A Imagem Exprime Ideias

No que concerne à forma como eu utilizo a imagem fotográfica, procuro usá-la como uma forma de comunicação e uma forma se ser crítico para com a sociedade, sobretudo na disciplina da fotografia que mais me seduz, a fotografia de rua e quotidiano. De resto não concebo uma postura na fotografia que se caracterize pela aprendizagem de técnicas que depois se aplicam e replicam em situações-tipo criteriosamente procuradas unicamente com o objectivo de aplicar e replicar essas mesmas técnicas. Recorrendo a uma expressão popular, essa forma de estar na fotografia é para mim uma “Pescadinha de rabo na boca”, porque é redutora. Eu entendo a fotografia como uma forma viva de se estar, porque nos permite espelhar a sociedade nela própria em termos imediatos e oportunos. E quando quando se dispõe de uma método que nos permite observar, assistir e em simultâneo confrontar uma sociedade com ela própria, estamos perante um quase milagre da vida. É assim que eu entendo a fotografia. Com as naturais derivações, consequência de muitas vezes desenjoos ou simples mudanças de humor. Também é legítimo, claro que sim. Mas regresso sempre aos lugares onde sou feliz. E sou de facto muito Feliz a usar a fotografia como uma forma de comunicação.

A propósito desta forma de se recorrer à fotografia, hoje deixo-vos com três imagens minhas, aconchegadas por alguns excertos de escritos de Martine Joly.

Rui Campos

Martine Joly, na introdução do seu livro “Introdução à Análise da Imagem” deixa a seguinte reflexão:

Somos consumidores de imagens; daí a necessidade de compreendermos a maneira como a imagem comunica e transmite as suas mensagens; de facto, não podemos ficar indiferentes a uma das ferramentas que mais dominam a comunicação contemporânea. 

“(…) imagem (…) é um instrumento de comunicação, signo (…) “que exprime ideias” por um processo dinâmico de indução e interpretação:

Caracteriza pelo seu mecanismo (…) mais do que pela sua materialidade, o que explica (…) a delicadeza e a justiça do emprego múltiplo do termo «imagem»;

(…) trabalhar sobre imagem visual (fixa) é uma escolha e não uma necessidade, pois poderíamos trabalhar sobre a imagem sonora, ou sobre a imagem verbal, ou ainda sobra a imagem mental;

(…) não há ícone ou imagem puros (…) por conseguinte os seus empréstimos a outros tipos de signos são de ter em conta para estudar a interpretação induzida;

(…) o simples facto de se optar por se exprimir pela linguagem visual é determinante para a interpretação, pois esta opção põe em jogo tipos de associações mentais e campos associativos bem específicos, tais como o analógico, o qualitativo, o racional ou o comparativo.”

Martine Joly