1056,3 | In-Fólio do Museu da Guarda | 2018

Apresentou-se ontem à comunidade o 1056,3 | Infólio do Museu da Guarda, no Museu da cidade pelo Ex.mo senhor Director do Museu, o Professor, João Mendes Rosa e pelo Professor Victor Amaral, Vereador da cultura da Cãmara da Guarda, que tutela o Museu.

Este ano, o In-Fólio traz um artigo meu, intitulado “A dialética da Fotografia”. Faço a introdução ao artigo da seguinte forma:

“O presente texto assenta numa palestra proferida na Midland Group Gallery em Agosto de 1977. Quis recorrer ao Realismo porque me parece mais linear e, em simultâneo, aparentemente antagónico, porque existem um conjunto de outros factores que influenciam tanto aquilo que, supostamente, seria a simples função da fotografia como representação da realidade. Oportunamente, irei desenvolver este artigo porque me parece pertinente aprofundar, além da questão da dialécica, as questões que têm que ver com a contextualização e com a justificação destas opiniões. Infelizmente, há sempre dificuldades de espaço quando se escreve para publicações e a necessidade de se ser sucinto impera.

Redigir um texto desta natureza, a dois, é também um desafio e a prova de que a arte também precisa de se contradizer a ela própria. Não foi porém escolhido um qualquer técnico ou profissional de uma qualquer área, mas sim uma pessoa ligada à literatura, o poeta Jorge Velhote. E a escolha não foi de nenhum dos autores, foi antes um desafio para que duas pessoas que desconhecem amplamente o trabalho de cada uma se desafiem num espaço discursivo e a partir dele manifestem as suas opiniões que, concordantes ou discordantes, sejam sempre enriquecedoras. Porque me parece que este é de facto o único caminho lógico e óbvio para as artes. Coube-me a mim começar, dando o mote e lançando o desafio da temática. Cabe ao Jorge, a seguir, “entrar no texto” e fazer a sua intervenção. O “sorteio” ditou assim. É opção minha não voltar a este texto, antes de estar publicado. Gosto de surpresas.

Rui Campos

O artigo faz um périplo por considerações da Fotógrafa Berenice Abbot, pelo professor Jonh Tagg e por Max Raphael, historiador de Arte. Apresentaas reflexões destes autores acerca da forma como o fotógrafo inevitavelmente influencia a forma como a imagem é feita e de como a avaliação do trabalho fotográfico não se faz pela mera comparação do assunto.

Partindo destes pressupostos, apresentados pelos autores referidos, o artigo faz uma caracterização do contexto actual da fotografia e termina com a apresentação de um desafio, propondo um reajustar da dialéctica actual da fotografia como uma oportunidade para museus, cada vez mais virados para o exterior e para a interacção com as comunidades, como uma opotunidade que deve ser tida em conta, quer pela apetência que a fotografia tem junto das comunidades, quer pelo papel educativo que os museus desempenham, quer pela facilidade de, por via da fotografia estes se poderem projectar globalmente e sem grandes dificuldades além da vontade de concretizar.

Apfresento ainda no texto algumas imagens da minha autoria, as quais explico, à luz dos enunciados, procurando assim também explicar de que forma eu idealizo as abordagens para o meu trabalho a nível pessoal.

Ainda não li a segunda parte do artigo, a que foi redigida pelo meu querido Jorge Velhote. Não li por opção minha, pois escolhi não ler ntes de a “resposta” dele estar publicada.

Apesar de a proposta de redigir um texto a dois não ter sido minha, antes um desafio que nos foi feito pelo Professor João Mendes Rosa, foi inefitável pensar em Rosalind Krauss e nos seus Espaços Discursivos da Fotografia. Pareceu-me um desafio excelente, este de termos dois autores, de sensibilidades diferentes, oriundos de realidades e com especializações distintas a produzir enunciados acerca de um assunto que lhes é comum comum. Segundo a autora (Krauss), é por via da criação de Espaços Discursivos distintos e pela sua proposição com outros autores que se gera o crescimento. E por isso mesmo, para que a questão passe a ser de inevitável discussão e para que esta seja feita à moda antiga, sem “volta atrás”, escolhi não ler a resposta do querido Jorge antes de esta estar publicada.

Espero ter algum tempo este fim de semana para lhe dedicar a atenção devida e dar então feedback ao Jorge.

O Infólio traz ainda artigos de cariz científico de ilustres guardenses. Fica por isso aqui o convite para a sua aquisição, no Museu da Guarda.

Rui Campos

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Garry Gross (1937-2010)

Garry Gross – Auto Retrato

Cumprem-se hoje oito anos do desaparecimento de Garry Gross, um fotógrafo de moda americano com trabalho publicado em capas como a GQ, Cosmopolitan, e a New York Magazine. Nasceu no bairro do Bronx, em Nova Iorque. Foi aprendiz de Francesco Scavullo e de James Moore. Foi também aluno de Lisette Model e de Richard Avedon

Garry Gross gerou uma enorme controvérsia por causa de uma série de fotografias que fez a Brooke Shileds, então com apenas 10 anos de idade. As imagens apresentavam aquela que viria a tornar-se famosa dois anos mais tarde com o filme “Pretty Baby”, de Louis Malles, nua numa banheira, foram publicadas na Sugar ‘n’ spice, uma revista do universo Playboy
, em 1981. A actriz tentou prevenir o uso das imagens, mas dois anos depois um tribunal decretou que, como Gross não violou as leis da pornografia infantil, o fotógrafo tinha o direito de as continuar a vender. 

Mais tarde o fotógrafo especializou-se no retrato de cães, depois de se ter certificado no treino destes animais, em 2002. O seu ensaio “Aging Dogs”, no qual apresentou imagens de cães de idade avançada, deu nas vistas no Mundo inteiro, tendo servido de base para a publicação do livro “Beautiful Old Dogs. A Loving Tribute to Our Senior Best Friends”.  publicado o livro 

Morreu em Nova Iorque, em 30 de novembro de 2010.

Esta biografia foi traduzida e adaptada por mim, a partir daquela que consta do site artnet.com

Procurei e vi as imagens que Gross fez à então criança Brooke Shields. Garantidamente não têm nada de sexual ou pedófilo Trata-se apenas de uma sessão fotográfica de uma criança de 10 anos numa piscina. Pessoalmente acho que estas conotações lhes são dadas (e erradamente) pelas pessoas. Felizmente as redes sociais garantem voz e por igual a literalmente todas as pessoas, e até os mais moralistas têm o direito de viver e se manifestar, como tal, e para prevenir ataques destes moralistas, e, claro está, para respeitar os direitos da imagem da senhora (não que considere que isso afecte alguém que é famoso desde 1978),  publico as imagens da criança de 10 anos, pese embora de forma a que estas não sejam explícitas. É claro que não vai ser por eu desfocar estas imagens que elas não vão ser procuradas na net. E muito menos que sejam os que mais tarde as irão considerar pedofilia os primeiros a procurá-las. Mas pronto, assim entretêm-se por algum tempo.

Ainda assim, não poderia deixar de assinalar a data do desaparecimento deste, apesar de tudo, talentoso fotógrafo. 

