#AmazingWorld – Já saíram os primeiros Convites.

Enviei ontem os primeiros convites para o projecto #AmazingWorld.. Transcrevo o convite que ontem enderecei a pessoas diversas, mais ou menos próximas, que acompanham de alguma forma o meu trabalho, que fazem parte do meu passado, presente e farão com toda a certeza parte do meu futuro. Pessoas de tidas as áreas e de todas as sensibilidades.

Arranca assim o #AmazingWorld. A ver se daqui a 8 anos o tenho então concluído. 😉

Convite:

Para mim, um livro de fotografia, feito por um fotógrafo sempre me pareceu (agora na era digital) uma espécie de funeral. As expressões “virar a página”, ou “fechar um capítulo” têm um sentido que implica rompimento com um passado, com uma circunstância, ou se quiseres, com o início de uma nova aventura. E eu tenho encarado a circunstância do livro d e fotografia por aí. O trabalho de um fotógrafo não é estanque, está em constante evolução, em constante mutação. Imprimi-lo num livro onde irá permanecer eternamente imutável não está de acordo com aquilo que se espera que seja a obra de um fotógrafo. Por estas razões nunca, até recentemente, tinha pensado no lançamento de um livro. Pensei várias vezes, mais lá para o Outono da vida,deixar um qualquer esboço com uma selecção de imagens que alguém pudesse materializar um dia, se achasse que tal seria pertinente.

Porém a vida dá voltas e eu gosto que assim seja.Fundamentalmente a minha opinião acerca de livros de fotografia mantém-se. Acontece que recentemente fiz parte de uma equipa de trabalho, num evento de dimensão relevante,no qual, entre outras coisas, foram apresentados diversos livros. E percebi que um livro de fotografia pode ser também uma celebração. E por aí agrada-me a ideia de compilar o meu trabalho em livro.  Mas só aceito compilar o meu trabalho em livro por um conjunto de razões e com um conjunto de propósitos criteriosamente definidos e dos quais não estou disposto a abrir mão. Foi por isso que, depois de pensar para mim próprio em que condições eu estaria disposto a fazer o lançamento de um livro com trabalho meu, e de saber a resposta a essa questão que decidi enveredar por este caminho. A primeira condição é que todo o processo, desde o design até à construção seja feito por mim, sendo que a gráfica que for seleccionada apenas terá de fazer a impressão e montagem. A segunda condição é a de que, ainda que haja uma editora envolvida, a gestão do processo passe por mim e não por terceiros.

Acontece que para servir estes propósitos, para que um livro espelhe a dimensão multifacetada do meu trabalho enquanto fotógrafo, para que haja uma linha condutora, uma coerência e uma linha estética coesa, preciso de lançar 16 livros.

Nasce assim o projecto #AmazingWorld. Porque o meu trabalho é predominantemente figurativo e este Mundo que habitamos é de facto fantástico e em todas as suas dimensões. Até, por incrível que pareça, a humana.Numa primeira fase, na ternura dos 40, irei lançar 8 livros, temáticos, com 250 páginas cada, a serem lançados no período de 8 anos (o ciclo encerrará no meu 50º aniversário). Que, no seu conjunto, espelhem a verdadeira dimensão do meu trabalho enquanto fotógrafo que sempre quis ser multifacetado, ao contrário da tendencial especialização destes, e com um arquivo suficientemente vasto, bom e coeso. A única forma de publicar um trabalho que revisite toda esta minha circunstância é em 8 volumes temáticos. Perdoem-me os meus amigos a vaidade,mas é verdade, o meu trabalho é suficientemente bom e vasto e só faz sentido ser publicado desta forma.

Passo a explicar:

não poderia misturar num mesmo volume fotografia de concerto e espectáculo (a cores), com fotografia de paisagem a preto e branco,com fotografia de retrato e documental. Não iria funcionar e não me parece que alguém iria querer adquirir um livro estruturado desta forma e demasiado grande,até por questões de custo e funcionais. Estabeleci por isso um número mínimo de 200 imagens para que dentro de uma qualquer disciplina da fotografia, um livro acerca do meu trabalho pudesse ser verdadeiramente representativo (e de facto consigo com relativa facilidade seleccionar 200 imagens verdadeiramente boas em cada uma destas dimensões). Ora, um único livro com 8 ou 9 capítulos, a 200 imagens cada um, teria de ter mais de 1600 páginas. Justifica-se desta forma a opção por 8 volumes.

O meu trabalho não tem valor absolutamente nenhum sem o público que o valoriza e que o considera. E é precisamente esta a razão do meu convite. O primeiro exemplar do projecto #AmazingWorld é uma espécie de selecção dos sócios, para recorrer ao léxico dos vinhos. Serão as pessoas que receberem este convite que irão selecionar as imagens que constarão no primeiro volume. É a minha forma de vos dizer obrigado, e de mostrar ao mundo que tenho consciência de que sem o público eu não seria ninguém enquanto fotógrafo.

Também porque não tenho conhecimento de alguma vez um fotógrafo ter entregue desta forma o seu destino àqueles em quem de facto ele está a pensar quando lança a publicação, lá está,o Público. Simplesmente parece-me que existe aqui uma espécie de inconsistência.Um fotógrafo edita um livro com obra sua, a pensar no público, mas não lhe diz

“pronto, já que sãoos senhores que dizem quais das minhas imagens vão ser famosas ou não, entãovenham para aqui, para o antes e escolham vocês as imagens que vamos publicar,”

Eu posso considerar uma qualquer imagem verdadeiramente boa, mas é de facto o público que a consagra ou não como verdadeiramente boa. Assim sendo, não posso pensar no #AmazingWorld sem pensarem primeiro lugar naqueles que ditam a razão da existência do meu trabalho.

É por isso que venho por este meio convidar-te para que faças parte do painel de co-autores do primeiro volume do #AmazingWorld. Ao responderes afirmativamente ao desafio, ir-te-ei dar acesso a curto prazo a um conjunto de imagens, de entre as quais poderás seleccionar apenas três, e em relação a cada uma delas deverás redigir um texto que justifique a sua escolha.Cada texto deverá ter no máximo 100 palavras.

Os seguintes volumes do #AmazingWorld, a lançar nos anos seguintes já estão mais ou menos definidos, poderá, claro está, haver alterações na ordem de lançamento, mas já está tudo definido.

No final, para encerrar o ciclo, desejo publicar, no meu 50ª aniversário um t«livro mais antológico mas que seja mais a minha voz,menos fotografia. Mais ensaísta, e que incidirá acerca da forma como eu vejo e encaro a fotografia, na minha dialética e no meu processo de desenvolvimento fotográfico. Uma espécie atilho, de conclusão, que irá conferir coesão ao projecto e que irá sendo construído ao longo deste tempo.

Mais tarde, como já referi, lá para o Outono da vida,espero poder vir a reeditar estas 8 obras e deixar assim uma verdadeira obra antológica acerca do meu trabalho e que espelhe o meu percurso de vida enquanto fotógrafo. E estou certo e perfeitamente consciente de que as 8 obras a editar daqui a, no mínimo duas décadas, se sobreviver à tirania do tempo, serão completamente diferentes dos primeiros, que irei dar início agora.

Grato pela atenção dispensada.

Rui Campos.

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