Revista CôaVisão nº 20.

Publiquei no nº 20 da Revista Côavisão (ano 2018) um portefólio fotográfico, o qual apresentei com o texto a seguir:

“Muito já se escreveu acerca de Foz Côa. E muitas pessoas, muito mais capazes e qualificadas do que eu para o fazer em todas as áreas. Por isso, nada daquilo que eu pudesse escrever aqui a esse respeito iria beneficiar ou enriquecer esta publicação.

Com a licença dos senhores Leitores, escuso-me a falar de mim e da minha relação acerca da Fotografia, e como tudo começou. É um Romance e este espaço não é de literatura.

Mas foi a fotografia que me trouxe a estas páginas. O #ProjectoReferentes e o reconhecimento pelo seu valor e pelo seu potencial papel no desenvolvimento deste concelho, a par da qualidade que é atribuída ao meu trabalho (também fotográfico) foi o que me parece ter motivado o convite para estar aqui hoje a dirigir-me a quem quer que leia este número da revista Coavisão. Por isso desejo cingir-me exclusivamente à temática da fotografia, e a ela deixar o papel de mensageira da minha visão. É este o propósito que, a meu ver, a fotografia deve servir na minha vida.

Este portefólio eu pretendo que seja Foz Côa. A Cidade, o Concelho, as pessoas que o habitam e também as pessoas que estão ligadas a “Foz Côa” por qualquer tipo de laço. Que tenham qualquer tipo de afinidade para com qualquer que seja a definição que, neste contexto, se possa atribuir ao termo “Foz Côa”.

Este portefólio é apresentado metade a monocromático e metade a cores. Isto não se deve fazer. Mas eu quero ir por esse caminho, também porque “não se deve” e “não se pode” são coisas diferentes. Aquilo que a meu ver não deve existir é a ausência de critério. E às vezes é importante justificar a escolha de critérios.

A cor proponho aquelas imagens que considero factores de atracção para o Concelho de Foz Côa, aquilo que podemos designar como potencialidades endógenas.

A monocromático está o factor humano. A Sociedade e os seus modos de vida resultam directamente do meio em que elas estão inseridas. Porém, esta mesma sociedade (não apenas Foz Côa, mas em termos civilizacionais), tantas e tantas vezes tem sido capaz de se prejudicar a ela mesma. Daí estarem a monocromático. Pretendo que a ausência de cor aqui simbolize a incerteza num futuro que, depois de aparentemente garantido pelo potencial endógeno, deve o sucesso única e exclusivamente à acção humana.

 
Estaremos nós cientes de que pela primeira vez evoluímos a tal velocidade que conseguimos viver no futuro? Estaremos preparados para os novos paradigmas que se substituem à mesma velocidade com que as tecnologias teimam em atirar-nos para a condição de obsoletos de carne e osso? De que forma “Foz Côa” pode sobreviver a estes desafios?”

Rui Campos.

Brigitte von Humboldt

A Brigitte é uma doce e talentosa pintora que tive o privilégio de conhecer no ano passado, no Simpósio Internacional de Arte Contemporânea da Guarda (SIAC #3). Deixo-vos aqui este retrato que lhe fiz em vila Soeiro.

Cenas Informais, Memórias Vivas

Conservo sempre imagens destas, cenas informais de acontecimentos. Neste caso, tinha estado a fotografar as pinturas e gravuras produzidas durante o SIAC #3 para o catálogo. O Sr. Zé e o Sérgio foram mais uma vez fundamentais em todo o apoio que me deram na produção deste trabalho. São estas pessoas, tantas vezes ignoradas, tantas vezes na sombra que tornam possíveis uma imensidão de coisas. Por vezes até impossíveis, porque na boca de muitos, tudo é problema, tudo é questiúncula, tudo é pretexto para nada se fazer. Mas depois existem estes homens, que do alto se estão nas tintas para contos e ditos e apoiam, ajudam, estão permanentemente do lado das soluções e é graças a estes que tudo acontece.

Eu faço questão de conservar uma imensidão de imagens destas . São cenas informais, mas são memórias vivas. Memórias daquelas que não me permitem esquecer, antes me lembram sempre de que nas mais pequenas coisas está a grande relevância.

Grato vos estou, sempre.

Rui Campos

Fine Art Prints – “Illusion”

Tinha guardada para o meu querido amigo Nuno Rodrigues da Silva a impressão nº 1 da fotografia “Illusion“. Trata-se de uma imagem que fiz com ele numa tarde fotográfica à “nossa cidade. Este trabalho é uma ilusão de óptica que registei no Teatro Municipal da Guarda.

E porque ele estava presente no dia em que a fiz, faço questão de que ele receba a primeira de 10 impressões Fine Art únicas que farei alguma vez desta imagem.

Hoje tratei do certificado de autenticidade, o qual lhe farei chegar na primeira oportunidade.

Parece que a moda de adquirir impressões fine art de fotografia está a pegar. Grato a todos os que apreciam o meu trabalho e colaboram para o ter nas paredes das suas casas.

Rui Campos

Postais da Guarda – Lançados mais 6 postais

A colecção de postais “G” de “Guarda” foi ontem aumentada com o lançamento de mais uma série. São 6 postais exclusivos da Sé. Uma dos postais é uma vista exterior, outro, uma imagem do retábulo, uma imagem da Nave principal e os três restantes são imagens de tectos da Sé.

Estão à Venda na Sé e no Guarda Welcome Center. Daqui a uns dias informo acerca de outros pontos de vendas.

A colecção passa a ter agora 12 postais, mas vai aumentar em breve. Pode ver os 6 restantes aqui:

Podem também encomendar os postais directamente aqui, no formulário ao fundo. Os quais terão um acréscimo de 1,20€ para despesas de expedição para território nacional. Para tal, basta preencher o formulário de contacto, em baixo.

Rui Campos

1056,3 | In-Fólio do Museu da Guarda | 2018

Apresentou-se ontem à comunidade o 1056,3 | Infólio do Museu da Guarda, no Museu da cidade pelo Ex.mo senhor Director do Museu, o Professor, João Mendes Rosa e pelo Professor Victor Amaral, Vereador da cultura da Cãmara da Guarda, que tutela o Museu.

Este ano, o In-Fólio traz um artigo meu, intitulado “A dialética da Fotografia”. Faço a introdução ao artigo da seguinte forma:

“O presente texto assenta numa palestra proferida na Midland Group Gallery em Agosto de 1977. Quis recorrer ao Realismo porque me parece mais linear e, em simultâneo, aparentemente antagónico, porque existem um conjunto de outros factores que influenciam tanto aquilo que, supostamente, seria a simples função da fotografia como representação da realidade. Oportunamente, irei desenvolver este artigo porque me parece pertinente aprofundar, além da questão da dialécica, as questões que têm que ver com a contextualização e com a justificação destas opiniões. Infelizmente, há sempre dificuldades de espaço quando se escreve para publicações e a necessidade de se ser sucinto impera.

Redigir um texto desta natureza, a dois, é também um desafio e a prova de que a arte também precisa de se contradizer a ela própria. Não foi porém escolhido um qualquer técnico ou profissional de uma qualquer área, mas sim uma pessoa ligada à literatura, o poeta Jorge Velhote. E a escolha não foi de nenhum dos autores, foi antes um desafio para que duas pessoas que desconhecem amplamente o trabalho de cada uma se desafiem num espaço discursivo e a partir dele manifestem as suas opiniões que, concordantes ou discordantes, sejam sempre enriquecedoras. Porque me parece que este é de facto o único caminho lógico e óbvio para as artes. Coube-me a mim começar, dando o mote e lançando o desafio da temática. Cabe ao Jorge, a seguir, “entrar no texto” e fazer a sua intervenção. O “sorteio” ditou assim. É opção minha não voltar a este texto, antes de estar publicado. Gosto de surpresas.

Rui Campos

O artigo faz um périplo por considerações da Fotógrafa Berenice Abbot, pelo professor Jonh Tagg e por Max Raphael, historiador de Arte. Apresentaas reflexões destes autores acerca da forma como o fotógrafo inevitavelmente influencia a forma como a imagem é feita e de como a avaliação do trabalho fotográfico não se faz pela mera comparação do assunto.

Partindo destes pressupostos, apresentados pelos autores referidos, o artigo faz uma caracterização do contexto actual da fotografia e termina com a apresentação de um desafio, propondo um reajustar da dialéctica actual da fotografia como uma oportunidade para museus, cada vez mais virados para o exterior e para a interacção com as comunidades, como uma opotunidade que deve ser tida em conta, quer pela apetência que a fotografia tem junto das comunidades, quer pelo papel educativo que os museus desempenham, quer pela facilidade de, por via da fotografia estes se poderem projectar globalmente e sem grandes dificuldades além da vontade de concretizar.

Apfresento ainda no texto algumas imagens da minha autoria, as quais explico, à luz dos enunciados, procurando assim também explicar de que forma eu idealizo as abordagens para o meu trabalho a nível pessoal.

Ainda não li a segunda parte do artigo, a que foi redigida pelo meu querido Jorge Velhote. Não li por opção minha, pois escolhi não ler ntes de a “resposta” dele estar publicada.

Apesar de a proposta de redigir um texto a dois não ter sido minha, antes um desafio que nos foi feito pelo Professor João Mendes Rosa, foi inefitável pensar em Rosalind Krauss e nos seus Espaços Discursivos da Fotografia. Pareceu-me um desafio excelente, este de termos dois autores, de sensibilidades diferentes, oriundos de realidades e com especializações distintas a produzir enunciados acerca de um assunto que lhes é comum comum. Segundo a autora (Krauss), é por via da criação de Espaços Discursivos distintos e pela sua proposição com outros autores que se gera o crescimento. E por isso mesmo, para que a questão passe a ser de inevitável discussão e para que esta seja feita à moda antiga, sem “volta atrás”, escolhi não ler a resposta do querido Jorge antes de esta estar publicada.

Espero ter algum tempo este fim de semana para lhe dedicar a atenção devida e dar então feedback ao Jorge.

O Infólio traz ainda artigos de cariz científico de ilustres guardenses. Fica por isso aqui o convite para a sua aquisição, no Museu da Guarda.

Rui Campos

Postais de Foz Côa

Ontem um restaurante de Foz Côa adquiriu uma colecção de 12 postais em exclusivo. Isto significa que estes postais vão ser vendidos em exclusivo no seu restaurante. Não é por ter sido eu a vender os ditos, mas parece-me uma belíssima forma de oferecer uma serviço diferente, dando em simultâneo a conhecer o Concelho de Foz Côa.

6 postais da colecção entram em circulação já no dia 21. Os que descobrirem qual é o Restaurante que vai ter estes postais, preparem-se para jantar fora nesse dia. Os 10 primeiros jantares do dia 21 ganham uma colecção grátis.

Deixo aqui para ver se gostam.

