Amazing World

Comecei finalmente a trabalhar no meu livro “Amazing World“, o qual espero que venha a ser lançado em maio próximo. É um livro que estou a fazer desde a raiz. É um risco um fotógrafo fazer um livro acerca do seu trabalho e tratar da sua construção em todas as facetas, desde a linha gráfica, passando pelos textos (obviamente que a revisão dos textos pedirei a terceiros que a façam) e até à selecção das imagens. E, pode parecer um contra senso, mas a questão da selecção das imagens será sempre a tarefa mais difícil, porém um exercício fascinante este de estar permanentemente a lutar entre a imagem que melhor se adequa à linha gráfica e aquela que o fotógrafo gosta mais. A verdade é que é de facto um dos exercícios mais difíceis que um fotógrafo pode fazer. 

Quanto a conteúdos, bem, outro contra senso. O que é normal é que um fotógrafo escolha um tema e seleccione imagem obedecendo a esse tema. E eu, como alguns sabem, afirmo muitas vezes que a fotografia para mim é uma inquietação demasiado grande para que eu possa simplesmente permitir-me poder ver o Mundo inteiro e escolher vê-lo a partir de uma janela. Por isso encaro este livro como um qualquer passeio, no qual me permito a liberdade de não me cingir a um único género dentro da fotografia, mas beneficio de todos eles, tendo com isso a oportunidade de ver o Mundo sem espartilhos.

Para este livro tenho também alguns amigos e personalidades convidados. E pretendi pessoas dentro e fora da fotografia, numa tentativa de estabelecer uma reflexão acerca do que é afinal isto da fotografia, fora no entanto da dialética comum e redutora do equipamento, da técnica e das regras mas, mais ao género de John Berger:

“Seeing comes before words. The child looks and recognizes before it can speak. But there is also another sense in which seeing comes before words. It is seeing which establishes our place in the surrounding world: we explain that word with  word, but words can never undo the fact that we are surrounded by it. The relation between what we see and what we know is never settled (…) the way we see things is affected by the way we know or what we believe.”

Esta questão da dialética é também um mote para duas coisas relevantes que irão acontecer em 2019.

Rui Campos

4 Replies to “Amazing World”

  1. caro Rui,
    parabéns pela iniciativa e coragem para levar o projecto a bom porto (ou seja, publicá-lo).
    fica já aqui a minha reserva de um exemplar, assinado, claro!😀
    abraço!
    Francisco

  2. Escrever um livro é talvez uma das melhores aventuras…
    Felicito-o por mais esta iniciativa, tanto mais por se tratar de um fotógrafo que, em princípio, vê a realidade por antecipação.

    1. Obrigado, professor por tao simpaticas e encorajadoras palavras. Este é o primeiro de dois livros que espero realizar em 2019. Nenhum deles terá de facto texto intenso, mas terão, pelo menos assim espero, imagens que espero que convidem os leitores a lê-las vomo se de livros se tratassem 🙂

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