1056,3 | In-Fólio do Museu da Guarda | 2018

Apresentou-se ontem à comunidade o 1056,3 | Infólio do Museu da Guarda, no Museu da cidade pelo Ex.mo senhor Director do Museu, o Professor, João Mendes Rosa e pelo Professor Victor Amaral, Vereador da cultura da Cãmara da Guarda, que tutela o Museu.

Este ano, o In-Fólio traz um artigo meu, intitulado “A dialética da Fotografia”. Faço a introdução ao artigo da seguinte forma:

“O presente texto assenta numa palestra proferida na Midland Group Gallery em Agosto de 1977. Quis recorrer ao Realismo porque me parece mais linear e, em simultâneo, aparentemente antagónico, porque existem um conjunto de outros factores que influenciam tanto aquilo que, supostamente, seria a simples função da fotografia como representação da realidade. Oportunamente, irei desenvolver este artigo porque me parece pertinente aprofundar, além da questão da dialécica, as questões que têm que ver com a contextualização e com a justificação destas opiniões. Infelizmente, há sempre dificuldades de espaço quando se escreve para publicações e a necessidade de se ser sucinto impera.

Redigir um texto desta natureza, a dois, é também um desafio e a prova de que a arte também precisa de se contradizer a ela própria. Não foi porém escolhido um qualquer técnico ou profissional de uma qualquer área, mas sim uma pessoa ligada à literatura, o poeta Jorge Velhote. E a escolha não foi de nenhum dos autores, foi antes um desafio para que duas pessoas que desconhecem amplamente o trabalho de cada uma se desafiem num espaço discursivo e a partir dele manifestem as suas opiniões que, concordantes ou discordantes, sejam sempre enriquecedoras. Porque me parece que este é de facto o único caminho lógico e óbvio para as artes. Coube-me a mim começar, dando o mote e lançando o desafio da temática. Cabe ao Jorge, a seguir, “entrar no texto” e fazer a sua intervenção. O “sorteio” ditou assim. É opção minha não voltar a este texto, antes de estar publicado. Gosto de surpresas.

Rui Campos

O artigo faz um périplo por considerações da Fotógrafa Berenice Abbot, pelo professor Jonh Tagg e por Max Raphael, historiador de Arte. Apresentaas reflexões destes autores acerca da forma como o fotógrafo inevitavelmente influencia a forma como a imagem é feita e de como a avaliação do trabalho fotográfico não se faz pela mera comparação do assunto.

Partindo destes pressupostos, apresentados pelos autores referidos, o artigo faz uma caracterização do contexto actual da fotografia e termina com a apresentação de um desafio, propondo um reajustar da dialéctica actual da fotografia como uma oportunidade para museus, cada vez mais virados para o exterior e para a interacção com as comunidades, como uma opotunidade que deve ser tida em conta, quer pela apetência que a fotografia tem junto das comunidades, quer pelo papel educativo que os museus desempenham, quer pela facilidade de, por via da fotografia estes se poderem projectar globalmente e sem grandes dificuldades além da vontade de concretizar.

Apfresento ainda no texto algumas imagens da minha autoria, as quais explico, à luz dos enunciados, procurando assim também explicar de que forma eu idealizo as abordagens para o meu trabalho a nível pessoal.

Ainda não li a segunda parte do artigo, a que foi redigida pelo meu querido Jorge Velhote. Não li por opção minha, pois escolhi não ler ntes de a “resposta” dele estar publicada.

Apesar de a proposta de redigir um texto a dois não ter sido minha, antes um desafio que nos foi feito pelo Professor João Mendes Rosa, foi inefitável pensar em Rosalind Krauss e nos seus Espaços Discursivos da Fotografia. Pareceu-me um desafio excelente, este de termos dois autores, de sensibilidades diferentes, oriundos de realidades e com especializações distintas a produzir enunciados acerca de um assunto que lhes é comum comum. Segundo a autora (Krauss), é por via da criação de Espaços Discursivos distintos e pela sua proposição com outros autores que se gera o crescimento. E por isso mesmo, para que a questão passe a ser de inevitável discussão e para que esta seja feita à moda antiga, sem “volta atrás”, escolhi não ler a resposta do querido Jorge antes de esta estar publicada.

Espero ter algum tempo este fim de semana para lhe dedicar a atenção devida e dar então feedback ao Jorge.

O Infólio traz ainda artigos de cariz científico de ilustres guardenses. Fica por isso aqui o convite para a sua aquisição, no Museu da Guarda.

Rui Campos

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