03 – Pedra da Cabeleira, aldeia de Chãs, relacionada com o culto ancestral do Sol.
05 – Alto Douro Vinhateiro, Património da UNESCO, a partir da Aldeia de Seixas do Douro
07 – Sítio Arqueológico da Canada do Inferno
09 – Navios-cruzeiro cruzam-se no Douro, perto do Museu do Côa
12 – Navio-Hotel no rio Douro, ao amanhecer
14 – Visita Nocturna ao Sítio Arqueológico da Penascosa

Rui Campos

Arijel Štrukelj


Arijel Štrukelj , Vila Nova de Foz Côa, Portugal, June 2018


(PT)
Fiz este retrato do escultor Arijel Štrukelj em Vila Nova de Foz Côa, durante uma visita nocturna ao Núcleo da Pensacosa, do Parque Arqueológico do Vale do Côa, integrada na terceira edição do Simpósio Internacional de Arte Contemporânea da Guarda.

(ENG)
I made this portrait of the sculptor Arijel Štrukelj in Vila Nova de Foz Côa, Portugal, during a nocturnal visit to the Pensacosa site, from the Archaeological Park of the Côa Valley, integrated in the third edition of the International Symposium of Contemporary Art of Guarda (SIAC3).

Rui Campos

Postais da Guarda – Série “G” de “Guarda”

Saiu na semana passada a primeira série da minha colecção de Postais “G” de “Guarda”. É uma colecção que tem previstos até agora 24 postais que serão vendidos em séries de 6 postais e ao preço de 5 euros cada série. Deixo-vos em baixo as imagens dos postais da série:

No próximo dia 19 vai ser lançada uma nova série, dedicada exclusivamente ao mais grandioso monumento da cidade, a Sé Catedral. 

Espero que vos agrade um postal da cidade, como lembrança de Natal. 

Podem encontrar os postais à venda na Leonidas e na Orquídea, na Praça Velha, e na Sé. 

Podem também encomendar os postais directamente aqui, os quais terão um acréscimo de 1,20€ para despesas de expedição para território nacional. Para tal, basta preencher o formulário de contacto, em baixo.

Rui Campos

Formulário de Encomenda:

Primeiro e último
Para envio de IBAN para transferência

As Influências na fotografia:

Em fotografia fala-se de influências. Apresenta-se um qualquer portefólio, um qualquer conjunto de imagens a escrutínio e existe logo alguém a falar em que há ali influências. Apresenta-se um qualquer portefólio de fotografia e fala-se em influências… Umas vezes esta enumeração fica-se por aqui, orfã de pai e mãe, e outras vezes referem-se alguns nomes. A mim, quando alguém me define uma pessoa que tem valor, e normalmente se refere à influência dessa pessoa (o pai, por exemplo), enumeram-se algumas características dessa pessoa (o pai, neste exemplo) e explica-se que género de pessoa era essa influência colocando-se a ênfase precisamente nos capítulos que mais se admiravam nessa influência. 

Em fotografia não parece ser esse o caso. Farto-me de ler biografias de fotógrafos e poucos são aqueles que frontalmente revelam as suas influências. Depois vou ver os trabalhos desses mesmos fotógrafos e vejo lá, mais do que influências, perfeitas imitações. Vi imensas há poucos dias. Mas estes fotógrafos não referem nunca as suas influências nos textos que produzem, há-os inclusivamente que não produzem sequer textos, contratam alguém que os produza por eles. 

E eu continuo sem conseguir perceber como é que o acto íntimo de fotografar é possível de ser verbalizado por uma terceira pessoa… E continuo sem conseguir perceber como é que um fotógrafo que jamais assumiu num texto seu uma influência, uma fonte de inspiração para o seu trabalho, fazendo inclusivamente questão de deixar claro que quando apresenta um trabalho é tudo seu, tudo genial, depois afirma, no mesmo espaço, que viu influências noutros.

Já em relação às influências, eu digo muitas vezes que prefiro ler aquilo que os grandes fotógrafos escreveram a ver as imagens que produziram (e notem que estou a falar no pretérito). Porque se me dedicar apenas a ver as imagens que eles produziram apenas as consigo entender no campo morfológico, e recorrer-se à fotografia para depois se viver uma existência a analisá-na unicamente do ponto de vista morfológico é a mesma coisa que dizer que um qualquer quadro tem uma predominância de azul; (a propósito, diz-se que isto, analisar imagem sob o ponto de vista morfológico, é escola europeia), é estar a viver uma aventura na fotografia que é no mínimo redutora. Redutora para ser simpático!

Eu, pela parte que a mim toca, não me custa nada honrar as influências que colho do meu trabalho. São pontos cardeais que tenho para mim, que me ajudam a perceber mais do que o campo morfológico, a entrar no campo semiótico,

Hoje andei pela rua e achei que era um belo dia para me inspirar no meu queridíssimo amigo e Mestre Rui Palha. O Rui aproveita como ninguém os contraluz da sua Lisboa que conhece como ninguém. Transforma as pessoas em silhuetas, vultos, cujas formas duplica, criando formas disformes. Recorre também muitas vezes a enquadramentos diagonais para forçar as perspectivas e acentuar a tensão na imagem, já de si grande pelo seu alto contrastado. O conjunto final é invariavelmente uma ode à vida da cidade, pessoas, azáfama, incógnitas e monocromatismos, cada um mergulhado no seu Mundo.  

Mestre Palha não me ensinou a fotografar assim, vi isso nele. Mestre Palha a mim, como já o escrevi tantes vezes, não me ensinou nada de técnica fotográfica. Mestre Palha ensinou-me a forma como está na fotografia, como devolve às pessoas depois de lhes arrancar formas para as suas imagens. Mestre Palha ensinou-me o valor de ter sempre tempo disponível para as pessoas que outrora fotografámos. Mestre Palha ensinou-me que se esforça por conhecer todas e cada uma destas pessoas e também alguns aspectos das suas vidas. E muito provavelmente é por isso que Mestre Palha despersonifica as suas imagens, fazendo dos seres que nelas intervêm quase espectros. É a sua grandiosa dimensão humana que faz isso. A forma como ele fotografa, eu aprendi a ver as imagens dele.

E pergunto: 
Um fotógrafo que tenha um mínimo de brio naquilo que faz, fica-se por ver e imitar aquilo que os outros fazem, ou procura entender os porquê?

Que valor tem para um qualquer fotógrafo, quer este assista a uma qualquer palestra, quer ele seja orador numa qualquer palestra, nomear nomes que tira de uma cartola?

Se calhar, se estas pessoas se ficassem apenas por um nome e explicassem o que esse nome escreveu acerca da sua forma de estar na vida e de como isso se traduz na sua forma de recolher imagens dava-se um contributo mais importante para estas celebrações da fotografia…

Não sei, o que é que acham? A mim parece-me sensato!

Rui Palha, na Mouraria, algures em 2016. Fotografia de Rui Campos.

A ti, Mestre Palha, te deixo aqui mais uma homenagem. Nunca são demais, não deixarei de voltar a ti de forma cíclica. Hoje inspiro-me,  imito o teu trabalho, saio da minha forma de fotografar e invado graciosamente a tua. Mas não me envergonho de o assumir. É para mim uma grande honra invadir muy humildemente o teu espaço e referir isso mesmo. 

Grato te estou por tudo. Grato estou a todos os grandes fotógrafos que sabem escrever, pela oportunidade que me deram de os ler, de vos aprender. Foi nas vossas escritas que entendi os vossos trabalhos, não foi nas vossas imagens.

Dizer que fui a um qualquer lugar fotografar cabras, como se tivesse sido o primeiro a lá ter ido… isso não é ser-se fotógrafo. É outra coisa que por aqui não irei referir.  Não, eu não tenho vergonha nenhuma de dizer que o meu trabalho é influenciado por outros, de os referir e muito menos de explicar em que medida há pertinência nesses trabalhos. 

Rui Campos

Por Estes Dias Celebra-se a Fotografia.

“O problema para os fotógrafos na viragem do século XIX para o século XX foi que a fotografia básica tinha ficado tão fácil que não havia distinção nenhuma em ser fotógrafo. Então teria de se desenhar um novo sistema que separasse as ovelhas dos Deuses”

John Szarkowski
Director Emérito do Museu de Arte Moderna (MoMA)

Adolf Fassbender – Onward, 1937

Isto nunca me pareceu tão actual como agora. Acontece que agora toda a gente, de todas as camadas da sociedade insistem em fazer da fotografia Arte. E outros há que, ainda que não sejam credenciados, ainda que ninguém lhes tenha conferido o estatuto de Historiadores de Arte, ou sequer foram convencionados por uma comunidade que os aclame como especialistas, se atrevem a decretar do alto da sua cátedra que “isto é arte“.

Não, nem tudo é Arte. peço desculpa pela desilusão, mas nem tudo é arte, ainda que um académico qualquer diga isso lá do alto. 

A minha fotografia, como já o escrevi tantas vezes, não a vejo como arte. Assim, já para início de conversa, antes que venham por aí alguns com o previsível argumento de “tens a mania” e nada mais trazem que possa justificar uma conversa enriquecedora. 

É muito bom e desejável que se celebre a fotografia. É muito mau que qualquer pessoa, ainda que académica de uma determinada área que não as Artes, decrete que “isto é arte“. É bom que se recorra à fotografia no âmbito da investigação científica. É muito mau que depois, intencionalmente ou não, essas mesmas entidades se esqueçam dos propósitos e dos argumentos com que a ela recorreram e depois desejem fazer de um recurso, a fotografia, uma enorme celebração e, intencionalmente ou não, se esqueçam do argumento da investigação com que recorreram à fotografia para logo de seguida a colocar no capítulo da cultura e das Artes. Não que seja proibido, não se possa fazer, mas é no mínimo intelectualmente desonesto fazê-lo sem pelo menos o assumir objectivamente. Pior ainda, quando as pessoas envolvidas não são do campo das artes mas, e também de forma dissimulada, e também não sei se intencionalmente ou não, carreguem na sua chancelaria o Decreto que lhes dá o poder, o know how e a reserva e autoridade moral para decretar a Arte. 

Alfred Stieglitz deu em 1902, origem ao movimento photo-secessionista para romper como aquilo que ele próprio designava de “lixo comercial” e de “fotografia amadora sem qualquer sombra de arte” 

O Pictorialismo, como acabou por ficar conhecida uma das consequências do movimento fundado por Stieglitz, interveio no processo por via do recurso de técnicas específicas, como por exemplo, espalhar vaselina nas lentes, ou pela gravação directa no negativo. Isto eram técnicas que eram usadas com um propósito específico, o de retirar à fotografia todo o seu automatismo e transformá-la num processo mais manual, humanizado e aproximando-a por isso das artes.

Outros movimentos houve ao longo da história, todos eles igualmente válidos, e todos eles defendendo princípios e teorias de abordagem, abordagens estas que depois iriam referir a técnicas específicas, porém estas técnicas tinham o propósito de justificar e defender essas teorias, não o objectivo de produzir imagens avulsas e apenas porque sim.

Robert Demachy, Speed (1904)

Hoje assiste-se todos os dias a celebrações da fotografia, a declarações certificando que este ou aquele trabalho é Arte. Quem define isso é o Tempo, deixem-se de tretas.