Rui Campos

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Louis-Jacques-Mandé Daguerre

N. 18 nov 1787, Cormeilles-en-Parisis, France 
F. 10 jul 1851, Paris

Celebra-se hoje o 231º anversário do nascimento de Louis-Jaques Daguerre, um dos percursores da fotografia. Inventor do processo que ficou conhecido com o seu nome, o Daguerrótipo, o qual, vinte anos depois de ter sido apresentado ao Mundo (1839) , era já o processo fotográfico mais comum no Mundo Inteiro. 

Como fotógrafo que sou, nao poderia deixar de assinalar a data. 

1. Biografia


Vi Whitmire redigiu a seguinte biografia de Daguerre, para o International Photography Hall of Fame Museum:

Louis Jacques Mande-Daguerre encetou a busca pela tecnologia para gravar uma imagem. A invenção do daguerreótipo trouxe a possibilidade de preservar um período, a memória de um lugar ou os rostos de uma família.

Louis Jacques Mande-Daguerre, artista e inventor, nasceu em 18 de novembro de 1789 em Cormeilles-en-France. Enquanto jovem, tornou-se evidente que a força de Daguerre estava no campo da arte. Aos dezesseis anos, tornou-se aprendiz do pintor de sucesso Degotti. Daguerre tornou-se um pintor aceitável, pintando cenários para peças teatrais e óperas.

Em 1822, Daguerre, juntamente com Charles Bourton, também pintor, criou uma cena teatral que chamou de “diorama”. Várias camadas de tecido foram pintadas e depois colocadas em camadas com objetos reais e iluminadas para se aproximarem da hora do dia. O diorama era muito popular em Paris; Dioramas foram criados para vários países da Europa e América. Daguerre estava familiarizado com a câmara escura como ajuda da pintura e melhorou as lentes para o seu uso durante a produção do diorama.


Esta é “Boulevard du Temple“, a primeira fotografia alguma vez feita de um ser humano. Trata-se de um daguerrótipo, e foi feito pelo próprio  Louis Daguerre nos finais de 1833 ou início de 1834. è uma cena de uma cidade muito movimentada, mas, consequência da necessidade de um tempo de exposição bastante grande, todo o tráfego de pessoas acontecia demasiado rápido para que estas pudessem aparecer na imagem. A excepção é o homem que aparece no canto inferior esquero e que, porque estava a engraxar as suas botas, esteve quieto o tempo sufixciente para aparecer na imagem. 

Nicephore Niepce e Daguerre conheceram-se tornaram-se sócios em 1829; Niepce precisava da câmera obscura de Daguerre e Daguerre estava interessado no processo heliográfico que Niepce havia desenvolvido. Daguerre era um artista, não um químico, mas foi ajudado por um importante químico francês, J. Dumas, que contribuiu com fundos, um laboratório e conselhos. Infelizmente Niepce morreu em 1833 deixando a sua parte da parceria para seu filho Isidore.

Dois anos depois, Daguerre produziu o primeiro daguerreótipo. Sendo colocado sobre um recipiente de partículas de iodo, formando assim um iodeto de prata na superfície, sensibilizou uma folha de cobre revestida de prata. A placa foi então exposta numa câmara; o iodeto de prata foi reduzido a prata em proporção à densidade. A placa exposta foi então colocada sobre um recipiente de mercúrio quente; os vapores formavam um amálgama com a prata produzindo uma imagem. A placa foi lavada com uma solução salina para evitar mais exposição. Daguerre permitiu que a sua placa de prata iodada permanecesse na sua parceria, mas seria chamada de “daguerreótipo”, uma vez que foi uma invenção sua. O primeiro daguerreótipo de sucesso, uma natureza morta, foi produzido em 1837. A primeira imagem humana foi registrada num daguerreótipo em 1839.

No mesmo ano, o governo francês aceitou o processo de daguerreótipo como uma aquisição a ser compartilhada com o público. Daguerre recebeu uma pensão vitalícia de 6000 francos por ano. Isidore Niepce recebeu também uma pensão vitalícia de 4000 francos.

Samuel F. B. Morse reuniu-se com Daguerre para compartilhar o seu telégrafo e ver o daguerreótipo. Morse ficou tão impressionado que levou o processo para a América, onde foi aceite com grande entusiasmo.

Daguerre continuou a produzir a câmara que tinha concebido com a ajuda do seu cunhado, as lentes de Alphonse Giroux e Chevaliers.

2. Bio de Daguerre, segundo Malcolm Daniel:

Malcolm Daniel, do Departamento de Fotografia do The Metropolitan Museum of Art redigiu dois ensaios acerca da obra e legado de Daguerre, que também transcrevo para ajudar à percepção do seu legado:

Em 7 de janeiro de 1839, membros da Académie des Sciences da França mostraram produtos de uma invenção que mudaria para sempre a natureza da representação visual: a fotografia. As imagens incrivelmente precisas que viram foram o trabalho de Louis-Jacques-Mandé Daguerre (1787-1851), pintor e impressor romântico mais famoso até então como o proprietário do Diorama, um espetáculo parisiense popular com pintura teatral e efeitos de iluminação. Cada daguerreótipo (como Daguerre apelidou de sua invenção) era uma imagem única numa folha de cobre banhada a prata altamente polida.

A invenção de Daguerre não nasceu plenamente, embora em 1839 possa ter parecido assim. Na verdade, Daguerre procurava desde meados da década de 1820 um meio de capturar as imagens fugazes que via na sua camera obscura, uma ajuda para o desenho, consistindo por uma caixa de madeira com uma lente numa das extremidades que projectava uma imagem numa folha fosca, na outra extremidade. Em 1829, ele havia formado uma parceria com Nicéphore Niépce, que vinha trabalhando no mesmo problema – como fazer uma imagem permanente usando luz e química – e que havia alcançado resultados primitivos, mas reais, já em 1826. Quando Niépce morreu em 1833, os parceiros ainda não eram capazes de apresentar um processo prático e confiável.

Foi somente em 1838 que as experiências continuadas de Daguerre progrediram ao ponto de se sentir à vontade, mostrando exemplos do novo meio para artistas e cientistas selecionados na esperança de alinhar investidores. François Arago, notável astrónomo e membro da legislatura francesa, estava entre os admiradores mais entusiastas da arte. Ele tornou-se o campeão de Daguerre tanto na Académie des Sciences quanto na Chambre des Députés, garantindo ao inventor uma pensão vitalícia em troca dos direitos do seu processo. Somente em 19 de agosto de 1839, o processo revolucionário foi explicado, passo a passo, antes de uma sessão conjunta da Académie des Sciences e da Académie des Beaux-Arts, com uma multidão ansiosa de espectadores transbordando para o pátio externo.

O processo revelado naquele dia parecia mágico. Cada daguerreótipo é uma imagem fotográfica extraordinariamente detalhada e única numa folha de cobre banhada a prata altamente polida, sensibilizada com vapores de iodo, exposta numa câmara grande, desenvolvida em fumos de mercúrio e estabilizada (ou fixada ) com água salgada ou “hypo” (tiossulfato de sódio). Embora Daguerre fosse obrigado a revelar, demonstrar e publicar instruções detalhadas para o processo, ele sabiamente reteve a patente do equipamento necessário para praticar a nova arte.

