Garry Gross (1937-2010)

Garry Gross – Auto Retrato

Cumprem-se hoje oito anos do desaparecimento de Garry Gross, um fotógrafo de moda americano com trabalho publicado em capas como a GQ, Cosmopolitan, e a New York Magazine. Nasceu no bairro do Bronx, em Nova Iorque. Foi aprendiz de Francesco Scavullo e de James Moore. Foi também aluno de Lisette Model e de Richard Avedon

Garry Gross gerou uma enorme controvérsia por causa de uma série de fotografias que fez a Brooke Shileds, então com apenas 10 anos de idade. As imagens apresentavam aquela que viria a tornar-se famosa dois anos mais tarde com o filme “Pretty Baby”, de Louis Malles, nua numa banheira, foram publicadas na Sugar ‘n’ spice, uma revista do universo Playboy
, em 1981. A actriz tentou prevenir o uso das imagens, mas dois anos depois um tribunal decretou que, como Gross não violou as leis da pornografia infantil, o fotógrafo tinha o direito de as continuar a vender. 

Mais tarde o fotógrafo especializou-se no retrato de cães, depois de se ter certificado no treino destes animais, em 2002. O seu ensaio “Aging Dogs”, no qual apresentou imagens de cães de idade avançada, deu nas vistas no Mundo inteiro, tendo servido de base para a publicação do livro “Beautiful Old Dogs. A Loving Tribute to Our Senior Best Friends”.  publicado o livro 

Morreu em Nova Iorque, em 30 de novembro de 2010.

Esta biografia foi traduzida e adaptada por mim, a partir daquela que consta do site artnet.com

Procurei e vi as imagens que Gross fez à então criança Brooke Shields. Garantidamente não têm nada de sexual ou pedófilo Trata-se apenas de uma sessão fotográfica de uma criança de 10 anos numa piscina. Pessoalmente acho que estas conotações lhes são dadas (e erradamente) pelas pessoas. Felizmente as redes sociais garantem voz e por igual a literalmente todas as pessoas, e até os mais moralistas têm o direito de viver e se manifestar, como tal, e para prevenir ataques destes moralistas, e, claro está, para respeitar os direitos da imagem da senhora (não que considere que isso afecte alguém que é famoso desde 1978),  publico as imagens da criança de 10 anos, pese embora de forma a que estas não sejam explícitas. É claro que não vai ser por eu desfocar estas imagens que elas não vão ser procuradas na net. E muito menos que sejam os que mais tarde as irão considerar pedofilia os primeiros a procurá-las. Mas pronto, assim entretêm-se por algum tempo.

Ainda assim, não poderia deixar de assinalar a data do desaparecimento deste, apesar de tudo, talentoso fotógrafo. 

Rui Campos

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Centésimo Aniversário da Olympus

Para o ano que vem, em Outubro, irá celebrar-se o centésimo aniversário da Olympus. E este fabricante lembrou-se de celebrar esta efeméride de uma forma que agora parece óbvia, mas considero que dificilmente ocorreria a alguém. 

No site do fabricante anuncia-se a iniciativa desta forma:

“Em outubro de 1919, Takeshi Yamashita fundou a empresa que conhecemos hoje como a Olympus, especializada na fabricação de microscópios e termómetros. Com 100 anos de história, a história de excelência da Olympus continua com uma série de câmaras mirrorless premiadas e lentes de alta qualidade. Alcançar a grande velhice de 100 anos é obviamente algo que deve ser celebrado. E, embora a Olympus não receba um cartão de aniversário da Rainha, gostaríamos de marcar nosso centenário celebrando com colegas centenários de uma maneira única. Encomendámos a um grupo de Embaixadores fotográficos da Olympus a elaboração de retratos de centenários nascidos em 1918 e 1919, com os resultados reunidos num livro comemorativo e acompanhando a exposição na nossa galeria de arte em Londres.”

De facto, genial. Eu, se tivessealguém próximo com esta simpática idade iria com toda a certeza candidatar essa pessoa ao projecto por considerar que esta é uma belíssima forma de imortalizar essa pessoa. 

Rui Campos

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13/11 – Wasmo X. Wasmo

Waswo X. Waswo nasceu em Milwaukee, Wisconsin, nos EUA, faz hoje, 13 de Novembro, 65 anos.

Estudou na Universidade de Wisconsin-Milwaukee, no Centro de Fotografia de Milwaukee e no Studio Marangoni, no Centro de Fotografia Contemporânea de Florença, Itália.