Uma coisa é ver uma imagem de Yuri Beletsky e desejar aprender a técnica para imitar o efeito. Para isso lê-se uma explicação e adquire-se algum equipamento, depois gastam-se uns milhares de euros em viagens e vai-se a lugares distantes para se trazer coisas assim, como se vê na imagem a seguir.

Eu não tenho rigorosamente nada contra aqueles que acham ser este o caminho. Mas tenho tudo contra académicos que mais tarde vêm declarar isto, estas folhas soltas, rabiscos de caderno de apontamentos que são apenas úteis para se perceber limites e formas de os aplicar numa linguagem própria, Arte. E, claro está, há também alguns fotógrafos que fazem estas coisas, alguns até escrevem livros e tudo, que julgam que isto é Arte. Mas continuam a ser fotógrafos, não artistas, nem que eles próprios insistam nisso. 

Nenhum deles será artista enquanto, nenhum dos seus trabalhos será arte enquanto um historiador de Arte não analizar um conjunto de factores relacionados com a conjuntura, com o Contexto da obra e do seu autor e com a consequência dessa produção. Por isso, peço imensa desculpa pela desilusão, mas ter estrelas muito bonitinhas alinhadas em ciclos concêntricos em cima de uma paisagem remota jamais será considerado arte porque não há consciência de uma mudança, da criação de um novo paradigma, da criação de uma nova tendência e muito menos se está a criar absolutamente nenhuma nova dialética. Não é arte nem que a imagem tenha 10 “Gosto” (sim, dez) numa qualquer rede social ou plataforma. Está-se pura e simplesmente a fazer um registo recorrendo a um conjunto de técnicas que levam a esse resultado. Está-se pura e simplesmente a criar mais do mesmo

Yuri Beletsky, star trails, Agosto de 2016

Depois vai-se a sites de fotografia e tudo o que se encontra é igual, igual, igual, igual. parece que não, mas estes sites são mesmo aborrecidos, é mesmo tudo igual. Toda a gente fotografa da mesma forma. Por exemplo, quando se observam fotografias de retrato, a única diferença entre umas e outras reside nos modelos e nas poses.

Não há voz própria, apenas repetição infinita de técnicas e estilos que variam de forma cíclica à medida que alguém inventa uma técnica nova de photoshopar a imagem.

É tudo igual porque não se fotografa com o coração e o intelecto, não se encontra na fotografia uma voz, uma forma de expressão, de intervenção nas questões da actualidade. Fotografa-se com o caderno de apontamentos e com a vontade de conseguir fazer igual. Quão deprimente pode ser isto para um fotógrafo?

E voz própria, está onde?
E a defesa de uma proposição?
E o estabelecimento de uma premissa?
E a procura de um caminho novo, inovador?
E o conflito entre o artista e a sua própria circunstância que o impelem a procurar outros caminhos, a inovar?

Nada, nada disso existe.

Mas é tudo Arte. 

Normalmente tudo que se inova com estas abordagens é na construção de arte e imagem digital que depois insistentemente, e não sei porquê, porque eles próprios, os autores destes trabalhos, de seguida fazem questão de desvalorizar muitos bons trabalhos de arte digital ao procurar rotulá-la de… fotografia! Mas são inferiores, se afirmarem que “isto não é fotografia, mas sim arte digital“?

Que lógica é que isto tem?

Hoje não se celebra a fotografia. Hoje celebram-se interesses camuflados de fotografia e instrumentaliza-se a fotografia para alavancar outros interesses

Não basta ter um gabinete e um nome numa porta para decretar o que quer que seja em relação à fotografia. É preciso ir lá meter as mãos na farinha, amassar e esperar que o Tempo e os Historiadores de Arte declarem que existe pertinência nessas abordagens anos, décadas depois. No mínimo é preciso ser-se considerado pelos seus pares. 

Só assim se tem voz própria. E voz própria é coisa cada vez mais escassa… infelizmente não é apenas na fotografia. 

Porque é que acham que Van Gogh ainda não foi esquecido? Se calhar porque ele encontrou uma dialética diferente para o seu trabalho que ainda hoje continua a fazer sentido, ou porque ele andava a imitar técnicas? Se calhar é famoso por aquela coisa da orelha, querem ver?

Andar a imitar e esperar reconhecimento por isso… enfim… “de loucos todos temos um pouco“.

Celebre-se pois a fotografia!

Rui Campos. 

Parceria (altamente) Improvável

Sabem o que acontece quando se junta um fotógrafo português, uma câmara japonesa digital sem motor de autofoco e uma lente russa analógica de focagem manual, gerando um conjunto sem focagem nem qualquer tipo de indicação de fotometria (medição de luz) e cujos únicos ajustes são à antiga (velocidade de obturação no corpo e ajuste de abertura na lente)?

Digo-vos daqui a umas horas. 😉

Rui Campos

“Pê”

Andava eu a seleccionar imagens da Guarda para um trabalho que se pretende que seja uma colectânea fotográfica recente inédita da cidade, quando tropecei com este retrato que fiz do Pê. 

O Pê é agora mais conhecido por Pedro Figueiredo, o reconhecido (embora alguns tipos cá do burgo estejam apostados em lhe destruir o reconhecimento) escultor guardense que presenteou a cidade com a escultura do “Anjo da Guarda” e da escultura “Guarda no Coração“. “Pê” para os amigos que com ele cresceram. 

E para mim, um retrato deve ser isto, uma imagem que não apenas defina o estado de espírito do retratado, mas também o contexto e a circunstância em que ele foi feito. E eu acho que este retrato não envergonha o Pê. Por isso decidi fazer uma pausa, editar esta imagem e publicá-la para depois continuar então a seleccionar fotografias da cidade.

Pareceu-me um bom motivo para fazer uma pausa :).

Abraço, Pê.

Rui Campos 

Fine Art Prints – “frequencies”

(PT)
Vendidas que foram os dez exemplares de uma das imagens fine art do catálogo, é tempo de seleccionar uma outra para a substituir. E quis diversificar a oferta. Por isso entrei com uma opção mais abstracta. A escolha foi por “Frequencies“. Espero que a aceitação seja a mesma que as restantes têm tido. 🙂 

(ENG)
Once I sold  the ten prints at once of one of the catalog images, it is time to select another one. And I wanted to give it a more diversified offer. So I came in with a more abstract option. The choice was “Frequencies“. I hope the acceptance is the same as the others have had. 🙂

Fine Art Prints – “Zenning”

(PT)
Hoje, enquanto tratava das encomendas do cliente do outro lado do Atlântico, apareceu cá por casa o meu querido amigo Lopo. Sinceramente acho que se apaixonou pelos certificados de autenticidade e não pelas impressões Fine Art. E pronto, a única exigência que fez foi que queria um número 1 para ele. Tinha tinha o número 1 do “Zenning” guardado para uma outra pessoa, mas tive de ceder à pressão. 

E lá foi mais uma imagem para emoldurar, já com certificado de autenticidade e tudo. Amanhã é só entregar e ele até já sabe onde vai ficar. Segundo ele, prendas de Natal assim têm outro significado. E eu concordo. 

(ENG)
Today, while I was working on the image fine art prints I made to the other side of the ocean, I got a visitor here at home. It was my friend Lopo. I think he got in love with the Autenticity Certificate and not with the fine art prints. The only demand hem made was to get the number 1 of Zenning. I kept this one for anothe person, but I had to answer his demand.

So, I sold another one today. I already sent it for framing and already made the autenticity certificate. Tomorrow I will deliver it. According my firend Lopo, Christmas gifts like those ones have other meaning. I totally  agree, 🙂

Rui Campos.

Sold!

Ontem, uma empresa de arquitectura e decoração do outro lado do Atlântico comprou esta imagem. Sim, adquiriu todos os 10 exemplares que estavam disponíveis para impressão. Portanto, esta já saiu de linha 🙂

Rui Campos

Hoje apeteces-me

Hoje apeteces-me.

Apetece-me beber-te e assimilar-te para que passes para a minha alma e me habites de uma forma que seja só nossa, única e incomparável.

Rui Campos

About Beig Good at It…

The Hague
2012

“Read and write for about six hours a day. If you cannot find the time for that, you can´t expect to became a good writer.”

Søren Kierkegaard (1813-1855)

“Afixação proibida”

Às vezes acontece o inesperado.

Sais simplesmente para fazer alguma coisa, para não perder a mão. Depois, reúnem-se um conjunto de circunstâncias e aparece uma série. A esta chamei-lhe de “Afixação Proibida” e sinto-me um fora da lei. 😀

Rui Campos

Fotografar Peças para Leiloeiras:

Uma das coisas que faço bastante é fotografar peças para leiloeiras on e offline. E tenho feito (coincidência ou não) maioritariamente imagens de relojoaria e joalharia. Afinal, foi graças aos relógios que eu me dediquei à fotografia desde tenra idade. Não posso deixar de ver alguma ironia nisto. 

Fotografar objectos para leilões obedece a um conjunto de critérios muito específicos, os quais vou poupar aos leitores. Por princípio e não por imposição nunca revelo imagens que faço de trabalhos antes de passar algum tempo (meses, talvez anos) do trabalho efectuado. Estes relógios especificamente, fotografei em 2013. 

Agora estou a pensar fazer uma avaria com as imagens 😉

Rui Campos

“Umbrella”

Esta imagem também está disponível para impressão Fine Art, aqui:

Ontem tive duas horas bastante desagradáveis de chuva e frio enquanto fazia umas experiências com uma compacta numa caixa estanque. O resultado foi este. 

Hoje espero que chuva com mais intensidade do que ontem, para poder repetir a experiência. Peço desculpa aos habitantes da Guarda por estar a pedir chuva, mas está-me a fazer falta :D. 

Rui Campos

“Happy Loneliness”

(PT)

Hoje, como tem vindo a ser costume, apresento mais uma imagem para venda em impressão, limitada a 10 exemplares. Extraída do coração da Serra da Estrela, “Happy Loneliness”. 

Pode aceder a todas as imagens disponíveis no catálogo aqui

(ENG)

Today, as has been used for the last days, I present one more image for sale in print, limited to 10 copies. Extracted from the heart of Serra da Estrela, I present “Happy Loneliness”.

You can access all the images available in the catalog here:

Rui Campos

Curso Vocacionado de Fotografia

O Curso Vocacionado de Fotografia é ministrado a apenas um formando. Durante uma manhã ou uma tarde, dedicarei toda a atenção a um único aluno, identificarei todos os seus erros no processo fotográfico e aproveitarei a ocasião de os corrigir para passar informação pertinente. Adicionalmente irei desmistificar assuntos da fotografia, simplificando o processo e tornando-o eficaz.

Inscreva-se já em academia@ruicampos.net e agende uma data da sua conveniência.

Rui Campos

A Afinar Presets

Presets são ajustes para imagens. Estes são prégravados. Depois, em determinadas circunstâncias recorre-se a eles. Os presets são de primordial relevância no fluxo de trabalho. Existe porém um conjunto de passos prévios a considerar antes de se chagar aos presets, porém estes são porventura o mais importante. Eu tenho presets para preto e branco dedicados a paisagem, a quotidiano e a retrato, cada um deles favorece, por exemplo a gama dinâmica da imagem, ou tonalidades cianótipo, café ou até sépia, e presets a cores dedicados também para uma variedade imensa de situações a cores. São estes presets que me permitem conferir aos meus trabalhos uma homogeneidade, fazendo com que todas as imagens de um determinado conjunto apresentem características semelhantes. 

