promote an image that was at odds with his frail state of health and his compulsive promiscuity.”

A exposição tem a curadoria de Robin Muir, curador e escritor de fotografia, e ex-editor de imagem da revista Vogue britânica e da revista Sunday Telegraph.

Rui Campos