Desde o momento do seu nascimento, a fotografia tinha um caráter dual – como meio de expressão artística e como uma poderosa ferramenta científica – e Daguerre promoveu sua invenção em ambas as frentes. Vários dos seus primeiros pratos eram composições de natureza morta de moldes de gesso após escultura antiga – um assunto ideal, já que os elencos brancos refletiam bem a luz, ficavam imóveis durante longas exposições e emprestavam, por associação, a aura de “arte” a quadros feitos por meios mecânicos. Mas Daguerre também fotografou um arranjo de conchas e fósseis com a mesma finelidade, e usou o meio para outros propósitos científicos também. O jornalista Hippolyte Gaucheraud, numa reportagem que apareceu no dia anterior à primeira exibição dos daguerreótipos à Académie des Sciences, de pois de lhe ter sido mostrada a imagem de uma aranha morta fotografada através de um microscópio solar questionou o inventor:: “Você poderia estudar sua anatomia com ou sem um lupa, como na natureza; [não há] um filamento, nem um duto, por mais tênue que seja, que você não possa seguir e examinar. ”Até mesmo Arago, diretor do Observatório de Paris, teria sido surpreendido por um daguerrótipo da lua.

Nem os daguerreótipos microscópicos nem os daguerreótipos de Daguerre sobreviveram. Em 8 de março de 1839, o Diorama – e com ele o laboratório de Daguerre – foi totalmente destruído, destruindo os registros escritos do inventor e a maior parte dos seus primeiros trabalhos experimentais. Na verdade, menos de vinte e cinco fotografias seguramente atribuídas a Daguerre sobrevivem – apenas um punhado de naturezas-mortas, vistas parisienses e retratos da aurora da fotografia.

3. A Era Daguerreana em França – 1839-55:

O mesmo Malcolm Daniel redigiu ainda este ensaio, acerca do legado de Daguerre:

O governo francês colocou o processo de Daguerre no domínio público e, passados alguns meses, este espalhou-se pelo mundo como um incêndio. Tão intensa era a mania de que, em dezembro de 1839, um caricaturista parisiense, Théodore Maurisset, iria satirizar um mundo invadido por daguerreotipistas e público clamoroso – uma imagem que não estava longe da verdade. Milhões de pessoas que nunca sonharam em encomendar um retrato pintado para que seus rostos fossem gravados para amigos ou familiares e para a posteridade.

“Daguerreotypomania”, de Théodore Maurisset, uma sátira à moda do daguerrótipo

De facto, quando Daguerre demonstrou pela primeira vez o seu processo, os tempos de exposição foram tão longos que até ele confessou que ainda não era prático efectuar retratos. Em alguns meses, no entanto, outros tinham mexido na química e nos procedimentos para reduzir os tempos de exposição de minutos para segundos. Dispositivos também foram inventados para ajudar os assistentes a permanecerem imóveis, embora muitas vezes com uma postura rígida e expressão de dor. Em última análise, o retrato representava a grande maioria dos daguerreótipos, preenchendo um desejo profundo de capturar e preservar o rosto de um marido ou esposa amado, um filho soldado em guerra, um bebê no seu leito de morte ou até mesmo um cão de família favorito. A julgar pelo registo económico – mais de cinco toneladas e meia de prata foram usadas por fabricantes de chapas parisienses num ano – milhões de daguerreótipos foram produzidos, e a maioria deles eram retratos.

Nas grandes cidades, os daguerreotipistas habilidosos montavam estúdios de retrato luxuosos, onde até mesmo a classe média podia se sentir como senhoras e senhores quando se apresentavam em frente à câmara e à posteridade. Embora um operador sensível e uma ama animada ocasionalmente produzissem resultados brilhantes, a maioria dos retratos acabava por se parecer bastante com o resto – de postura estética e sem inspiração. Não era de admirar, dada a enorme quantidade de daguerreótipos a ser produzidos. Mas isso fez pouca diferença para a maioria dos clientes, pois a precisão era mais importante para eles do que a arte. As pequenas cidades provinciais eram servidas por fotógrafos itinerantes – muitas vezes mais comerciantes do que artistas – que ficavam por alguns dias para fotografar qualquer parte interessada capaz de arcar com o custo modesto. Havia também senhores amadores, geralmente homens de lazer e aprendizes, que se equipavam com o equipamento necessário para fotografar as suas famílias e amigos, deixando para trás um conjunto de fotos mais individual e intimista do que muitos de seus colegas profissionais.

No presente, existem imensos artistas a decorrer ao processo inventado por Daguerre. Na imagem em cima, 
Francisco Moreira da Costa, Nu e folha de taioba, 2015 (daguerreótipo, placa de cobre banhada em prata, 9 x 12 cm) / Cortesia: FASS Galeria

Embora o retratismo fosse de longe o assunto mais comum dos daguerreótipos, artistas e cientistas, exploradores e arqueólogos pegaram nas câmaras e produziram imagens diferentes de todas as que haviam sido feitas antes. Os pintores, claro, estavam entre os primeiros a entender que a invenção de Daguerre mudaria o curso da arte. Alguns resistiram ao novo meio, outros exploraram-no como uma ajuda para a pintura, e outros ainda adoptaram-no como um novo meio de expressão. Os cientistas imediatamente reconheceram o potencial desse novo meio. Aproveitaram a câmera para telescópios e microscópios, procurando explorar a capacidade do daguerreótipo de gravar com uma exatidão incomparável, o que quer que viesse antes da lente.

Igualmente surpreendente para os espectadores do século XIX e fascinantes para o público moderno são as imagens de terras distantes que os daguerreotipistas trouxeram de volta a Paris. Hippolyte Gaucheraud, escrevendo no dia anterior às fotografias de Daguerre, deveria ser revelado à Académie, anotado com presciência: “Viajantes, em breve você poderá, talvez, ao custo de algumas centenas de francos, adquirir o aparelho inventado por M. Daguerre, E você será capaz de trazer de volta à França os mais belos monumentos, as mais belas cenas de todo o mundo. Verá quão longe da verdade do Daguerreótipo estão seus lápis e pincéis. ”A sua previsão estava correta. No final do ano, os viajantes partiram para as províncias francesas e territórios estrangeiros armados com equipamentos pesados ​​e um suprimento de placas, lutando para ajustar as instruções de Daguerre para acomodar a intensidade do sol do Mediterrâneo, o calor extremo do deserto egípcio, ou o disposições não fiáveis ​​de um porto estrangeiro. As chapas que trouxeram incluem alguns dos nossos mais apreciados primeiros vislumbres de regiões longínquas do globo.

No início dos anos 1850, a fotografia no papel começou a suplantar o daguerreótipo. Embora as fotografias em papel não tivessem a clareza miraculosa do daguerreótipo, elas tinham inúmeras vantagens: várias impressões poderiam ser feitas a partir de um único negativo; imagens maiores podem ser produzidas mais facilmente; e fotografias em papel poderiam ser coladas em álbuns ou usadas para ilustrar livros. O gosto pelos daguerreótipos durou um pouco mais nos Estados Unidos, mas na França o auge do médium tinha passado em meados da década de 1850, e os daguerreótipos desapareceram em 1860. No entanto, muitos milhões foram produzidos em pouco mais de uma década.