Depois de gravados os presets, é preciso afinar. Na minha opinião, a única forma de os afinal devidamente é por via da impressão destes a fim de perceber como é que estes funcionam em imagem impressa (é preciso ter muito cuidado na escolha do parceiro que imprime as nossas imagens – não, possuir uma impressora, por muito boa que seja, não faz do impressor bom).

Hoje é dia de comparar presets para fazer ajustamentos finais. 

Rui Campos

Ofereça Álbuns Fotográficos para Este Natal

Este ano decidi ajudar as famílias a apostar em prendas diferentes. Por isso decidi que este natal vou fazer preços super-especiais em álbuns fotográficos. A campanha é válida para crianças a partir dos três anos, até jovens com um máximo de 18, e entre os dias 20 de novembro e 07 de janeiro.

Se queres ver o tipo de trabalho que eu posso fazer, clica aqui:

Para saberes mais informações, contacta-me pelo formulário em baixo e eu responderei assim que possível. 

Rui Campos

Continuam a chegar encomendas :)

As encomendas para as impressões do meu trabalho Fine Art continuam a chegar a um ritmo superior àquele que eu estava à espera.

Esta vai para Mangualde. Assinada e numerada e uma de apenas dez exemplares que irei comercializar. E vai ser prenda de Natal para um casal recém casado e que está a decorar a sua nova casa. Em vez de estarem a comprar coisas feitas aos milhares nos supermercados, optaram por ter nas paredes de sua casa trabalhos exclusivos (e nem por isso caros), decorando assim o seu espaço de forma exclusiva e com trabalho que não perde valor. Quem sabe se, pelo contrário, não sobe. Eu por mim falo. Sinto-me bem num ambiente que está decorado com trabalhos exclusivos. 

Aproveito também para agradecer aos revendedores na área da arquitectura e decoração que confiaram em mim para ter trabalho exclusivo que apresentar aos seus clientes :).

Rui Campos

#AmazingWorld – Já saíram os primeiros Convites.

Enviei ontem os primeiros convites para o projecto #AmazingWorld.. Transcrevo o convite que ontem enderecei a pessoas diversas, mais ou menos próximas, que acompanham de alguma forma o meu trabalho, que fazem parte do meu passado, presente e farão com toda a certeza parte do meu futuro. Pessoas de tidas as áreas e de todas as sensibilidades.

Arranca assim o #AmazingWorld. A ver se daqui a 8 anos o tenho então concluído. 😉

Convite:

Para mim, um livro de fotografia, feito por um fotógrafo sempre me pareceu (agora na era digital) uma espécie de funeral. As expressões “virar a página”, ou “fechar um capítulo” têm um sentido que implica rompimento com um passado, com uma circunstância, ou se quiseres, com o início de uma nova aventura. E eu tenho encarado a circunstância do livro d e fotografia por aí. O trabalho de um fotógrafo não é estanque, está em constante evolução, em constante mutação. Imprimi-lo num livro onde irá permanecer eternamente imutável não está de acordo com aquilo que se espera que seja a obra de um fotógrafo. Por estas razões nunca, até recentemente, tinha pensado no lançamento de um livro. Pensei várias vezes, mais lá para o Outono da vida,deixar um qualquer esboço com uma selecção de imagens que alguém pudesse materializar um dia, se achasse que tal seria pertinente.

Porém a vida dá voltas e eu gosto que assim seja.Fundamentalmente a minha opinião acerca de livros de fotografia mantém-se. Acontece que recentemente fiz parte de uma equipa de trabalho, num evento de dimensão relevante,no qual, entre outras coisas, foram apresentados diversos livros. E percebi que um livro de fotografia pode ser também uma celebração. E por aí agrada-me a ideia de compilar o meu trabalho em livro.  Mas só aceito compilar o meu trabalho em livro por um conjunto de razões e com um conjunto de propósitos criteriosamente definidos e dos quais não estou disposto a abrir mão. Foi por isso que, depois de pensar para mim próprio em que condições eu estaria disposto a fazer o lançamento de um livro com trabalho meu, e de saber a resposta a essa questão que decidi enveredar por este caminho. A primeira condição é que todo o processo, desde o design até à construção seja feito por mim, sendo que a gráfica que for seleccionada apenas terá de fazer a impressão e montagem. A segunda condição é a de que, ainda que haja uma editora envolvida, a gestão do processo passe por mim e não por terceiros.

Acontece que para servir estes propósitos, para que um livro espelhe a dimensão multifacetada do meu trabalho enquanto fotógrafo, para que haja uma linha condutora, uma coerência e uma linha estética coesa, preciso de lançar 16 livros.

Nasce assim o projecto #AmazingWorld. Porque o meu trabalho é predominantemente figurativo e este Mundo que habitamos é de facto fantástico e em todas as suas dimensões. Até, por incrível que pareça, a humana.Numa primeira fase, na ternura dos 40, irei lançar 8 livros, temáticos, com 250 páginas cada, a serem lançados no período de 8 anos (o ciclo encerrará no meu 50º aniversário). Que, no seu conjunto, espelhem a verdadeira dimensão do meu trabalho enquanto fotógrafo que sempre quis ser multifacetado, ao contrário da tendencial especialização destes, e com um arquivo suficientemente vasto, bom e coeso. A única forma de publicar um trabalho que revisite toda esta minha circunstância é em 8 volumes temáticos. Perdoem-me os meus amigos a vaidade,mas é verdade, o meu trabalho é suficientemente bom e vasto e só faz sentido ser publicado desta forma.

Passo a explicar:

não poderia misturar num mesmo volume fotografia de concerto e espectáculo (a cores), com fotografia de paisagem a preto e branco,com fotografia de retrato e documental. Não iria funcionar e não me parece que alguém iria querer adquirir um livro estruturado desta forma e demasiado grande,até por questões de custo e funcionais. Estabeleci por isso um número mínimo de 200 imagens para que dentro de uma qualquer disciplina da fotografia, um livro acerca do meu trabalho pudesse ser verdadeiramente representativo (e de facto consigo com relativa facilidade seleccionar 200 imagens verdadeiramente boas em cada uma destas dimensões). Ora, um único livro com 8 ou 9 capítulos, a 200 imagens cada um, teria de ter mais de 1600 páginas. Justifica-se desta forma a opção por 8 volumes.

O meu trabalho não tem valor absolutamente nenhum sem o público que o valoriza e que o considera. E é precisamente esta a razão do meu convite. O primeiro exemplar do projecto #AmazingWorld é uma espécie de selecção dos sócios, para recorrer ao léxico dos vinhos. Serão as pessoas que receberem este convite que irão selecionar as imagens que constarão no primeiro volume. É a minha forma de vos dizer obrigado, e de mostrar ao mundo que tenho consciência de que sem o público eu não seria ninguém enquanto fotógrafo.

Também porque não tenho conhecimento de alguma vez um fotógrafo ter entregue desta forma o seu destino àqueles em quem de facto ele está a pensar quando lança a publicação, lá está,o Público. Simplesmente parece-me que existe aqui uma espécie de inconsistência.Um fotógrafo edita um livro com obra sua, a pensar no público, mas não lhe diz

“pronto, já que sãoos senhores que dizem quais das minhas imagens vão ser famosas ou não, entãovenham para aqui, para o antes e escolham vocês as imagens que vamos publicar,”

Eu posso considerar uma qualquer imagem verdadeiramente boa, mas é de facto o público que a consagra ou não como verdadeiramente boa. Assim sendo, não posso pensar no #AmazingWorld sem pensarem primeiro lugar naqueles que ditam a razão da existência do meu trabalho.

É por isso que venho por este meio convidar-te para que faças parte do painel de co-autores do primeiro volume do #AmazingWorld. Ao responderes afirmativamente ao desafio, ir-te-ei dar acesso a curto prazo a um conjunto de imagens, de entre as quais poderás seleccionar apenas três, e em relação a cada uma delas deverás redigir um texto que justifique a sua escolha.Cada texto deverá ter no máximo 100 palavras.

Os seguintes volumes do #AmazingWorld, a lançar nos anos seguintes já estão mais ou menos definidos, poderá, claro está, haver alterações na ordem de lançamento, mas já está tudo definido.

No final, para encerrar o ciclo, desejo publicar, no meu 50ª aniversário um t«livro mais antológico mas que seja mais a minha voz,menos fotografia. Mais ensaísta, e que incidirá acerca da forma como eu vejo e encaro a fotografia, na minha dialética e no meu processo de desenvolvimento fotográfico. Uma espécie atilho, de conclusão, que irá conferir coesão ao projecto e que irá sendo construído ao longo deste tempo.

Mais tarde, como já referi, lá para o Outono da vida,espero poder vir a reeditar estas 8 obras e deixar assim uma verdadeira obra antológica acerca do meu trabalho e que espelhe o meu percurso de vida enquanto fotógrafo. E estou certo e perfeitamente consciente de que as 8 obras a editar daqui a, no mínimo duas décadas, se sobreviver à tirania do tempo, serão completamente diferentes dos primeiros, que irei dar início agora.

Grato pela atenção dispensada.

Rui Campos.

Santo Antão

Também existe por cá uma espécie de Rua das Portas de Santo Antão que eu adoro usar como tela para mim! 

Santo Antão
2018

Rui Campos

Al-Fama

Existe aqui tão perto uma espécie de Alfama e que muito me apraz fotografar… 

Al-Fama
2018

Rui Campos

“Terra de Encantos e Afectos”

Esta imagem faz parte da minha exposição “Touça, Terra de Encantos e Afectos”, que é permanente no salão Nobre da Freguesia de Touça, Vila Nova de Foz Cõa e que pretende ser uma homenagem da respectiva Freguesia aos seus naturais e residentes. 

Rui Campos

20 anos depois, peguei num lápis…

Algo me impediu este tempo todo de arquivar definitivamente o meu estojo de Grafite da Faber-Castell. Hoje peguei-lhe e rabisquei umas coisas. Sinceramente pensei que 22 anos depois tivesse o traço completamente catastrófico. Até não. 

Não sei se amanhã volto a fazer alguma coisa ou se isto foi mero entretenimento. Nem sequer quero pensar nisso. O estojo está aqui, mesmo à mão de semear.  O resto é Destino. 

Rui Campos 🙂

Dever Cumprido

Encerrou-se ontem o Repositorium MMLXVIII em Foz Côa. Daqui a cinco gerações, os fozcoenses irão saber exactamente o que era a vida em 2018. A quantidade de informação que foi depositada ontem é imensa. A Associação Campos d’Arte muito se orgulha desta iniciativa que, em crescendo foi contagiando todos os fozcoenses, os quais estiveram em colaboração constante que originou depósitos literalmente até ao ultimo instante. Assinalo uma senhora que, estava a pedra quase colocada para selar o Repositorium e se apressou a meter um documento numa garrafa de plástico que rolhou e lançou para o interior do Repositórium, no último instante.

