Exposição Colectiva de Gravura Contemporânea “Discursos”

A Associação Campos d’Arte (ACd’A), na persecussão dos seus objectivos e com o apoio do Município de Foz Côa e do Museu Regional da Guarda, dinamizou em Foz Côa a Exposição Colectiva de Gravura Contemporânea “Discursos”, que integra trabalhos dos seguintes autores:

Amélia Soares, Ana Galvão, António Navarro, Célia Bragança, João Carvalho, Luís Afonso, Manuel Lopes, Manuela Cristóvão, Margarida Lourenço, Nazaré Almadanim, Nuno Abelho, Palmira Pires,Rute Campanha e Vanda Sim Sim. 

A exposição está integrada no 3º Salão “Aberto Para Obras”, o Salão de Outono da Cidade da Guarda que no ano de 2018, consequência da expansão do SIAC3 para Vila Nova de Foz Côa, Expandiu também para Foz Côa, onde vai estar patente até 8 de Janeiro.

Deixo umas imagens da exposição na esperança de que se motivem a visitar  exposição que está patente na sala principal da Galeria de Arte do Centro Cultural de Foz Côa. 

De seguida, e sempre com a finalidade de cumprir os objectivos estatutários da ACd’A, deixo umas umas considerações acerca da noção de gravura e das diferentes vertentes que esta engloba. 

O que é gravura?

Segundo o site gravura contemporânea, de onde retirei este texto, a gravura “é uma linguagem visual que é obtida a partir da impressão em um papel de uma imagem proveniente de uma matriz que pode ser de madeira, metal,  pedra, tecido ou arquivo digital. A gravura é dividida basicamente em 4 tipos: a xilogravura, gravura originada da madeira, a gravura em metal que é feito a partir de uma chapa de metal, a litogravura que é uma gravura proveniente da pedra e a serigrafia que é criada de uma tela stencil.”

Xilogravura

A base da xilogravura é a madeira entalhada. Sulcos são feitos em uma tábua de tronco de árvore que formam o desenho ou o texto que se deseja imprimir. A imagem que fica em cima é a imagem que será impressa. Se a imagem tiver mais de uma cor, diferentes tábuas são esculpidas de forma que coincidam e formem uma só imagem no papel.

Gravura em metal

A base é uma folha de metal que é esculpida com a imagem a ser impressa. A tinta entra nos sulcos (baixo-relevo) que quando entra em contato com o papel era absorvida oferecendo ilustrações mais finas que as produzidas pelo entalhe de madeira. Foi utilizada no século XIX pelos cartógrafos, que podiam “atualizar” os mapas, porque o metal era de fácil manuseio. Além disso, a matriz de metal era resistente, suportando muitas cópias antes de se desgastar.

Gravura a buril

Era utilizado o buril sobre uma chapa de cobre ou latão. O buril é uma pequena barra de aço com ponta afiada e cabo arredondado (figura 5). É o buril que vai fazer os sulcos na chapa de metal e o raspador é utilizado para tirar as rebarbas do metal escavado para que não interfira na impressão.

A imagem deve ser reversa a que deve aparecer no papel.

A ponta seca

O desenho era riscado com uma agulha de aço sobre uma chapa de cobre ou zinco.

“Cidade fantástica” gravura à ponta-seca, 1961. Darel Valença.


A água-forte

Uma chapa de metal coberta com uma camada de um preparado, que é uma mistura de verniz, asfalto e betume, é riscada. Depois, mergulha-se a chapa em uma solução que corrói onde foi riscado e que vai ser onde a tinta vai ser depositada na hora da impressão.

Litografia

A pedra lisa é a matriz da litografia. Sobre ela, um desenho é feito com material gorduroso que pode ser algo a base de cera como giz ou lápis, ou tinta. A pedra de rocha calcária é tratada com uma goma arábica ácida que a torna porosa e bem absorvente. A porosidade da pedra permite que ela absorva água que é repelida pelo desenho. Por sua vez, o desenho absorve a tinta que é repelida pela pedra encharcada de água. O papel colocado sobre a matriz e pressionado, absorvendo só a tinta.

Serigrafia

Serigrafia é a impressão de gravuras através de uma tela que pode ser de seda, nylon ou polyester.

Essa tela é emulsionada com material fotosensível e exposta a uma luz que endurece as partes que não ficaram cobertas pela imagem. Depois de lavada, ela permite que a tinta que é passada com uma espécie de rodo, passe pela tela e fixe no suporte que pode ser papel, tecido ou outro material.

A serigrafia foi incorporada às técnicas gráfica no século XX.

Siglas utilizadas para denominar a tiragem da gravura.

Antigamente, não havia uma tiragem determinada pelo artista. Ele reproduzia a gravura de acordo com a demanda de venda. Quando a matriz ficava gasta, ele retocava e continuava a tirar cópias. Isso comprometia muitas vezes a qualidade da imagem. Hoje, o artista define quantas cópias vão ser feitas do mesmo trabalho e as numera e assina.

Normalmente, ele coloca no canto inferior esquerdo o número da cópia e o número da tiragem. Ex: 1/10 significa que é a primeira cópia de uma tiragem de 10 cópias.

A assinatura do artista fica no canto direito inferior. No meio dos dois, se escreve o nome da obra.

Não há valores diferentes para as cópias. Antigamente esse pensamento era pertinente porque não havia uma definição de número de cópias e as últimas poderiam ficar comprometidas pelo desgaste da matriz. Mesmo assim, a qualidade de uma gravura só seria possível se fizesse uma comparação entre cópias, oportunidade quase impossível para um coleccionador de gravuras.

Normalmente o artista faz todo o processo, da criação a impressão da gravura. Mas hoje com os profissionais mais qualificados o serviço pode ser delegado a um terceiro. Esse profissional faz o trabalho de reprodução e é aprovado pelo artista que numera e assina as obras de próprio punho. O artista pode pedir uma tiragem a mais do trabalho que pode ser para seu arquivo, exposição, presentear ou enviar ao depositário legal.

Essas cópias extras têm o mesmo valor das demais e geralmente não ultrapassam a uma dezena de exemplares.

Se o profissional imprimir mais cópias sem o conhecimento do artista, ele está cometendo uma fraude. E pode ser comprovado pela falta de assinatura do artista.

Se uma segunda tiragem for feita com aprovação do artista, é uma questão de ética colocar um B ou II após a  numeração.

Outra sigla usada é a P.E. no lugar da numeração. Ela indica Prova de Estado. As provas de estado são o registro da criação, o passo a passo da colocação de cores.

P.A.
é  a Prova do Artista, que é aproximadamente 10% do número da tiragem.

P.I.
é a Prova do Impressor. Quando quem imprime o trabalho não é o artista. Em alguns casos, o impressor é co-autor da obra e convidado pelo artista a coassinar com ele.

H.C.
ou Hors Commerce são cópias não comerciáveis, que são dadas e não podem ser vendidas.

H.S.
Hors Serie, ou F/N fora de numeração é uma reprodução sem tiragem, que pode  até ser única.

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