Em baixo deixo aos leitores um vídeo de Jarry Spagnoli, onde este demonstra como se produz um dageuerrótipo:

Rui Campos

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13/11 – Wasmo X. Wasmo

Waswo X. Waswo nasceu em Milwaukee, Wisconsin, nos EUA, faz hoje, 13 de Novembro, 65 anos.

Estudou na Universidade de Wisconsin-Milwaukee, no Centro de Fotografia de Milwaukee e no Studio Marangoni, no Centro de Fotografia Contemporânea de Florença, Itália.

O seu livro, India Poems: The Photographs, publicado pela Gallerie Publishers em 2006, está disponível em todo o mundo. O artista vive e viaja na índia há mais de dez anos e já morou em Udaipur, Rajasthan, nos últimos cinco anos, onde colabora com uma variedade de artistas locais, incluindo o foto-colorista Rajesh Soni. Também produziu uma série de pinturas autobiográficas em miniatura em colaboração com o artista R. Vijay.

Waswo é representado na Índia pela Gallerie Espace, Nova Delhi, e pela Serindia Gallery, em Bangkok, na Tailândia.

O Hindustan Times refere-se a ele, num artigo publicado em 25 de Abril passado, da seguinte forma:

Um vendedor de penas caminha com uma bicicleta carregada de penas de pavão. Um homem de turbante com ghungroos nos pés posa com uma arma. Um menino recria a postura icónica de Hanuman carregando a montanha Sanjeevani.

Estas são algumas das imagens da Photowallah, a mais recente exposição do artista americano Waswo X Waswo (63), de Udaipur. As imagens de Waswo são feitas através de um processo elaborado onde ele faz com que pessoas comuns posem para ele.

É como teatro, uma performance cooperativa. Nós denominamos as pessoas que posam para nós como modelos”, diz ele.

Os papéis que desempenham são baseados em pessoas que ele conhece na aldeia de Varda, nos arredores de Udaipur, onde tem o seu estúdio. Os cenários pintados retratam a folhagem e as montanhas e inspiram-se no cenário exagerado dos antigos estúdios fotográficos.

Waswo fotografa imagens digitais em monocromático, que são depois pintadas à mão pelo artista local Rajesh Soni (34) usando aquarelas.

Enquanto Waswo sempre foi um “purista do preto e branco”, ele afirma que o seu encontro com Soni o fez mudar de opinião. Por acaso, o avô e o pai de Soni costumavam pintar à mão fotografia para a família real de Udaipur.

“De certa forma, estamos a dar uma nova vida a uma arte antiga”, diz Soni.

A exposição apresenta três proeminentes séries de trabalhos de Waswo – Gauri Dancers, A Studio in Rajasthan e New Myths. Gauri Dancers apresenta imagens de artistas masculinos de Mewar (pertencentes à tribo Bhil) que vão de aldeia em aldeia interpretando contos de épicos.
Studio in Rajasthan apresenta cenas encenadas filmadas no estúdio Varda; enquanto New Myths apresenta pessoas vestidas como divindades.

Atrás das Cenas:

Waswo (que escolhe não explicar seu nome exclusivo) costumava ser fotógrafo em Milwaukee, nos EUA. Curioso acerca da Índia, visitou Delhi e Udaipur em 1993.

“Eu não sabia nada sobre Delhi. era ingénuo, eu nem tinha lido My Lonely Planet” afirma.

Em Delhi, foi abordado por um motorista de requixó, que o levou a um agente de viagens.

“O agente vendeu-me um pacote de viagem de 10 dias para Udaipur. Eu amei a cidade. Tem um lugar especial no meu coração ”, acrescenta.

Consequentemente, fez várias viagens à Índia antes de se estabelecer em 2003. Hoje vagueia entre o seu apartamento em Banguecoque, seu estúdio em Varda e a sua casa em Udaipur.

As pessoas chamam-me artista americano, mas eu considero-me um artista indiano”.

Presente Perfeito:

Enquanto os críticos acusam Waswo de propagação de estereótipos sobre a Índia, ele permanece imperturbável.

“Estas são fotos contemporâneas. Eu não vivo no passado; Euvivo no presente, em Udaipur, que é um lugar diferente. Esta é a vida real ”

Ele também esclarece que as obras não são representações etnográficas de uma comunidade, mas sim uma fantasia encenada.

Eu olho fotos antigas e as pessoas parecem tristes, como espécimes. Eu tento ter alguma vida em minhas fotos, algum personagem e personalidade”.

O trabalho de Waswo pode estar focado na Índia, mas ajudou-o a ganhar reconhecimento em todo o mundo. As suas fotografias foram exibidas em Amsterdão e Paris, entre outras cidades.

“A Índia tem sido boa para mim. Depois que vim para cá, tornei-me conhecido nacional e internacionalmente ”

Deixo a seguir o Documentário “A Studio in Rajasthan”, um documentário acerca da sua obra, para quem quiser conhecer melhor a obra deste fotógrafo-artista.. 

Rui Campos

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La Línea de La Sombra

Hoje os meus leitores têm sorte, porque publico dois artigos, em vez de um. Vou começar a apresentar mais trabalhos de fotógrafos espanhóis e portugueses por motivos que perceberão em meados do próximo ano. Este documentário que passa na TVE2 mais logo, é acerca de um fotógrafo incontornável de Espanha bem como detodos os amantes desta forma de expressão. 

O programa Imprescindibles, na TVE2, (televisão espanhola) passa esta noite às 21h30m (20h30m em Portugal) o documentário “la línea de Sombra“, sobre o trabalho do fotógrafo Alberto García-Alix. É um documentario da Morelli Producciones e um testemunho direto das luzes e sombras que o fotógrafo teve que percorrer para encontrar o seu caminho.

O diretor do documentário, Nicolás Combarro, foi o curador de García-Alix em alguns dos seus projetos durante 15 anos. teve por isso, uma proximidade privilegiada que lhe permitiu gerar um diálogo direto e sincero sobre algumas das partes mais complexas da biografia do artista.

O documentário é narrado a partir da intimidade do estúdio do fotógrafo e mostra uma jornada entre o passado e o presente da sua vida e obra. Como assinala Nicolás Combarro,

“a trajetória artística e vital de García-Alix permite-nos traçar uma parábola de um momento social e artístico em Espanha, sempre complexo de abordar. Os anos que trabalhei com ele permitiram-me olhar de maneira privilegiada e assim entender a sua arte a partir de dentro. 

García-Alix é um grande contador de histórias e, com as suas imagens e a sua biografia, mostra uma história de sobrevivência, superação e luz diante das sombras.

Neste documentário, através de imagens a preto e branco, acompanha o artista desde a intelligentsia underground dos anos 70, passando pelos anos da Movida Madrileña, até a maturidade artística e até ao reconhecimento internacional.

Transcrevi esta biografia do fotógrafo do site “España es Cultura

Nasceu em León, em 1956. 

A sua trajectória foi reconhecida com imensos galardões, designadamente o Prémio Nacional de Fotografia, em 1999. Esteve muito ligado à “Movida Madrilenã”, da qual deixou imensas imagens acerca de jovens deste movimento cultural. A sua especialidade são os retratos a monocromático. 