Inaugurou-se também o 3º Aberto para Obras, Salão de Outono, que inaugurou no dia anterior na Guarda e este ano, à semelhança do SIAC (Simpósio Internacional de Arte Contemporânea da Guarda), expandiu até Foz Côa e para apresentar algumas das obras realizadas no SIAC. 

Rui Campos, presidente da ACd’A fez as honras da Casa, apresentando os artistas e exercendo o papel de pivot, alternando a palavra entre as diversas personalidades presentes.

Inaugurou-se na Galeria de Arte do Centro Cultural uma Exposição colectiva de Gravura Contemporânea, dinamizada pela artista e curadora Rute Campanha e pela também artista, Manuela Cristóvão, sendo que esteve também presente a artista Célia Bragança.

Ao lado, na Sala de exposições, inaugurou a exposição de fotografia “Namíbia, a Viagem”, de Claudia Saraiva.

De seguida inaugurou-se o Conjunto Escultórico do SIAC3, em Foz Côa, do qual consta o Monólito Esculpido do SIAC3 e o Repositorium MMLXVIII

O Presidente da Câmara de Foz Côa, o Eng. Gustavo Duarte aproveitou a ocasião para anunciar a entrada do Concelho de Foz Côa na Candidatura liderada pela Guarda a Capital Europeia da Cultura, 2027, bem como a participação de Foz Côa como extensão de futuras edições do Simpósio Internacional de Arte Contemporânea da Guarda (SIAC).

Em suma, este foi provavelmente um dos dias mais importantes para o futuro cultural e artístico de Foz Côa e médio e longo prazo. A Associação Campos d’Arte assinalou desta forma o início da sua actividade ao serviço da Cultura e das Artes.

 Foram meses de trabalho, de preparação intensos. E já estamos a trabalhar em mais e novas iniciativas, para breve. 

Muito Obrigado a todos aqueles que directa e indirectamente participaram nesta iniciativa. 

Ficam as imagens. 🙂

Rui Campos

“O Invisível Interminável” – Jorge Velhote

“Viva Rui,
Respondo ao teu convite para o REPOSITORIUM anexando vários ficheiros. Aliás, presumindo que o mais lógico será entregar-te em mão uma pen com esses ficheiros para que assim fiquem encerrados no Repositorium até que seja aberta e dela se retire o que lá haverá.

Não me perguntes para o que me levou a fazer isto. Mas, creio que não tenha sido um desejo de me perpetuar. Mas, sim, uma ironia. De facto, daqui a cinquenta anos já não estarei vivo e alguém se irá rir da minha desfaçatez e, certamente, me chamará de megalómano (que não sou para já…). Talvez faltem os tais cinquenta anos.

Assim, seguem um livro com o título O INVISÍVEL INTERMINÁVEL.
Uma Nota Biográfica para a badana da capa.
Uma nota da obra para a badana da contracapa.
Uma fotografia para se fazer a capa e contracapa.
Uma fotografia para as badanas (eu gosto de livros com badanas…).
Somente não junto fotografia minha porque creio se justifica seres tu o autor dessa fotografia para a badana da capa.

Óbvio que tudo isto dependerá da tua aceitação.

Recebe o mais grato e cúmplice dos meus abraços.

Jorge Velhote”

Depois, não sei o que se passou, mas o Jorge voltou a baralhar tudo e deu o dito pelo não dito. Cancelou, e hoje recebemos esta caixa com uma instrução precisa para “NÃO DESAPARAFUSAR”. 

Só posso dizer que acusou radioactividade intensa e ficou retida no gabinete da Presidência , na Câmara de Foz Côa. 

Grato, Jorge. 

Recebe o mais cúmplice e sincero dos meus abraços 🙂

Rui Campos

Rui Campos – Exposições

Hoje decidi revisitar-me. Desde Fevereiro de 2017, altura em que decidi não mais responder a ninguém além de mim e das minhas obrigações morais e éticas, foram muitas as exposições que realizei. 

Achei por bem deixar parte deste meu trabalho no #Repositorium2068 para que as gerações vindouras o pudessem apreciar. Mas imediatamente a seguir dei por mim a constatar que isso seria o óbvio e por isso decidi não o fazer, não que seja cedo para fazer uma retrospectiva do meu trabalho, porque de facto não é, mas desejo que esta seja feita de outra forma e estou de facto a tratar disso mesmo “as we speak“, mas como já tinha revisitado a minha nova condição de fotógrafo desde o início de 2017, achei por bem partilhar aqui no meu site.

Porém decidi apenas mostrar as exposições que inaugurei em pequenas localidades e até em aldeias. E optei por este critério porque muito me apraz constatar ver casas cheias nestas exposições. Não me entendam mal. É muito fácil ter casa cheia numa cidade. E daí, não sei se será, mas eu, pela parte que a mim toca, não sei se é assim com toda a gente, se as pessoas nas localidades mais remotas e despovoadas aderem a estas iniciativas, estão formadas para cultura. Sei que até hoje sempre senti estes carinhos, sempre tive casa cheia em pequenas localidades quando inauguro exposições.. 

Esta é por isso mais uma forma de agradecer e reconhecer que de facto, sem público não somos nada. Desde já Muito obrigado a todos aqueles que me têm agraciado com as casas cheias, quero repetir, em lugares distantes das cidades. 

Rui Campos.

“Atmosphere” – Antonina Fatkhullina

A Antonina é uma artista Russa com um currículo invejável (o qual transcrevo aqui). 
Deixou um esboço que chamou de “atmosphere” para o #Repositorium2068. É mais um artista de projecção internacional que aceitou contribuis com um esboço para a iniciativa. Daqui a 50 anos espera-se que numa 53ª edição do Simpósio Internacional de Arte Contemporânea (SIAC) se desafie um qualquer outro artista de igual projecção a reinterpretar ecorporizar este esboço, ligando assim o Tempo e as Artes.

 Was born  in 1982

Education

1999-2002 secondary art school named after N.K. Rerich. St.Petersburg
2002-2008 St. Petersburg State Academy of a name A.L. Stieglitz.
2010 – a laureate of the state scholarship in thefield of fine arts.
2011 – “Youth Prize of St. Petersburg in thefield of artisti creativity “

Selected exhibitions

2012   CROSSES International project. Prison Crosses.Erarta Museum.
2014    PAPER SCULPTURE. The Russian Museum
2014   MANIFESTO parallel program gallery North 7,ArtProspeckt
2015   PRIMAVERA. City Sculpture Museum
2015   SCULPTURE IN THE STONE OF THE XX-XXI. TheRussian Museum
2015   TheMuseum of Art of St. Petersburg of the XX-XXI centuries
2016    Landscapesculpture. The Marble Palace. Russian Museum

Symposiums

2007   Finland .10-th  sculpturedays of Baltic SeaCountries. metal
2011,2013    symposium in St. Petersburg. Granit, metal
2015   8International Sculpture and Painting Symposium PENZA 2015. metal
2015   Sculpture Symposium in Russia, Sterlitamak.marble
2015   Tehran7th International Sculpture Symposium. 3rd place in the metal section.
2017   International Symposium Sculpture Changchun2017. metal
2016,2017   Sculpture Symposium in Spain. Canary Islands. Fuertoventura. Metal, stone
2018   International Symposium Sculpture Egypt. metal

Works in collections

State Russian Museum, St. Petersburg.
Museum of urban sculpture.
Finland, Iran, Spain, Norway, Montenegro, Australia,Austria, USA and China.

Rui Campos

“Dilemas Intemporais” – Rosa B. Figueiredo

A Rosa Branca Figueiredo foi minha Professora no Instituto Politécnico da Guarda (IPG). Foi um convite pessoal meu, não apenas pela marca que deixou em mim enquanto professora, mas também por ter um percurso académico que em tudo se cruza cim as artes contemporâneas e, acima de tudo porque um desafio está para ela mais ou menos como uma guerrinha está para mim (sei que ela se vai rir imenso com esta) :).  

Leciona as disciplinas de línguas estrangeiras (Inglês eAlemão), Estudos Artísticos e Cultura Contemporânea; coordena o departamento de Línguas e Culturas do IPG e é investigadora integrada da Unidade de Investigação para o Desenvolvimento do Interior no IPG e investigadora em regime de colaboração no Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras deLisboa.

Natural de Viseu fez todo o seu percurso académico na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas na variante de Inglês- Alemão, mestre em Estudos Anglísticos e doutorada em Estudos Artísticos/ Estudos de Teatro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com uma tese sobre o laureado dramaturgo nigeriano Wole Soyinka.

Membro de diversas Associações Literárias e Culturais Internacionais tais como CAAR (Collegium for African Amercian Research), ACLALS (Association for Commonwealth Literature and Language Studies), ENCLS (European Network for Comparative Literary Studies), IFTR (International Federation for Theatre Research), entre outras. Autora de vários artigos literários na área de especialização, tradutora de peças teatrais de expressão inglesa e presença assídua em Congressos nacionais e internacionais.

A Rosa deixou-nos um texto que eu ainda não li – mas estaria a mentir se negasse que irei ler assim que me for possível – intitulado “Dilemas Intemporais“. Um texto que sei de antemão ser reflexivo, apaixonado, pertinente e acutilante.

Este texto de 20 páginas foi entregue em mão e é o único texto manuscrito que vamos depositar no #Repositórium2068.

Rosa, és tão grande que até chateias!
Beijos mil. 

Rui Campos

“Discursos” – Colectiva de Gravura

Ainda no mesmo âmbito, a inauguração da terceira edição do Aberto para Obras, o Salão de Outono, dinamizado pelo Museu Regional da Guarda, no qual são apresentadas as obras de arte que os Artistas do Simpósio Internacional de Arte Contemporânea (terceira edição) – SIAC3 – que este ano contou ja como a colaboração de Foz Côa, que fez por via da Arte Rupestre a ligação entre a arte ancestral e a arte contemporânea, desejada e conveniente para todos os artistas, e cuja iniciativa #Repositorium2068 estabelece uma reflexão no âmbito da temática do SIAC3 (As Vanguardas da Memória), inauguramos também uma exposição colectiva de gravura intitulada de “Discursos” na Sala de Exposições principal da Galeria de arte do Centro Cultural de Foz Côa. Não percam esta oportunidade impar de presenciar arte contemporânea em Foz Côa. 

Mas as surpresas não ficam por aqui.

Rui Campos

“Mother and Son”

A BJ Boulter é uma pintora tanzaniana de ascendência britânica que visitou Foz Côa no passado Verão. Adorou a visita, a cidade e as pessoas, e quando a Associação Campos d’Arte a desafiou para contribuir para a iniciativa do #Repositórium2068 adorou a ideia que apoiou entusiasticamente desde a primeira hora.
Quando chegou a hora da verdade fez-nos chegar uma aguarela que designou de “Mother and Daughter”, com a respectiva cedência de Direitos para apenas e em exclusivo a iniciativa #Repositórium2068.
Acontece que as dimensões da sua obra não nos permitem o depósito nos receptáculos pré-definidos e tivemos de tratar de um recipiente propositadamente para ela. Sim, é o mínimo que podíamos fazer.
Obrigado BJ. De coração.
Kind Regards.
Rui

Rui Campos

Rótulos de Vinhos e Azeites

A Associação Campos d’Arte (ACd’A) teve o cuidado de convidar os produtores de Vinhos e azeites do Concelho de Foz Côa para que enviassem os rótulos e fichas técnicas dos produtros que tenham em comercialização. A ideia é aglutinar informação acerca destes produtos que permita daqui a 50 anos perceber em que medida os vinhos e azeites do concelho evoluíram em função das modas, dos gostos dos consumidores e também em função dos factores edafo-climáticos (os factores que dizem respeito ao solo e ao clima). 