O seu livro, India Poems: The Photographs, publicado pela Gallerie Publishers em 2006, está disponível em todo o mundo. O artista vive e viaja na índia há mais de dez anos e já morou em Udaipur, Rajasthan, nos últimos cinco anos, onde colabora com uma variedade de artistas locais, incluindo o foto-colorista Rajesh Soni. Também produziu uma série de pinturas autobiográficas em miniatura em colaboração com o artista R. Vijay.

Waswo é representado na Índia pela Gallerie Espace, Nova Delhi, e pela Serindia Gallery, em Bangkok, na Tailândia.

O Hindustan Times refere-se a ele, num artigo publicado em 25 de Abril passado, da seguinte forma:

Um vendedor de penas caminha com uma bicicleta carregada de penas de pavão. Um homem de turbante com ghungroos nos pés posa com uma arma. Um menino recria a postura icónica de Hanuman carregando a montanha Sanjeevani.

Estas são algumas das imagens da Photowallah, a mais recente exposição do artista americano Waswo X Waswo (63), de Udaipur. As imagens de Waswo são feitas através de um processo elaborado onde ele faz com que pessoas comuns posem para ele.

É como teatro, uma performance cooperativa. Nós denominamos as pessoas que posam para nós como modelos”, diz ele.

Os papéis que desempenham são baseados em pessoas que ele conhece na aldeia de Varda, nos arredores de Udaipur, onde tem o seu estúdio. Os cenários pintados retratam a folhagem e as montanhas e inspiram-se no cenário exagerado dos antigos estúdios fotográficos.

Waswo fotografa imagens digitais em monocromático, que são depois pintadas à mão pelo artista local Rajesh Soni (34) usando aquarelas.

Enquanto Waswo sempre foi um “purista do preto e branco”, ele afirma que o seu encontro com Soni o fez mudar de opinião. Por acaso, o avô e o pai de Soni costumavam pintar à mão fotografia para a família real de Udaipur.

“De certa forma, estamos a dar uma nova vida a uma arte antiga”, diz Soni.

A exposição apresenta três proeminentes séries de trabalhos de Waswo – Gauri Dancers, A Studio in Rajasthan e New Myths. Gauri Dancers apresenta imagens de artistas masculinos de Mewar (pertencentes à tribo Bhil) que vão de aldeia em aldeia interpretando contos de épicos.
Studio in Rajasthan apresenta cenas encenadas filmadas no estúdio Varda; enquanto New Myths apresenta pessoas vestidas como divindades.

Atrás das Cenas:

Waswo (que escolhe não explicar seu nome exclusivo) costumava ser fotógrafo em Milwaukee, nos EUA. Curioso acerca da Índia, visitou Delhi e Udaipur em 1993.

“Eu não sabia nada sobre Delhi. era ingénuo, eu nem tinha lido My Lonely Planet” afirma.

Em Delhi, foi abordado por um motorista de requixó, que o levou a um agente de viagens.

“O agente vendeu-me um pacote de viagem de 10 dias para Udaipur. Eu amei a cidade. Tem um lugar especial no meu coração ”, acrescenta.

Consequentemente, fez várias viagens à Índia antes de se estabelecer em 2003. Hoje vagueia entre o seu apartamento em Banguecoque, seu estúdio em Varda e a sua casa em Udaipur.

As pessoas chamam-me artista americano, mas eu considero-me um artista indiano”.

Presente Perfeito:

Enquanto os críticos acusam Waswo de propagação de estereótipos sobre a Índia, ele permanece imperturbável.

“Estas são fotos contemporâneas. Eu não vivo no passado; Euvivo no presente, em Udaipur, que é um lugar diferente. Esta é a vida real ”

Ele também esclarece que as obras não são representações etnográficas de uma comunidade, mas sim uma fantasia encenada.

Eu olho fotos antigas e as pessoas parecem tristes, como espécimes. Eu tento ter alguma vida em minhas fotos, algum personagem e personalidade”.

O trabalho de Waswo pode estar focado na Índia, mas ajudou-o a ganhar reconhecimento em todo o mundo. As suas fotografias foram exibidas em Amsterdão e Paris, entre outras cidades.

“A Índia tem sido boa para mim. Depois que vim para cá, tornei-me conhecido nacional e internacionalmente ”

Deixo a seguir o Documentário “A Studio in Rajasthan”, um documentário acerca da sua obra, para quem quiser conhecer melhor a obra deste fotógrafo-artista.. 