Começou uma carreira ligada à imagem na Faculdade de Ciências da Informação da Universidade Complutense de Madrid, mas abondonou o curso por o considerar excessivamente teórico. Foi um autodidata. trabalhou no mundo do cinema, antes de se virar para a fotografia de ter passado a colaborar com diferentes meios de comunicação, como o jornal El País. 

Realizou a sua primeira exposição individual em Madrir, na galeria Moriarty, com a qual conseguiu participar em muitas mostras. É considerado um “fotógrafo Duro”, especialista em retratos. Osecado em perseguir a realidade, a simplicidade e de recorrer a planos formais muito directos. Não lhe agrada a sofisticação nem os “truques” do pós-produção. É obsessivo com a pureza da revelação a preto e Branco.

Deixo-vos aqui uma entrevista gravada que ele deu em Janeiro deste ano. 

Rui Campos

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Othello De’Souza-Hartley

Othello De’Souza-Hartley  é um artista visual, que trabalha em mídias diferentes, mas principalmente em fotografia e cinema. O seu trabalho explora temáticas como a masculinidade e a femininidade, a identidade e a vulnerabilidade do corpo humano. O artista é frequentemente modelo do seu próprio trabalho.

Biografia:

É representado pela Galeria Sulger-Buel Lovell. Tem um mestrado em Belas Artes pela Camberwell College of Art e estudou fotografia no Central St Martins. Jan 2011 De’Souza-Hartley recebeu um Prêmio de Artes da University of Arts London.

De’Souza-Hartley já foi comissariado diversas vezes, designadamente por: Museu de Liverpool, National Portrait Gallery, Galeria dos Fotógrafos, Victoria Albert Museum, Camden Arts Centre e Plataforma de Arte.

Tem também exposições individuais no The Camden Arts Centre e The Underground Gallery, além de estar representado em colectivas na Gasworks Gallery e na APT Gallery London

Seu trabalho de fotografia foi apresentado nas revistas,160g Magazine, Le Journal De La Photographie, Trace Magazine, Neo2, Revista Monitor, The Guardian, Clam Magazine e Amica Magazine.

África teve uma influência massiva. Ao ir a lugares que estão fora da minha zona de conforto, alcanço outras partes de mim mesmo.“

Othello De’Souza-Hartley, numa entrevista à CNN, em 28 de Setembro de 2018

Fonte: Site do autor

As minhas influências vêm da pintura. Caravaggio, Rembrandt… Procuro estar tão perto quanto possível daquela sensação de pintura no meu trabalho.

Othello De’Souza-Hartley, numa entrevista à CNN, em 28 de Setembro de 2018

“I AM”

“Há qualquer coisa com o corpo humano, a forma como a luz reflete na pele… (…) inventantos problemas em relação à nudez, o corpo humano é belo na sua forma mais pura e simplificada. Acho que vivemos num espaço em que toda a gente quer esconder. Precisei de um ano para escolher 14 homens só para estarem semi-nús. Fiz uma série na qual tenho mulheres  deitadas numa cama de cabelo afro sintético. Esta série, intitulada “I AM”,  foi inspirada por conversas acerca dos estereótipos negativos associados ao cabelo afro natural. “

Othello De’Souza-Hartley, numa entrevista à CNN, em 28 de Setembro de 2018
Imagem extraída do site do autor, para ilustração do artigo. 

Encaro este projeto como uma solidariedade para com as mulheres negras e as pressões a que elas são sujeitas por um lado a partir das noções dominantes da sociedade sobre os padrões europeus de beleza, e por outro lado a partir da pressão que vem de dentro das suas próprias comunidades. Lembro-me de ter crescido e ouvido os anciãos dizer “bom cabelo”, ou seja, alguém com cabelo esticado, deixando implícito que o cabelo Afro não é bom cabelo.

As mulheres negras que usam o cabelo natural no local de trabalho não são vistas como profissionais. Os protestos recentes na África do Sul ocorreram porque garotas negras foram forçadas a endireitar os seus cabelos e “doutrinadas” em que o seu cabelo natural é uma distração da criação.

Fonte, site pessoal do artista.

A autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie versou acerca destas formas como as características físicas dos negros estão emparedadas entre os cânones ocidentais e africanos.

“Relaxar o cabelo é como estar na prisão. A mulher que o faz está enjaulada, é governada pelo seu cabelo”

 Chimamanda Ngozi Adichie 

“WITHIN”

Numa outra série, “Within”, inspirada numa viagem que fez ao Uganda com o objectivo de participar numa residência artística, e por via da interacção com outros artistas oriundos do país, percebeu que era hora de s artistas começarem a contar as suas próprias histórias.


Imagem extraída do site do autor, para ilustração do artigo.

“Conheci pessoas que estavam cientes do fato de que materiais tradicionais proeminentes e motivos de orgulho estão a ser corroídos por materiais e consumo mais modernos … Eles estavam a recorrer a materiais tradicionais e a trazer de volta a sua consciência colectiva, encontrando novas fruições para estes materiais, contemporâneas. Essa foi a base do meu projeto: como usar materiais tradicionais de forma moderna. O Uganda tem uma população juvenil muito alta. A maioria da população deste país tem menos de 35 anos, é o segundo país mais jovem do continente. Os cidadãos deste país querem mudanças, estão fartos de que o seu país seja explorado e do retrato negativo que o Ocidente tem de África. O Uganda tem um governo no poder há mais tempo do que a maioria das gerações mais jovens têm de vida. Conheci muitas pessoas talentosas que queriam contribuir para a construção do seu país, mas sentiam que estavam ser impedidas retidas pela infraestrutura e pelo governo.

O projeto foi complementado por uma instalação/fotografia num stand que foi construído com materiais locais, escolhidos em consequência de pesquisa e de uma política de portas abertas onde os transeuntes podiam entrar e dialogar, passar tempo no espaço e ser fotografados a partir do momento que a instalação estivesse construída.

Rui Campos.

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David Gibson

Não é segredo nenhum que a disciplina da fotografia que mais me apaixona é a fotografia de rua ou quotidiano. A parte do quotidiano acrescento eu carinhosamente porque acredito que a tradução literal do termo “Street Photography” fica curta em termos de significado quando adaptada ao léxico português.

Também não é segredo nenhum que as questões de equipamento e técnica são para mim uma imensamente rica cortina de fumo que visa distrair a atenção para as questões que considero realmente importantes para a fotografia. Ainda assim, sempre considerei que, com peso, conta e medida todos os factores são importantes.

Assim, a partir da lógica da racionalidade procurarei trazer a este espaço informação e opinião acerca de todas as vertentes que compõem o mundo da fotografia.

A partir da lógica da irracionalidade, procurarei refrear as minhas paixões e não vos incomodar com demasiados artigos acerca de fotografia de rua e quotidiano. Naturalmente a disciplina em que estou mais bem versado e na qual me sinto mais à vontade.  

A por isso julgo ter chegado a uma solução de compromisso que serve todas as partes:

  • O blogue do meu site em primeiro ligar, porque tem de ser coerente com o meu trabalho fotográfico, o qual sempre apostei em que fosse multifacetado e abrangente;
  • Seguidamente as pessoas interessadas na fotografia pela fotografia, aquelas pessoas que, como eu, vivem a angústia de procurar informação em relevante e pertinente e não encontram traduzida para o português.
  • E por fim eu mesmo que sou o principal beneficiado em todas as partes. Na medida em que o estudo constante me permite estar atento àquilo que se está a passar no panorama da fotografia e porque, numa situação mais aflitiva de tempo, posso sempre recorrer à fotografia de rua e quotidiano para “meter uma bucha“. 