A Casa Agrícola Roboredo Madeira (CARM)  respondeu entusiasticamente ao desafio e enviou a sua enorme gama de produtos, muitos dos quais feitos apenas para mercados externos. Acrescentou também relevante informação sob a forma de notas de imprensa, as quais também foram acondicionadas para depósito no Repositórium.

Deixamos aqui a título de exemplo o acondicionamento dos rótulos e fichas técnicas dos produtos da CARM para exemplificar e mostrar o trabalho que a ACd’A está a fazer com o Repositorium. 

O depósito de todos estes produtos é já na quinta feira, dia 8, pelas 14 horas.

É muito orgulho estar-se à frente de tão diferenciadora iniciativa e em parceria com tão distintas entidades. O Município de Foz Côa e o Museu Regional da Guarda, entidade dinamizadora do SIAC3

Rui Campos

Repositorium MMLXVIII – Início dos trabalhos

A Associação Campos d’Arte (ACd’A) começou hoje os trabalhos de isolamento dos contributos diversos que nos chegaram ao longo dos últimos meses para serem depositados no #Repositorium2068 no próximo dia 8, quinta feira, dia em que também vai ser inaugurado o Conjunto Escultórico do SIAC3, em Vila Nova de Foz Côa, do qual o Repositorium faz parte. 

Começou-se por uma questão de urgência pelos trabalhos que o meu querido amigo, o escultor Pedro Figueiredo enviou. Uma cara em grés preto (segundo ele, as memórias estão na cabeça) e um pequeno esboço de uma escultura que em princípio (é o que se pretende hoje, em 2018) servirá para desafiar um escultor que a materialize em 2068, numa 53ª edição do SIAC (Simpósio Internacional de Arte Contemporânea). Segundo o Pedro, a esultura estava húmida por ter sido lavada antes de a trazer ontem e precisámos de a deixar a arejar até que esteja em condições de poder ser devidamente acondicionada para a colocar numa caixa estanque. Entretanto tratou-se do esboço. Apenas foi acondicionado entre duas folhas de papel vegetal, e mais tarde será devidamente isolado entre duas cartolinas e isolado contra temperatura e humidades. 

De seguida passou-se ao trabalho de acondicionamento e isolamento de um conjunto da imagens cedidas pelo #ProjectoReferentes, alma mater desta iniciativa e da qual o Repositórium é uma derivação e uma actividade no âmbito do SIAC3, cujo tema foi este ano “As Vanguardas da Memória“.  O #ProjectoReferentes cedeu pouco mais de uma centena de  imagens do Concelho de Foz Côa do século XX, a ACd’A cedeu outras tantas imagens que foram feitas em 2018 com os mesmos enquadramentos e composições das que existem do século XX e fez-se assim um trabalho que documenta muito bem a forma como a pausagem urbana se alterou ao longo de 9 décadas.

Houve o cuidado de se separarem as imagens em conjuntos pequenos a fim de minimizar as hipóteses de fatalidade generalizada. Em cada extremo de um conjunto uma cartolina e as imagens cada uma delas separada por uma folha de papel vegetal a fim de evitar que as fotografias se colem umas às outras.

Simbolicamente começou-se também a separar e isolar perto de centena e meia de imagens de pessoas que já foram identificadas no âmbito do #Projectoreferentes, a ACd’A irá também depositar junto as identificações de cada uma destas pessoas. A ideia é passar a mensagem de que há um pessado, uma identidade que vem “muito” de trás e que estas pessoas desejam que essa identidade e essas memórias sejam preservadas. 

Não são apenas pessoas que estão letentes nestas imagens. São nomes, apelidos, ascendentes e memórias. É a identidade de um povo, o povo fozcoense que vai vicar ali, durante 50 anos para que seja redescoberto pelos descendentes destas pessoas.

Nos próximos três dias estaremos a trabalhar intensamente para acondicionar devidamente todos e cada um dos contributos que nos chegaram de uma imensidão de pessoas naturais e não naturais do Concelho de Foz Côa, instituições públicas e privadas do Concelho e de fora dele, das quais se devem por imperativo de consciência destacar a Câmara de Municipal de Vila Nova de Foz Côa, que desde a primeira hora abraçou o projecto, o Museu Regional da Guarda, dinamizador do SIAC e por isso um dos padrinhos da iniciativa, mas também se devem assinalar os muitos artistas que participaram no SIAC3 , académicos de instituições de ensino superior diversas, profissionais de áreas diversas, bem como ilustres incógnitos do concelho de Foz Côa e representantes das diversas áreas da economia local. nfim, a iniciativa esteve aberta a todos os que desejaram nela participar. Uma última palavra para as escolas, pois são os alunos que sobreviverão a esta iniciativa e por isso os seus principais guardiões. São estes os contributos que nos vão obrigar a estar a trabalhar intensamente nos próximos dias para os acondicionar de forma criteriosa e segura de forma que sobrevivam à viagem de 50 anos que os aguarda.

Desde já, e para todos sem excepção, em meu nome, em nome da ACd’A e em nome do #ProjectoReferentes, desejo expressar a nossa gratidão imensa para todos aqueles que se desejaram associar a este iniciativa.

Rui Campos.

Ficou Cá em Casa

Aquela impressão que se estragou, melhor, que eu estraguei, ficou cá em casa. E não é por ser para mim que ela não teve direito a ser assinada e numerada. 🙂

Rui Campos

Impressões em Papel Fine Art

Chegaram-me ontem seis impressões fine art para entregar a outros tantos clientes.  Estas imagens impressas em papel
 Hahnemuhle Photo Rag 188gms, 100% algodão ganham vida. É impressionante a profundidade, o contraste e o corte que se conseguem com este papel.

Estou em pulgas para as ver nas molduras exclusivas que encomendei especificamente para elas.  É uma linha de molduras única e que vai ser aplicada em exclusivo nas minhas impressões Fine Art. 

Infelizmente houve uma que se estragou, e vou ter de encomendar mais uma para entregar à cliente. Mas esta que se estragou não vai para o Lixo, não mesmo! Fica cá em casa. 🙂

Rui Campos

3º Aberto para Obras e Repositórium MMLXVIII

Chegaram hoje perto de 360 fotografias alusivas ao Concelho de Foz Côa. São imagens repetidas do século XX e do século XXI que vamos depositar no Repositórium, no próximo dia 8.

Durante perto de três meses andei no encalço do meu avô. Procurando perceber os mesmíssimos lugares onde ele esteve e a forma como fez aproximadamente 190 imagens. Imagens que eu seleccionei com a finalidade de procurar encontrar os mesmos enquadramentos e composições que permitissem aos nossos sucessores daqui a 50 anos ficar com uma ideia de como o Concelho se alterou ao longo de 6 décadas (talvez mais). E daqui a 5 décadas, estou certo de que será interessante que alguém volte a procurar entregar os mesmos lugares a fim de os re-fotografar, procurando com isso consciencializar a comunidade do quanto o Concelho mudou. 

O #ProjectoReferentes deixa assim a sua marca para a posteridade. Um desdobramento deste projecto, materializado na Iniciativa Repositorium MMLXVIII, protagonizada pela Associação Campos d’Arte (ACdA) e no âmbito do SIAC3, iniciativa do Museu da Guarda, que este ano se estendeu para Foz Côa, e cuja temática deste ano foi “As Vanguardas da Memória“. Uma iniciativa que vai materializar-se, à semelhança de todas as obras produzidas no SIAC3 no 3º “Aberto para Obras” (Salão de Outono), dinamizado pelo Museu Regional da Guarda, e estendido, à semelhança do SIAC3, para Vila Nova de Foz Côa.

Não percam, no próximo dia 7, a inauguração do 3º “Aberto para Obras”  no Museu da Guarda, e no dia 8, pelas 14 horas em Vila Nova de Foz Côa, com a inauguração da exposição colectiva de gravura “Diálogos, o descerramento do conjunto escultórico do SIAC3, em Vila Nova de Foz Côa, o depósito do Repositórium MMLXVIII e uma grande e relevante surpresa

Rui Campos

Amazing World

Comecei finalmente a trabalhar no meu livro “Amazing World“, o qual espero que venha a ser lançado em maio próximo. É um livro que estou a fazer desde a raiz. É um risco um fotógrafo fazer um livro acerca do seu trabalho e tratar da sua construção em todas as facetas, desde a linha gráfica, passando pelos textos (obviamente que a revisão dos textos pedirei a terceiros que a façam) e até à selecção das imagens. E, pode parecer um contra senso, mas a questão da selecção das imagens será sempre a tarefa mais difícil, porém um exercício fascinante este de estar permanentemente a lutar entre a imagem que melhor se adequa à linha gráfica e aquela que o fotógrafo gosta mais. A verdade é que é de facto um dos exercícios mais difíceis que um fotógrafo pode fazer. 

Quanto a conteúdos, bem, outro contra senso. O que é normal é que um fotógrafo escolha um tema e seleccione imagem obedecendo a esse tema. E eu, como alguns sabem, afirmo muitas vezes que a fotografia para mim é uma inquietação demasiado grande para que eu possa simplesmente permitir-me poder ver o Mundo inteiro e escolher vê-lo a partir de uma janela. Por isso encaro este livro como um qualquer passeio, no qual me permito a liberdade de não me cingir a um único género dentro da fotografia, mas beneficio de todos eles, tendo com isso a oportunidade de ver o Mundo sem espartilhos.

Para este livro tenho também alguns amigos e personalidades convidados. E pretendi pessoas dentro e fora da fotografia, numa tentativa de estabelecer uma reflexão acerca do que é afinal isto da fotografia, fora no entanto da dialética comum e redutora do equipamento, da técnica e das regras mas, mais ao género de John Berger:

“Seeing comes before words. The child looks and recognizes before it can speak. But there is also another sense in which seeing comes before words. It is seeing which establishes our place in the surrounding world: we explain that word with  word, but words can never undo the fact that we are surrounded by it. The relation between what we see and what we know is never settled (…) the way we see things is affected by the way we know or what we believe.”

Esta questão da dialética é também um mote para duas coisas relevantes que irão acontecer em 2019.

Rui Campos

“Scream to Nowhere”

“Scream To Nowhere” 2014
Num tempo em que todos anseiam um lugar ao Sol, visibilidade, atenção e diferenciação… ainda que sem identidade própria. Rui Campos

A Modos Que… Estou a Ficar Farto.

