Ode ao Vinho

Em 05 de Abril de 2014, depois de uma tarde que mexeu com todas as minhas crenças e preconceitos em relação à sociedade em que vivemos encontrei, numa aldeia do Concelho de Foz Côa um trio que estava capaz de dar início à reconquista cristã. Mas essa História por ora vai ficar no segredo dos Deuses. 

Trata-se de uma das fotografias mais bem dispostas que já fiz. É a imagem que tenho no fundo de ambiente de trabalho dos meus monitores e, de facto, quando ligo o computador pela manhã, esta imagem surte efeito.

“Ode ao Vinho”
Rui Campos

Sim, em fotografia também se reeditam obras. E todas elas têm correcções. Na edição da imagem também amadurecemos com o tempo. Tornamos as nossas edições mais subtis, de forma a que elas se tornem o mais imperceptíveis possível, sob pena de a edição ser preponderante na leitura da imagem. De resto é isso que tende a acontecer, cada vez mais confundimos fotografia com arte digital. As fronteiras, no campo da percepção, estão cada vez mais esbatidas. Mas acreditem, não é desejável. E nenhum fotógrafo sério a deseja.

Ainda assim o processo fotográfico exige trabalho de pós-produção, e é por isso mesmo que os fabricantes de equipamentos fotográficos, ao invés de apostarem em algoritmos nos processadores das câmaras, apostam na expansão de possibilidades nos ficheiros-nativos e permitindo assim ao fotógrafo editar como deseja. E acreditem, qualquer fotógrafo com alguns anos de experiência sabe o que vai depois fazer com o ficheiro que está a criar.

Porém, como referi anteriormente, amadurecemos, aprendemos novas técnicas de edição, formas porventura mais simples (ou não) de chegar a resultados. Já repararam que aqueles que de se assumem como fotógrafos muito raramente falam de edição, ou da forma como dominam ou não os softwares de edição? É porque este capítulo é importante, mas em termos de aperfeiçoamento da imagem, mas não em termos de conteúdo. Nada daquilo que o fotógrafo fizer nas suas imagens irá alterar o sentido, a mensagem ou o propósito da imagem. 

No meu caso reedito por várias razões: porque regressar ao passado traz boas sensações (eu guardo lembrança de todas as imagens que fiz, porque estas passaram pelo processo de edição e isso ajuda-me a preservar memória desses acontecimentos). Mas também porque, como ja referi, se aprendem novas técnicas, novas abordagens, novos processos.

Neste caso específico estou a reeditar os meus “Clássicos” porque me importa retirar das minhas imagens todos os metadados (dados Exif) à excepção dos direitos de propriedade intelectual.

Porquê? 
Simples: porque não quero que as pessoas que acompanham o meu trabalho pensem que a qualidade deste está dependente da qualidade do equipamento que uso, o qual é manifestamente abaixo da média daquilo que a esmagadora maioria de pessoas usam para fotografar. Não acreditam? Então vejamos, a minha lista de equipamentos é a seguinte:Nikon D7100, Nikon D5500, Canon G1x Mk1. E um conjunto de lentes que estão longe de ser prime ou topos de gama.

Se acham que a qualidade das vossas imagens não é boa por culpa do equipamento que usam, investiguem o equipamento que usaram os grandes fotógrafos do século XX e comparem com os vossos. Talvez tenham uma surpresa 

Designei esta série de “Ode ao Vinho” e espero reeditá-la por completo em breve para vo-la apresentar. Partilho-a com vocês na esperança de que vos proporcione boas energias para este dia. 

Tenham um bom dia. 

Rui Campos