E agora, depois de vos explicar que amanhã (sábado) estou ocupado e não posso escrever, e por isso escrevi de véspera sobre fotografia de rua, vamos ao que interessa.

Fonte: http://streetlondon.co.uk/david-gibson/

David Gibson afirma no portal iN-PUBLiC  que passa mais tempo a ler fotografias do que passa a fotografar, que as prateleiras da sua casa estão cheias de livros acerca de fotografia; o “trabalho dos chamados mestres fotógrafos – e menos anunciados”. Afirma que estes são para ele uma fonte de estímulo e segurança para a sua fotografia. Enumera alguns que eu não vou enumerar aqui porque acredito que “mestres” são aqueles que nos inspiram e, não porque discorde das suas escolha (porque não discordo) mas porque acredito que cada um tem a obrigação de procurar as fontes de inspiração com as quais se identifica mais, e não porque alguém as escreveu. Também porque este post é sobre de David Gibson e não sobre as suas fontes de inspiração, como tal, não irei mencionar esses nomes que ele refere.

“Para mim, a fotografia de rua é um impulso instintivo e, depois de quase trinta anos a vaguear com minha câmara, ainda resta curiosidade e inspiração – e depois procurar a sorte ”.

No que concerne ao seu percurso de vida, o iN PUBLiC refere que David Gibson foi Assistente Social durante alguns anos antes de se dedicar a tempo inteiro à fotografia, o que aconteceu em 1994. Em 2002 fez um Mestrado em Fotografia, direccionado para a História e a Cultura no London College of Printing. Reside em Londres onde organiza workshops de fotografia de Rua, bem como noutras cidades. também começa a escrever gradualmente mais acerca de fotografia. Publicou o The Street Photographer’s Manual, editado pela Thames and Hudson em 2014. Em 2017 publicou também 100 Great Street Photographs, editado pela Prestel.

Na sua página pessoal, afirma que fazer fotografia de rua é um impulso instintivo, uma comichão a que precisa de atender, coçando-se. Afirma-se curioso das pessoas e das coisas e que as pretende registar fotograficamente. É para ele um hobby como outro qualquer.

Também encara a sua actividade como um diário pessoal, o qual sente necessidade de fazer continuar. Afirma que Londres, a cidade em que fotografa maioritariamente é uma cidade superlotada mas que consegue muito bem isolar os assuntos das suas imagens, as quais prefere simples. Refere que ao contrário daqueles que preferem confiar na sorte e/ou na orquestração, gosta das suas simples. Acredita que quando está a fotografar, existe uma componente do seu trabalho que é operada instintivamente. Afirma também ter noção de que corre o risco de parecer pretensioso, mas que acredita que existe uma porta que o transporta para uma espécie de manto de invisibilidade onde fica sem ser necessariamente consciente de que está a ser visto faz parte do processo de fotografar o quotidiano.

Acrescenta que não é possível descrever aquilo que procura enquanto vagueia pelas ruas e assume que os assuntos que procura evoluíram com o tempo, ainda que a sua forma de estar é perceber que quando encontrar algo que merece a sua atenção, ele saberá como o fotografar. E é precisamente esta circunstância que faz de qualquer fotógrafo único e inimitável se este desejar respeitar-se a si mesmo. A percepção, a leitura que se faz do Mundo que acontece diante de nós simplesmente não se replica, não se ensina, não se pode perseguir. Um bom fotógrafo em termos técnicos pode ler e ouvir todas as palavras que um outro fotógrafo versou e nunca o conseguir imitar, porque na hora de escolher o que fotografar, pura e simplesmente não perceberá. Como eu costumo dizer, quando muito replica algumas situações e com isso apenas consegue clichés. 

Gibson afirma ainda que procura “elegância, formas gráficas e muitas vezes o sentido da história a acontecer“. Aprecia fotografias que sejam atractivas, que sejam prazenteiras capazes de surpreender o público.

David Gibson faz fotografia de rua há mais de vinte e cinco anos. É um dos membros fundadores do Colectiva Internacional de Fotógrafos de rua. O seu trabalho tem sido amplamente publicado e exibido. É comissário de alguns dos principais grupos de design do Reino Unido. Fornece fambém imagem para diversas bibliotecas de imagem.

Além disso, David conduz regularmente workshops de fotografia de rua em Londres. Incluindo nos seus trabalhos organizações como a Tate Modern ou a  Photofusion. Organiza também workshops e Photo Walks em colaboração com o London Street Photography Festival.

Nos últimos anos, David tem organizado workshops em Atenas, Beirute, Amsterdão, Varsóvia, Banguecoque, Singapura, Estocolmo, Cracóvia e, mais recentemente, em Vitória e Bilbau, no norte da Espanha. Porém a maioria dos seus workshops é realizada em Londres.

“Um dia conversei com a minha tia sobre o que poderia ser este ensino. Reflectindo que éramos pólos distantes, ela de facto acertou dizendo que “você ensina a alma da fotografia”. Eu contento-me com isso ”.

Tudo isso entrou no seu livro, “The Street Photographer’s Manual“.

Descubra mais acerca deste fotógrafo aqui:

Rui Campos

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Afrofuturismo – Osborne Macharia

O Afrofuturismo é uma estética cultural, bem como  filosofia da ciência, história e da arte que combina elementos de ficção científica, histórica, fantasia, artes africana e da diáspora africana, afrocentrismo e realismo mágico, com cosmologias não ocidentais para criticar não só os dilemas atuais dos negros, mas também para revisar, interrogar e reexaminar os eventos históricos do passado.


Creditos das Imagens anteriores: Osborne Macharia

O Afrofuturismo foi proposto por por Mark Dery em 1993 e depois explorado no final da década de 1990 através de conversas lideradas por Alondra Nelson.

A corrente versa temas e preocupações da diáspora africana através de uma abordagem de tecnocultura e ficção científica. É multidisciplinar e tem conquistado a simpatia de cada vez mais artistas, sobretudo negros, que propõem respostas para o futuro da cultura negra e derivações, consequência da diáspora africana.

Osborne Macharia

Além de outros autores, de outras disciplinas, como Samuel Delany e Octavia Butler, Jean-Michel Basquiat e Angelbert Metoyer, os conjuntos musicais Parliament-Funkadelic, Jonzun Crew, Warp 9, Deltron 3030 e Sun Ra; ou o super-herói Pantera Negra da Marvel Comics, quero destacar, como é óbvio, a fotografia de Renée Cox e o absolutamente maravilhoso (não tão) recente trabalho de Osborne Macharia.

Osborne Macharia declarou à BBC num vídeo cujo link deixo no fim deste post o seguinte:

Quando começámos a fazer a nossa cena, só queriamos fazer boa arte que falasse connosco e que mostrasse quem somos numa perspectiva mais glorificada do que aquela que é conhecida acerca de nós. (…) Tive o privilégio de trabalhar com a rede de Oprah Winfrey e de ter criado trabalho para o Black Panther.