É verdade. Estou a começar a ficar farto da fotografia quadrada, da nitidez absoluta, dos detalhes, do foco preciso e dessas coisas todas. Quero mais da minha fotografia, desejo que ela vá além dos discursos redondos e dos lugares-comuns.

Hoje deito tudo fora e começo um caderno novo. 

Rui Campos

Outono… Finalmente

Não sou, nem de longe, nem de perto aquilo que se pode considerar um fotógrafo de natureza. Sou fotógrafo, fotógrafo tudo aquilo que julgo merecer ser alvo da minha atenção.

Não conheci até hoje nenhum fotógrafo que fosse insensível às magias e ao encanto do Outono. Este ano decidi ser criterioso e preparar-me para esta Estação. Visitando lugares, pesquisando espaços, procurando antever como vai evoluir a Natureza ao longo da estação. Ontem fui visitar alguns pontos-chave, na Serra. Espero poder fazer umas imagens que me satisfaçam a sede de nesta estação ser Outono. 🙂

Rui Campos

Pastorícia

Ontem postei uma imagem no Instagram que hoje de manhã decidi reeditar por um motivo muito simples. Por alguma ração, na altura (em Outubro de 2017) pareceu-me que aquela imagem ficava favorecida de editada com a proporção 16×9. Acontece que em alguns aspectos da fotografia sou uma pessoa ortodoxa e não vejo razões para que uma imagem que fiz a 3×2 seja depois apresentada noutro formato. É uma questão que para mim apenas tem relevância num aspecto e, em relação a este aspecto faz todo o sentido, a meu ver. 

Eu exponho bastante, e quando edito imagens, procuro ter o cuidado de dar uma coerência às fotografias que apresento, como tal, desejo que todas elas tenham a mesma proporção. 

Esta imagem é pouco conhecida, é uma cena de quotidiano, felizmente ainda relativamente comum na Serra da Estrela. Fiz esta fotografia dentro da vila de Manteigas, de pois de abordar este simpático casal a fim de saber onde poderia encontrar uma outra senhora que tinha fotografado uns meses antes, a fim de lhe oferecer uma fotografia sua. Hoje reeditei-a para vocês. Porque acho que é uma cena quase romântica, a forma harmónica como um casal de pastores estão ali, a gozar do calor de um dia quente de outono, enquanto o rebanho se dispersa sossegadamente pelo espaço. Umas ovelhas comem, outras dormitam… É de facto uma belíssima cena de quotidiano na Serra da Estrela, esta que desejo partilhar com vocês. 

Rui Campos

Ontem fui Fotografar…E Custou.

Publiquei esta nota em 23 de Junho de 2018. Nessa altura referia a minha necessidade de parar, de suspender toda a produção fotográfica e regressar aos meus projectos que entretanto tinham ficado em suspenso. Hoje, 2 de Outubro, parei efectivamente, recuperei o fôlego e regressei à fotografia consciente e crente na acção mental. 

Só não regressei aos projectos em suspenso, porque entretanto outros ocuparam o meu tempo. É sempre assim, uma dificuldade extrema para acompanhar os projectos que vou desenvolvendo. Pelo menos tenho projectos que me obrigam a sentar e a dedicar-lhes tempo porque acredito neles. E isso, para alguém que trabalha nesta área só pode ser motivo de felicidade. 🙂

“Henri Cartier-Bresson disse numa entrevista que “às vezes precisamos de arrumar as câmaras, sempre à vista, e esperar que elas nos chamem. “

O processo fotográfico, se o desejarmos levar com seriedade e que este se destaque, é sempre um processo consciente e criativo. Mas por vezes a intensidade de trabalho é tal que tudo se torna automatizado.

Pela parte que a mim toca, eu preciso destes distanciamentos de forma regular e mais ou menos constante. É uma espécie de catarse, de me libertar de um compromisso no qual pensei e em relação ao qual investiguei e de poder abraçar outros desafios. Neste caso preciso mesmo de uma paragem não apenas para me reciclar para depois abraçar outros desafios, mas também para regressar e reinterpretar os desafios que estão agora em suspenso.

Ontem, com um amigo fui passear e fotografar despudorada e descomprometidamente.

Gostei, principalmente da companhia de um amigo que está longe e que tem sentido estético e crítico. Algo cada vez mais raro nos dias que correm. Anseio mesmo por me desligar do Photoshop e das câmaras. Retornar aos projectos que ficaram em suspenso e aguardar serenamente que as minhas câmaras me chamem. Só não sei é quando isso (parar) vai poder acontecer.”

Rui Campos

“Polvorosa”

Hoje andei perigosamente perto de… Pólvora. Imensa!
Foi duro porque tive de lutar contra a minha imaginação (só via coisas a fazer “pum” e a subir em direcção ao vazio); contra a minha tentação (de fazer coisas fazer “pum” e vê-las subir em direcção ao vazio); E dar voz à necessidade de fazer um trabalho sério e capaz de surpreender pela positiva.
Fazer fotografia com seriedade às vezes custa tanto!
Foi um dia extremamente emotivo. 
Mais em breve. 😉

Cavalos em Parada Militar

Rui Campos

Fotografia de Casamento

“Convide-me para o Seu Casamento e Veja o que Posso Fazer por Si” 

O meu novo site de fotografia de casamento também já está quase pronto
Em breve irá ser revelada uma nova e inovadora forma de trabalhar a fotografia de casamento em Portugal

Os noivos estejam atentos, porque temos alguns vouchers de desconto para oferecer no dia de relançamento do Site.

Invite-me to your wedding and learn what I can do for you
Convide-me para o seu casamento e veja o que posso fazer por si

Ode ao Vinho

Em 05 de Abril de 2014, depois de uma tarde que mexeu com todas as minhas crenças e preconceitos em relação à sociedade em que vivemos encontrei, numa aldeia do Concelho de Foz Côa um trio que estava capaz de dar início à reconquista cristã. Mas essa História por ora vai ficar no segredo dos Deuses. 

Trata-se de uma das fotografias mais bem dispostas que já fiz. É a imagem que tenho no fundo de ambiente de trabalho dos meus monitores e, de facto, quando ligo o computador pela manhã, esta imagem surte efeito.

“Ode ao Vinho”
Rui Campos

Sim, em fotografia também se reeditam obras. E todas elas têm correcções. Na edição da imagem também amadurecemos com o tempo. Tornamos as nossas edições mais subtis, de forma a que elas se tornem o mais imperceptíveis possível, sob pena de a edição ser preponderante na leitura da imagem. De resto é isso que tende a acontecer, cada vez mais confundimos fotografia com arte digital. As fronteiras, no campo da percepção, estão cada vez mais esbatidas. Mas acreditem, não é desejável. E nenhum fotógrafo sério a deseja.

Ainda assim o processo fotográfico exige trabalho de pós-produção, e é por isso mesmo que os fabricantes de equipamentos fotográficos, ao invés de apostarem em algoritmos nos processadores das câmaras, apostam na expansão de possibilidades nos ficheiros-nativos e permitindo assim ao fotógrafo editar como deseja. E acreditem, qualquer fotógrafo com alguns anos de experiência sabe o que vai depois fazer com o ficheiro que está a criar.

Porém, como referi anteriormente, amadurecemos, aprendemos novas técnicas de edição, formas porventura mais simples (ou não) de chegar a resultados. Já repararam que aqueles que de se assumem como fotógrafos muito raramente falam de edição, ou da forma como dominam ou não os softwares de edição? É porque este capítulo é importante, mas em termos de aperfeiçoamento da imagem, mas não em termos de conteúdo. Nada daquilo que o fotógrafo fizer nas suas imagens irá alterar o sentido, a mensagem ou o propósito da imagem. 

No meu caso reedito por várias razões: porque regressar ao passado traz boas sensações (eu guardo lembrança de todas as imagens que fiz, porque estas passaram pelo processo de edição e isso ajuda-me a preservar memória desses acontecimentos). Mas também porque, como ja referi, se aprendem novas técnicas, novas abordagens, novos processos.

Neste caso específico estou a reeditar os meus “Clássicos” porque me importa retirar das minhas imagens todos os metadados (dados Exif) à excepção dos direitos de propriedade intelectual.

Porquê? 
Simples: porque não quero que as pessoas que acompanham o meu trabalho pensem que a qualidade deste está dependente da qualidade do equipamento que uso, o qual é manifestamente abaixo da média daquilo que a esmagadora maioria de pessoas usam para fotografar. Não acreditam? Então vejamos, a minha lista de equipamentos é a seguinte:Nikon D7100, Nikon D5500, Canon G1x Mk1. E um conjunto de lentes que estão longe de ser prime ou topos de gama.

Se acham que a qualidade das vossas imagens não é boa por culpa do equipamento que usam, investiguem o equipamento que usaram os grandes fotógrafos do século XX e comparem com os vossos. Talvez tenham uma surpresa 

Designei esta série de “Ode ao Vinho” e espero reeditá-la por completo em breve para vo-la apresentar. Partilho-a com vocês na esperança de que vos proporcione boas energias para este dia. 

Tenham um bom dia. 

Rui Campos

Reeditando Clássicos

Sim, em fotografia também se reeditam obras. E todas elas tem correcções. Na edição da imagem também amadurecemos com o tempo. Tornamos as nossas edições mais subtis, de forma a que elas se tornem o mais imperceptíveis possível, sob pena de a edição ser preponderante na leitura da imagem. De resto é isso que tende a acontecer, cada vez mais confundimos fotografia com arte digital. As fronteiras, no campo da percepção, estão cada vez mais esbatidas. Mas acreditem, não é desejável. E nenhum fotógrafo sério a deseja. 

“Happiness from a Balcony” (2014) – Reeditada em 2018

Ainda assim o processo fotográfico exige trabalho de pós-produção, e é por isso mesmo que os fabricantes de equipamentos fotográficos, ao invés de apostarem em algoritmos nos processadores das câmaras, apostam na expansão de possibilidades nos ficheiros-nativos e permitindo assim ao fotógrafo editar como deseja. E acreditem, qualquer fotógrafo com alguns anos de experiencia sabe o que vai depois fazer com o ficheiro que está a criar. 

Porém, como referi anteriormente, amadurecemos, aprendemos novas técnicas de edição, formas porventura mais simples (ou não) de chegar a resultados. Já repararam que aqueles que de se assumem como fotógrafos muito raramente falam de edição, ou da forma como dominam ou não os softwares de edição? É porque este capítulo é importante, mas em termos de aperfeiçoamento da imagem, mas não em termos de conteúdo. Nada daquilo que o fotógrafo fizer nas suas imagens irá alterar o sentido, a mensagem ou o propósito da imagem. 

No meu caso reedito por várias razões: porque regressar ao passado traz boas sensações (eu guardo lembrança de todas as imagens que fiz, porque estas passaram pelo processo de edição e isso ajuda-me a preservar memória desses acontecimentos). Mas também porque, como ja referi, se aprendem novas técnicas, novas abordagens, novos processos.

Neste caso específico estou a reeditar os meus “Clássicos” porque me importa retirar das minhas imagens todos os metadados (dados Exif) à excepção dos direitos de propriedade intelectual.