Rui Campos

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Arthur Mitchell

Pessoalmente, talvez por defeito de formação, não conheço melhor forma de prestar homenagem a uma pessoa do que dizer-lhe o último adeus com uma retrospectiva fotográfica.

A fotografia, tem esta capacidade fascinante de guardar memórias e em simultâneo de ser seu catalizador, despoletando-as. Escrevo acerca desta característica da fotografia há imenso tempo e a cada dia que passa é de facto a sua característica que mais me prende a atenção.

Ao reunir imagens de uma pessoa que faleceu estamos a trazer para o presente a evidência da relevância da sua vida passada, ao passo de que quando lhe dedicamos palavras em obituários, estamos apenas a referir essa relevância.

Acredito que pouco a pouco iremos perder esta possibilidade de evidenciar a relevância das pessoas, pela facilidade com que hoje se regista tudo em imagens que depois não são filtradas, seleccionadas ou sequer convenientemente arquivadas e catalogadas. Simplesmente desaparecem na maior parte dos casos de cada vez que se troca um equipamento por outro. Estou a referir-me aos massificados aparelhos telefónicos. Outra grande parte dos registos de imagem que são efectuados ao longo das nossas vidas vão-se perdendo com a obsolescência e avaria dos restantes equipamentos de armazenamento e computadores pessoais. Esta realidade faz com que um dia todos nós desejemos compilar memória de algum ser querido tal tarefa, que aparentemente super fácil e simples de inicio, transforma-se numa verdadeira dor de cabeça, vazando inclusivamente para terceiros, quando se procuram imagens de alguém que faleceu recentemente. Pura e simplesmente são extremamente difíceis de encontrar.

Este paradigma parece-me óbvio, quando nos dedicamos uns minutos a pensar nele. Parece óbvio porque de facto, muito pouca gente se dá ao trabalho de entender as imagens que recolhem todos os dias, a perceber a utilidade que elas podeão vir a ter um dia, cumprindo assim a função de testemunho de evidência, e com isto a pensar duas vezes em como devem fazer esse registo, conferindo-lhe a relevância que seria suposta. Por outro lado, a quantidade de registos é tanta que pura e simplesmente não há paciência para fazer selecções ou constituir um arquivo minimamente estruturado. É daquelas coisas que apenas são importantes quando se percebe as oportunidades que se perdem dia-a-dia ao longo das nossas vidas. Em suma, temos a oportunidade de registar a evidência da relevância das nossas vidas, mas porque é demasiado simples, acabamos por a menosprezar até ser demasiado tarde. 

Fonte: https://blackexcellence.com/remembering-arthur-mitchell-first-black-dancer-to-join-new-york-city-ballet/

Arthur Mitchell faleceu ontem, com 84 anos.

Para quem não sabe quem foi, foi um bailarino negro, carinhosamente apelidado de “avô da diversidade”. Fundador da Dance Theater of Harlem, a primeira escola negra de ballet e num bairro desfavorecido.

E eu não vou passar aqui em revista a sua vida. Isto é um site de fotografia, como tal, vou apresentar aqui imagens da vida do bailarino. Se elas forem suficientemente boas e descritivas da sua obra para aqueles que estiverem dispostos a ver e observar cada uma delas, talvez fiquem curiosos por saber quem foi este senhor e partam á descoberta.

Aceitam o desafio?

Arthur Mitchell and George Balanchine. Photo by Martha Swope, courtesy NYPL for the Performing Arts.
Arthur Mitchell and Diana Adams rehearse Agon. Photo Martha Swope, courtesy NYPL for the Performing Arts
Mitchell originated the role of Puck in Balanchine’s A Midsummer Night’s Dream. Photo by Oleaga Photography, Courtesy DM Archives
A studio outreach class at the Dance Theater of Harlem in the 1970s.CreditArthur Mitchell Collection, Rare Book & Manuscript Library, Columbia University
Arthur Mitchell at Columbia’s Lenfest Center for the Arts on 129th Street, where “Arthur Mitchell: Harlem’s Ballet Trailblazer” opens on Jan. 13.CreditCreditMichael Kirby Smith for The New York Times
Creole Giselle (Virginia Johnson and Eddie J. Shellman), 1980s. Photo Courtesy of Dance Theatre of Harlem
DTH in Creole Giselle (with corps dancers crossing their arms like a balletic Wakanda salute)
Mitchell watching a rehearsal. Photo by Marbeth, courtesy of Dance Theatre of Harlem

Rui Campos

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