O Afrofuturismo é a re-proposta dos pós-coloniais, a narrativa africana para algo que nos define melhor culturalmente, combinando a nossa História, a cultura vigente e as aspirações futuras das pessoas de cor. Penso que temos uma palavra aqui, porquee enquanto africanos estamos a tentar encontrar a nossa linguagem visual.

Qualquer coisa boa leva tempo a acontecer, e as pessoas precisam de aprender a respeitar o processo. Uma das nossas maiores inspirações é o feedback que recebemos; quando temos eventos e as vessoas aparecem é a melhor coisa que já vimos. 

Quero ser conhecido como aquele indivíduo que criou a revolução no continente e inspirou toda uma geração de criativos.”

Osborne Macharia

Em relação ás suas ambiçoes, eu penso que sem ambição nada se consegue. E penso que em relação a Osborne Macharia, este já deu grandes passos para conseguir o seu objectivo. 

O Site Afritorial escreveu uma peça acerca de Osborne Macharia, a qual transcervo aqui, juntamente com algumas imagens que recolhi também desta peça.:

Some might want to label him a mere photographer. Some may even call him an artist. But I choose to call him Africa’s camera mad alchemist a la Willy Wonka.

Over the years I’d stumbled across Osborne Macharia on various online platforms and watched with growing incredulity as he continues to screw our minds with his fantastic imagery and out of this world thinking.

Take for example his take on a product ad campaign for homewares client Miwi (see below). I’ve been around the block many times in the advertising and marketing first but this I’d yet not seen … knives planted in coils of hair, resembling a steely, edgy Africa Medusa of our scariest yet most riveting imagination.

So who is this guy anyway?
Turns out Osborne is a self-taught commercial and advertising photographer born in Kenya.
He has a Bachelor degree in architecture, but has worked as photographer for a few years now.

As he told the African Photography network, “I have been on this photography journey for nearly four years now and I have been privileged to work with some of the top local and international brands such as Coke, Guinness, Samsung, Kenya Airways, etc. I have also worked with international agencies from London and the US and that has given me hope that African photographers are slowly making an impact. When there’s a break from my commercial assignments, I love working on my own personal projects. I get to define and refine my work more and more.”

Macharia has been featured on websites such as African Digital Art and Hasselblad Bulletin, and he is also an Elite member of Best of Wedding Photography – this is an invite only website for the worlds best wedding photographers. His work is inspired by US based photographers Joey L, Dean Bradshaw, Dave Hill and Jim Fiscus, and UK based photographers Alan Clarke and Todd Anthony.

“Our market is dynamic and young, especially for African photographers and the possibilities are endless. My desire is to see African photographers and artists compete on an international level and receive recognition. My dream is to one day have my work exhibited in Paris, London and New York, as well as scoop a Cannes Award one day.”

No doubt my friend, you’re halfway there already. Keep creating more fantastical imagery and mind blowing visual storylines and the world will not be able to get enough of you. Like Willy Wonka says, “Such wondrous, fine, fantastic tales. Of dragons, gypsies, queens, and whales, and treasure isles, and distant shores, where smugglers rowed with muffled oars, and pirates wearing purple pants, and sailing ships and elephants.”

Osborne Macharia está indubitavelmente entre os meus fotografos de eleição. Tenho acompanhado o trabalho dele desde há uns 4 anos e ainda não me apresentou nada novo que eu achasse que seria obvio. É acima de tudo talentoso, muito mesmo, mas é também polivalente, dedicado e principalmente incomodado. Apesar do exotismo para nós, o seu trabalho goza de uma simplicidade incrível e que assenta nas suas raízes.

Para terminar, num sentido mais lato, o Afrofuturismo é um movimento que ainda goza de muita diferença injusta por parte das culturas ocidentais, aquelas que de facto têm capacidade para o projectar, criando-lhe assim um mercado. É injusto e eu espero que este post possa despertar a atenção de mais algumas pessoas para este movimento.

Deixo em baixo mais algumas imagens de Osborne Macharia para que possam desfrutar delas, de facto nunca são demais.

Fica aqui o link para uma peça que a BBC fez acerca dele. 

Rui Campos

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How Do You See Me?

Alanna Airitam, Endia Beal e Medina Dugger são três artistas que criaram uma exposição que se chama “How Do You See Me?”, patente na Edelman Gallery, em Chicago.

No statement da exposição, as artistas expressam cada uma por si, pretensões diferentes para este trabalho, pesem embora complementares. E é precisamente por esta razão que eu encontro valor neste trabalho.

Resumidamente, porque irei transcrever no final deste post todo o statement que consta no site da galeria, declaram o seguinte:

Alanna Airitam refere-se a este projecto como um tributo às pessoas negras, uma chamada de atenção para com os as “Narrativas e esterotipos negativos que são atribuídos às pessoas e à cultura negras”. Declara ter pretendido com este trabalho mostrar as pessoas de raça negra como elas são, bonitas, poderosas e como fazendo parte, e não estando à parte.

Por seu lado, Endia Mial declara que o seu trabalho unifica Fine Art com as injustiças sociais e que recorre à fotografia como médium para revelar as olvidadas e inapreciadas experiências únicas das pessoas de cor. Incorpora ainda outras mídias, a fim de facultar àqueles que constam das suas imagens a possibilidade de deixarem os seus próprios testemunhos.

Já Medina Dugger apresenta a sua participação como uma espécie de périplo de celebração pelos estilos de penteado da Nigéria, mas através de uma abordagem sofisticada, chique e actual. As imagens são inspiradas pelas cores de cabelo que estão na moda em Lagos e pelo falecido fotógrafo nigeriano J.D. ‘Okhai Ojeikere.

(deixo-vos aqui um tributo que o Metropolitan fez a este fotógrafo em 5 de Março de 2014, quando este faleceu).

O Press Release da exposição declara de forma directa e provocatória a pretensão desta exposição: 

We are thrilled to open the fall season with a compelling show by three women who confront the way African Americans are perceived in art, the work place, and through their physical appearance.

Esta exposição prova o tipo de serviço que a fotografia deveria na minha opinião prestar. O papel de meio, de veículo, de canal de comunicação para que o artista possa transmitir as suas ideias. E não o de mero motivo para explorar técnicas.

A fotografia é uma linguagem. E não se aprende pelo domínio de uma técnica, mas sim pelo domínio de uma infinidade de técnicas e leituras sociais. Se quiserem, para que a fotografia cumpra a sua função, o fotógrafo deve ter alguma coisa para dizer.

E esta forma de expressão tem de facto uma infinidade de vantagens em relação ao todas as outras. Também tem inconvenientes, claro.

Imagem da exposição

E, sob pena de permitir que se perca o verdadeiro sentido, o verdadeiro ponto importante a retirar deste post, além claro está, da partilha deste trabalho, remeto-me apenas à transcrição dos statements dos artistas. Se desejarem satisfazer melhor a vossa curiosidade acerca destes trabalhos, cliquem aqui:

Alanna Airitam
The Golden Age

The Golden Age is a tribute to black people. I got tired of living under the constant negative narratives and stereotypes assigned to black people and black culture and wanted to reclaim our majesty with work that showed the truth. And that truth is we are beautiful, we are powerful, and we belong. I created this body of work as a form of healing for myself. We are witnesses to the constant abuse of black lives. I decided to use my visual voice to change the messaging we receive about being black. If the media insists on depicting black people as ugly, I will show you beauty.