Porquê?
Simples: porque não quero que as pessoas que acompanham o meu trabalho pensem que a qualidade deste está dependente da qualidade do equipamento que uso, o qual é manifestamente abaixo da média daquilo que a esmagadora maioria de pessoas usam para fotografar. Não acreditam? Então vejamos, a minha lista de equipamentos é a seguinte:Nikon D7100, Nikon D5500, Canon G1x Mk1. E um conjunto de lentes que estão longe de ser prime ou topos de gama.

Se acham que a qualidade das vossas imagens não é boa por culpa do equipamento que usam, investiguem o equipamento que usaram os grandes fotógrafos do século XX e comparem com os vossos. Talvez tenham uma surpresa 🙂

Rui Campos

Escreve uma Carta

Basicamente é isto: A Iniciativa Repositorium MMLXVIII está a desafiar-te a escreveres uma carta para ti ou para os teus filhos ou netos lerem em 2068. Podes escrever acerca do que quiseres: do Futuro, do amor, dos teus sonhos ou espetativas ou até da forma como gostarias que o Mundo fosse daqui a 50 anos.

Escreve, assina (nome completo), mete num envelope e entrega na Sala de exposições do Centro cultural de Foz Côa, a uma das senhoras que lá estão. Nós depois vamos depositá-la no Repositórium para que esta seja lida por ti ou por algum filho ou neto em 2068.

O prazo de entrega das cartas é 30 de Setembro:

Poio Quarries

Poio shale is extracted in Vila Nova de Foz Côa. The extraction of this stone is closely linked to the advent of vineyard culture in the Alto Douro Vinhateiro, a heritage classified by UNESCO.

This stone is now, fruit of the technological evolution, trending and very apreciated world around, given the new forms of abrasion of the same. It is now, although the economic paradigm has changed, established as one of the basis of the economy of the county of Foz Côa.

For years I have been collecting images at these quarries, collections that have produced a video used in an exhibition of the Municipality of Foz Côa and in a Project, “Histories of Men and Stones“.

This is the exhibition that the Municipality of Foz Côa held in 2016. The collection of video that I realized and that was part of this exhibition is here.

Rui Campos

Seleção de Imagens

Hoje seleccionam-se imagens e planifica-se trabalho para dois dias a cumprir na próxima semana. Procurar encontrar os lugares exactos onde o meu avô esteve décadas antes de mim, e fazer os mesmos registos com a finalidade de nos podermos consciencializar do quão mudou o espaço.

A ideia é depositar depois estes registos no #RepositóriumMMLXVIII para memória futura. Este é, como já expliquei em ocasiões diversas, mais uma derivação, um aproveitamento e uma forma de valorizar o espólio fotográfico de Amândio Felizes Tetino. É mais um dos inúmeros sub-projectos do #ProjectoReferentes. É absolutamente entusiasmante a multiplicidade de intervenções que se podem fazer com base num espólio desta natureza.

A zona do Pocinho, por alturas da construção da barragem e agora.

À medida que nos vão chegando as confirmações (todas eles entusiasmadas) de pessoas das mais diversas àreas, que irão contribuir para o #repositorium2068, este projecto torna-se mais e mais apaixonante Um verdadeiro tesouro a ser encerrado para memória futura, em foz Côa.Quero antes de tudo agradecer aos meus amigos e companheiros destas aventuras, sem os quais nada disto seria possível: Ao Pedro Daniel, ao Lopo Lansm Ctl, à Susana Pires, ao Dinis Ângelo, à Pinto Lurdes Ao João Calhau, ao Paulo Pinto e ao Paulo Delgado. Sem vocês nenhuma destas aventuras acontecia. Cabe a esta equipa a inventariação, a catalogação, o condicionamento e toda a gestão do projecto. Difícil encontrar melhor equipa. Grato que vos estou.

Quero agradecer também ao Dr. José Ribeiro pelo entusiasmo com que acolheu esta iniciativa e porque aceitou o convite de endereçar os convites e dinamizar os trabalhos naquilo que concerne à participação de pessoas e instituições fozcoenses. Quero agradecer aos amigos e artistas que aceitaram o desafio de redigir reflexões acerca das “Vanguardas da Memória”, em primeiríssimo lugar ao Dr. João Mendes Rosa pela coragem, e seguidamente ao Pedro Figueiredo, à Rosa Branca Figueiredo, ao António Prata, ao Jorge Manuel Mendes, ao Victor Afonso, à BJ Boulter, à Brigitte von Humboldt, à Vera Christians, à Rosa Pereira, à Esther Muntañola, ao Odysseas Tosounidis, à, Montserrat Villar González, Ao Jorge Velhote, à Maria Afonso, ao João Rasteiro, ao Antonio Navarro e à Sónia Cabello, á Ana Correia. Estes foram artistas e escritores que já aceitaram o desafio. Desejo também agradecer de antemão a todos os outros que foram convidados e que ainda não responderam ao desafio.

Muito Obrigado a todos.

Rui Campos.

Isto é Só Ruído.

“Quem é que vos disse que os fabricantes de equipamentos são bons fotógrafos e constroem o mais adequado para a fotografia e não para ganhar dinheiro?”

Num qualquer lugar alguém escreveu o seguinte numa resposta:

The best lens I have for portraits are the ones in my eyeballs. Also, depending on how much room I have to take portraits, I will use either a 50mm or a 105mm. “

Ao que eu respondi:

“I use a 12-24mm

Ao que essa pessoa respondeu:

“Do you get any distortion?”

Eu respondi (agora traduzo para português e convido-vos a reflectir sobre isto):

“E isso é importante? A distorção faz parte das consequências físicas das escolhas que se fazem. E a fotografia é isso mesmo, perdas e ganhos. Sempre que se pretende ganhar algo, perde-se noutra parte. São estes limites, estas despesas que se têm de pagar na fotografia que são importantes.

Mais importante, a fotografia não é uma técnica, não é sobre as lentes, e as layers, e os bokeh… A fotografia é uma forma de comunicação. Quando estes senhores escrevem milhares de artigos a versar sobre apenas o material, nunca terminam um artigo a dizer que “O melhor e o mais adequado é sempre bom senso“. Assisto todos os dias a alunos a perguntar-me sobre equipamento sem sequer querer saber o que quer que seja acerca de reciprocidade. Isto é errado.

Ninguém, em parte alguma faz uma boa imagem apenas porque tem uma boa lente. As boas imagens são livros, formas de interpretação, de comunicação e exigem por isso conhecimento noutras áreas.

Conheço pessoas que se dizem fotógrafos porque estão atentos a todo o equipamento que sai para o mercado, mas quando são inquiridas acerca de Ezra Pound, julgam que é um planeta, quando a seguir se fala de Paul Strand pensam que é algum estilista. Eu dedico-me a ler sobre equipamento quando preciso de adquirir alguma coisa, e leio especificamente acerca disso.

A produção de artigos que existem sobre fotografia versa quase exclusivamente sobre equipamentos. Quem é que vos disse que os fabricantes de equipamentos são bons fotógrafos e constroem o mais adequado para a fotografia e não para ganhar dinheiro?

Claro que é mais fácil ensinar fotografia por via do equipamento. Mas… pensem bem… que vantagens isso traz para quem quer aprender?

Qual é a relevância da informação acerca das diferenças entre uma 50mm e uma 85mm? Se se ensinasse quais são as especificidades de uma e da outra não seria necessário andar depois a fazer estes comparativos.

Tudo aquilo que os senhores conseguem é que mais pessoas vão correr a adquirir mais equipamento de que não precisam para fazer mais imagem sem valor. Dêem-lhes as voltas que quiserem, a realidade é esta.

E se ensinassem um pouco de teoria da imagem, um pouco de Alfred Stieglitz e dos movimentos artísticos que atravessaram a história da fotografia, como neste caso o Pictoralismo e o Formalismo, ou os grupos de fotografia e as suas abordagens, como no caso o Photo Secession? E se transcrevessem algumas entrevistas dos Mestres?E se reflectissem acerca das reflexões dos Mestres? Se calhar dá mais trabalho, é preciso estudar para isso.

Pois, deixávamos de ter negócio!

Para falar de lentes não. Basta ir a um ou dois sites buscar a informação e depois escrever um texto. Às vezes é só mesmo copy/paste.

Estes artigos não fazem boa fotografia. Só atiram mais ruído.”

Deixo-vos também alguns retratos que fiz com uma objectiva 12-24mm. Imagens sem valor porque esta lente, segundo estes senhores, não é boa para retrato. 

Rui Campos

A Imagem Exprime Ideias

No que concerne à forma como eu utilizo a imagem fotográfica, procuro usá-la como uma forma de comunicação e uma forma se ser crítico para com a sociedade, sobretudo na disciplina da fotografia que mais me seduz, a fotografia de rua e quotidiano. De resto não concebo uma postura na fotografia que se caracterize pela aprendizagem de técnicas que depois se aplicam e replicam em situações-tipo criteriosamente procuradas unicamente com o objectivo de aplicar e replicar essas mesmas técnicas. Recorrendo a uma expressão popular, essa forma de estar na fotografia é para mim uma “Pescadinha de rabo na boca”, porque é redutora. Eu entendo a fotografia como uma forma viva de se estar, porque nos permite espelhar a sociedade nela própria em termos imediatos e oportunos. E quando quando se dispõe de uma método que nos permite observar, assistir e em simultâneo confrontar uma sociedade com ela própria, estamos perante um quase milagre da vida. É assim que eu entendo a fotografia. Com as naturais derivações, consequência de muitas vezes desenjoos ou simples mudanças de humor. Também é legítimo, claro que sim. Mas regresso sempre aos lugares onde sou feliz. E sou de facto muito Feliz a usar a fotografia como uma forma de comunicação.

A propósito desta forma de se recorrer à fotografia, hoje deixo-vos com três imagens minhas, aconchegadas por alguns excertos de escritos de Martine Joly.

Rui Campos

Martine Joly, na introdução do seu livro “Introdução à Análise da Imagem” deixa a seguinte reflexão:

Somos consumidores de imagens; daí a necessidade de compreendermos a maneira como a imagem comunica e transmite as suas mensagens; de facto, não podemos ficar indiferentes a uma das ferramentas que mais dominam a comunicação contemporânea. 

“(…) imagem (…) é um instrumento de comunicação, signo (…) “que exprime ideias” por um processo dinâmico de indução e interpretação:

Caracteriza pelo seu mecanismo (…) mais do que pela sua materialidade, o que explica (…) a delicadeza e a justiça do emprego múltiplo do termo «imagem»;

(…) trabalhar sobre imagem visual (fixa) é uma escolha e não uma necessidade, pois poderíamos trabalhar sobre a imagem sonora, ou sobre a imagem verbal, ou ainda sobra a imagem mental;

(…) não há ícone ou imagem puros (…) por conseguinte os seus empréstimos a outros tipos de signos são de ter em conta para estudar a interpretação induzida;

(…) o simples facto de se optar por se exprimir pela linguagem visual é determinante para a interpretação, pois esta opção põe em jogo tipos de associações mentais e campos associativos bem específicos, tais como o analógico, o qualitativo, o racional ou o comparativo.”

Martine Joly