If the government insists on a narrative that we don’t belong, I will show you how we have built this country from the ground up. If the arts cannot find room for our voices, I will build a stage and give the microphone to as many underrepresented voices that I can. We live in an increasingly volatile world. Tomorrow is not guaranteed. I’ve decided to use the rest of my life being a part of the solution in whatever way I can. And if The Golden Age has inspired or given hope to someone, then I feel I have lived a purposeful life.


Endia Beal
Am I What You’re Looking For?

My work merges fine arts with social injustice. I use photography to reveal the often overlooked and unappreciated experiences unique to people of color. I also incorporate video, which allows those in the photographs an opportunity to share their personal testimony. Video lends greater empathy and awareness to those unaccustomed to being the minority. 

As a director of a museum and professor at a historically black university, I witnessed that many of our students have never been to a gallery or exposed to art. I instill that their voices are important and their perspective would give even greater depth to the art world. Ultimately, my work is a reflection of the philosophy I teach my students, which is your voice matters and deserves to be heard even in the most elitist of circles.

Medina Dugger
Chroma: An Ode to J.D. ‘Okhai Ojeikere 

Chroma: An Ode to J.D. ‘Okhai Ojeikere, is an on-going series which celebrates women’s hairstyles in Nigeria through a fanciful, contemporary lens. The images are inspired by hair color trends in Lagos and by the late Nigerian photographer J.D. ‘Okhai Ojeikere.

Hairstyles such as braids, locs, and threading, have been prominent in African culture for many centuries and Nigerian hair culture is a rich and extensive process which begins in childhood. The methods and variations are influenced by social/cultural patterns, historical events and globalisation. Hairdos range from being purely decorative to conveying deeper, more symbolic understandings, revealing social status, age and tribal/family traditions. 

Ojeikere’s approach was documentary in nature as he photographed over 1000 styles and amassed an enormous index spanning over 40 years. He began photographing hairdos in blackand- white, following the re-emergence of traditional Nigerian hair designs which became popular again following Nigeria’s independence. Prior to de-colonization, wigs and hair straightening became commonplace (especially in urban centres) as women conformed to Western standards of beauty.

The availability of colorful extensions and wools in local markets today has led to unique variations on threading and braiding techniques. Chroma is a celebration of both traditional and contemporary braiding methods. The series takes more of a whimsical approach and recontextualizes some of Ojeikere’s (and other) hairstyles to highlight current and imagined hair designs, celebrating the art of Nigerian hair culture.

Rui Campos

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Charlotta María Hauksdóttir


Créditos:  Charlotta María Hauksdóttir

Charlotta María Hauksdóttir tem vindo a acumular diversos diplomas em universidades Europeias e americanas, desde 1997. Conta com mais de 70 exposições individuais e colectivas no seu currículo, quase exclusivamente na Islândia, o seu país natal e nos Estados Unidos da América (EUA) e está representada em diversas exposições públicas.

E porém, a maior parte dos senhores que estiverem a ler este post nunca ouviram falar dela. Ainda assim fazer um apanhado da sua obra seria um trabalho demasiado vasto para um post, num blogue. Espero sinceramente que um dia algum autor se digne a fazer uma retrospectiva da sua obra, ou um qualquer cineasta algum documentário acerca dela. Porque de facto tem um trabalho excepcional, na minha opinião. 

Pelos motivos enumerados anteriormente, vou centrar este post em apenas um trabalho da fotógrafa.

Depois de ter ido para os EUA, em 2003 decidiu regressar à Islândia e procurar fotografar as paisagens da sua infância. 

Créditos:  Charlotta María Hauksdóttir

“After I moved away from Iceland, I felt this rootlessness, I didn’t realize how much the land had affected me, and when I started to travel I got a bit lost.”

Charlotta María Hauksdóttir

Desta vontade que a fotógrafa teve de regressar à sua identidade nasceu um trabalho que designou de “Imprints“, o qual ela justifica da seguinte forma:

The physical space of landscapes can be closely tied to a person’s identity, sense of being, and infused with personal history.

The composite, textured landscapes in the series “Imprints” are a re-creation of places and scenes from an estranged homeland.

The series includes human scale composite images, images that utilize fingerptints that evoque the uniqueness of our connection with nature, and abstract landscapes where several sheets of photographic paper with variable cutouts are layered together imitanting landforms that have formed over time.

The visible and obscured parts of the landscape suggest the interplay of effects betwen man and nature, as well as the impressions of memory, with juxtaposed textures emphatizing the minds inability to retain and fully comprehend its environment.

The discontinuity betwen the images also induces the viewer to draw on their own experiences to complete work.

Finally, by utilizing the textures of human fingerprints, the images speak to our individual responsability for our impressions upon nature. 


Charlotta María Hauksdóttir

Créditos:  Charlotta María Hauksdóttir

O trabalho desta fotógrafa, este seu trabalho em particular (se bem que todos as séries desta fotógrafa são digna de nota e positiva) seduz-me por várias razões. A primeira é que a Islândia tem-se vindo a afirmar cada vez mais como uma Meca para os fotógrafos paisagistas, e esta fotógrafa, natural da Islândia, conhecedora dos lugares, conseguiu ir mais além e apresentar um trabalho completamente distinto, indo além da fotografia pela fotografia, mas acima de tudo recorrendo a este meio para formular um conceito, uma ideia, e apresentar uma proposta válida e absolutamente diferenciadora. Uma proposta que revela a forma como ela interpreta a pausagem da sua Terra Natal. E se outra razão não existisse, este trabalho ja estaria legitimado por i só. Mas não existe apenas esta razão. Plasticamente todas as propostas visuais estão completamente coerentes, harmónicas, quer nas formas, quer no cromatismo. Nada aqui foi criado ao acaso. 


Créditos:  Charlotta María Hauksdóttir

Não sei como os outros fotógrafos encaram a fotografia. Mas para mim, se ela não tiver esta função em primeiro lugar, a função de simples disciplina, linguagem e suporta para potenciar enunciados, conceitos e interpretações, nenhuma das restantes funções tem relevo suficiente e que a justifique enquanto forma de expressão artística, 


Créditos:  Charlotta María Hauksdóttir

Deixo-vos com este maravilhoso trabalho plástico com a fotografia como suporte. Espero que sejam tão felizes a habitar nele quanto eu. 

Rui Campos

Post Scriptum:
Todas as obras artísticas, sob todas formas de expressão artísticas nascem, na minha humilde opinião, com o propósito de serem procuradas e descobertas. A artista que abordo neste post apresenta e justifica o seu trabalho numa língua que não a portuguesa. Ser-me-ía extremamente fácil ultrapassar esta questão e traduzir as suas palavras. Acontece que eu acredito que as artes beneficiam de créditos que estão acima das línguas e, quem quiser entender o trabalho desta (ou de um qualquer outro) artista deverá dar-se a trabalho de o querer entender e para isso ir á procura dele. Não é a Arte que tem de se chegar às pessoas, são as pessoas que têm o dever de se chegar à Arte. Um primeiro passo nesse sentido é procurar entender as suas palavras “em primeira pessoa”. 

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